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PS admite nacionalizar Novo Banco

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Novo Banco superou o teste de esforço conduzido pelo BCE no cenário mais provável

José Carlos Carvalho

Um dia depois de o PCP ter pedido a nacionalização do Novo Banco em vez da entrega aos “megabancos europeus”, João Galamba admite esta hipótese em entrevista à TSF

João Galamba, vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Socialista, afirma que caso não surja uma “oferta razoável” para a venda do Novo Banco, está em aberto a possibilidade deste ser nacionalizado, mantendo-se sob o controlo do Estado.

“Se não houver nenhuma oferta que proteja os contribuintes, que dê viabilidade ao banco, se calhar o melhor é mesmo o banco ficar na esfera pública”, defende Galamba, em declarações à TSF.

Para os socialistas, nenhuma hipótese está descartada, sendo que o mais importante é perceber se há ou não viabilidade para a venda do Novo Banco. “Neste momento, uma venda de qualquer valor terá sempre um impacto positivo no défice e na dívida”, defende. Mas várias questões permanecem. "Teria o Estado vantagem em ter o Novo Banco quando já tem a Caixa? Tem o Estado condições financeiras para ser um acionista capaz de dois bancos?", questiona Galamba.

Apesar de admitir a hipótese de nacionalização, o deputado socialista reitera que a intenção do seu partido é concretizar a venda do banco, uma solução que considera melhor para os contribuintes portugueses, já que poderão “recuperar uma parte do dinheiro que emprestaram ao fundo de resolução”.

João Galamba defende que esta é uma questão fundamental e pede seriedade no debate. "Não podemos partir do pressuposto de que é necessariamente melhor vender por definição, seja qual for o preço, ou ficar com ele na esfera pública porque sim. Não podemos ter este debate apenas com chavões".

As declarações do deputado do PS surgem depois de, no recente debate sobre o Orçamento do Estado para 2016, o PCP ter anunciado que vai levar ao Parlamento uma proposta de nacionalização do Novo Banco. Esta proposta é bem recebida junto do grupo parlamentar do BE, bem como em alguns sectores do PS.

“Se outros partidos como o PCP ou o BE entendem que o banco deve estar na esfera pública, é possível ter um debate sobre isso”, defende João Galamba, apelando a que não haja maniqueísmos no discurso dos restantes partidos à esquerda. “O debate não deve estar centrado no ‘é vender’ ou ‘é nacionalizar’.”