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“As palavras importam.” A resposta de Hillary a Donald Trump

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AFP

Depois de o candidato republicano ter sugerido que os defensores da Segunda Emenda - que se refere ao direito à compra e porte de armas - podiam fazer alguma coisa para impedir a vitória de Hillary Clinton, a democrata sublinhou que Trump voltou a passar dos limites. “Não tem temperamento para ser Presidente dos Estados Unidos”

Não há dia que passe sem Trump fazer uma declaração polémica. Esta quinta-feira foi notícia a mais recente - acusar Obama de ser o fundador do Daesh - mas a verdade é que uma das suas tiradas anteriores que continua a dar que falar. Mesmo vindo de quem vem, há quem ache que na terça-feira, no comício realizado na Carolina do Norte, o candidato republicano foi demasiado longe ao sugerir que os donos de armas podiam travar a sua rival, a democrata Hillary Clinton.

“Pura incitação à violência”, escreveu-se nas redes sociais e pode ler-se em muitos artigos na imprensa. A própria visada usou a mesma expressão para comentar o que Trump disse, sublinhando quarta-feira que “as palavras importam” e podem ter “consequências tremendas”.

Em Des Moines (Iowa), Hillary Clinton disse que Trump voltou a passar dos limites. Fez o que se faz em política, numa tentativa de inverter o ataque contra o agressor: Alertou para o facto de “cada um dos comentários” abusivos do seu oponente na corrida para a Casa Branca demonstrar que este “não tem o temperamento para ser presidente dos Estados Unidos”.

Hillary disse mais. Declarou estar “comovida” por ver personalidades e eleitores republicanos aderir à sua campanha, afastando-se de Trump por sentirem que o controverso milionário “não representa os seus valores”.

Quanto a Trump, voltou ao assunto apenas para dizer que não disse o que é acusado de dizer. Nega ter sido sua intenção promover qualquer espécie de violência contra a candidata democrata nada disso, apenas pretendeu convencer os portadores de armas a irem às urnas.

Nada como recordar a afirmação: “Hillary quer, essencialmente, abolir a Segunda Emenda [da Constituição, que se refere ao direito ao porte de armas] . E se ela conseguir escolher os juízes do Supremo Tribunal norte-americano, não haverá nada que vocês possam fazer, amigos. Embora, quem sabe, talvez os defensores da Segunda Emenda possam...”.

Chris Murphy, senador pelo Estado de Connecticut, não ficou com dúvidas quanto à natureza do discurso. Através do Twitter, avisou Trump que afirmações do género “não são brincadeira”.

“Pessoas instáveis com armas poderosas e um ódio desequilibrado por Hillary Clinton estão a ouvi-lo”, acrescentou, criticando o que chamou “uma ameaça de homicídio”, que aumenta “as chances de tragédia e crise nacionais”.

Já o ex-mayor de Nova Iorque Rudolph Giuliani saiu em apoio de Donald Trump. Afirmou que a declaração não foi nenhuma ameaça e disparou na direção da imprensa, por estar envolvida numa “conspiração para eleger Hillary Clinton”.

A talvez mais previsível reação partiu da National Riffle Association. Para aquela que é a maior organização civil de proteção das leis de posse e compra de armas nos Estados Unidos, Trump tem razão ao afirmar que Hillary escolheria juízes contra a segunda emenda, o que, dizem, o discurso do candidato pretendeu sublinhar.

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