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Ministro brasileiro do Turismo sob fogo do PGR

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Temer diz que envolvidos na Lava Jato têm de sair

UESLEI MARCELINO/REUTERS

O titular da pasta do Henrique Eduardo Alves recebeu dinheiro da Lava Jato, diz o Procurador Geral da República. Governo interino de Temer muda de agulha e diz que envolvidos na corrupção da Petrobras têm que sair

Quem é que esta semana vai ser demitido do governo interino de Michel Temer? Depois da demissão dos ministros do Planeamento e da Transparência nos últimos 15 dias, a semana que hoje começa tem três candidatos possíveis.

Um deles é o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, pelo seu envolvimento na Lava Jato. Em despacho enviado ao Supremo Tribunal de Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, diz que Henrique Alves em conjunto com o deputado suspenso, Eduardo Cunha, interveio para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores no Congresso.

A notícia faz manchete na edição desta segunda-feira da edição do “Folha de São Paulo” e acrescenta que parte do dinheiro recebido por Alves serviu para financiar a sua campanha para governador do Rio Grande do Norte em 2014, em que foi derrotado.

O receio de novas denúncias como as do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, ou da “delação premiada” de Marcelo Odebrecht, já levaram Temer a tentar corrigir a mão e, por intermédio do seu ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, a avisar que que estiver envolvido tem que demitir-se. “Na Lava Jato, se aparecer alguém do Governo, já se sabe qual é a posição do Presidente: é que a pessoa deixe a equipe”, disse Padilha numa entrevista publicada esta segunda-feira no “Folha de São Paulo”.

Para concluir que assim o governo “ não será atingido de nenhuma forma e fica preservado”. Apesar de, por ora, não serem conhecidas escutas com a voz de Alves, o aviso de Padilha parece confirmar a sua saída iminente de um governo em que seis ministros são referenciados na Lava Jato. Tentativa de obstrução e críticas à Lava Jato foi o o teor das conversas de Sérgio Machado que levaram à demissão de Romero Jucá, o presidente do PMDB, da pasta do Planeamento, e de Fabiano Silveira, da Transparência.

Mais dois candidatos à saída?

A nova Secretária de Política para as Mulheres, Fátima Pelaes, poderá ser outra das baixas do executivo de Temer. Não será propriamente uma saída, pois apesar de ter sido indicada para o cargo, Pelaes ainda não tomou posse. Esta ex-deputada do PMDB, evangélica e publicamente contra o aborto mesmo nos casos de violação, foi a apresentada pelo presidente interino na terça-feira da semana passada.

No dia seguinte, a imprensa destacou que Pelaes está a ser investigada pelo Ministério Público por “associação criminosa” para desviar 4 milhões de reais (cerca de um milhão de euros). O caso refere-se a uma empresa fantasma criada por Pelaes para receber fraudulentamente fundos do ministério do Turismo e não tem qualquer relação com a Lava Jato.

Mas para muitos analistas, a investigação criminal aliada ao seu perfil ultra-conservador, numa altura que o Brasil continua em choque devido à violação coletiva de uma menor, poderão levar Michel Temer a não lhe dar posse.

Na lista das possíveis demissões, surge ainda Fábio Osório, o Advogado-Geral da União que é alvo de uma “guerra surda” na imprensa desde o final da semana passada. Michel Temer não estará muito contente com ele pois a demissão forçada do presidente da Empresa Brasileira de Comunicação, que gere os média públicos, foi anulada pelo Supremo Tribunal. Há também o caso de Fábio Monteiro ter exigido transporte num avião da Força Aérea Brasileira, invocando que o seu cargo é equiparado a ministro.

Certo é que no sábado, “O Globo” dava como certo que Temer o ia demitir. Mas, manifestações públicas de apoio durante o fim de semana por parte de polícias, advogados e procuradores poderão servir para Temer não o afastar de imediato.