20 de abril de 2014 às 19:02
Página Inicial  ⁄  Atualidade / Arquivo   ⁄  Farmácias "de luto"

Farmácias "de luto"

Farmacêuticos protestam hoje contra as políticas do Governo para o sector, que podem levar ao encerramento de 600 farmácias.
Lusa

As farmácias portuguesas foram chamadas a "pôr luto" e explicar aos utentes as razões que podem levar ao encerramento de 600 unidades, numa ação hoje iniciada que inclui uma petição ao Governo para alterar as políticas do sector.

O vice-presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), Paulo Duarte, explicou hoje à agência Lusa que a iniciativa envolve estudantes de farmácia, jovens farmacêuticos, sindicatos do sector e a ANF e pretende "explicar junto da população as dificuldades que atualmente as farmácias vivem e alertar para o risco de 600 farmácias puderem encerrar durante 2013".

A situação atual "deve-se a alterações na política do medicamento e à penalização das farmácias, não só pela degradação do preço dos medicamentos como pela degradação da sua margem", um caminho que Paulo Duarte diz "não ter sido avaliado previamente".

Por isso, "irá iniciar-se uma petição ao Governo para que tome medidas e impeça que estas 600 farmácias tenham de fechar em 2013", avançou o responsável.

A ação de sensibilização foi decidida na assembleia geral da ANF, dia 15 de setembro e na quarta-feira as farmácias foram chamadas a participar, o que Paulo Duarte espera venha a acontecer por todo o país.

Cada farmácia vai adaptar o espaço de acordo com as suas características, escolherá um elemento negro para simbolizar "o luto", como faixas ou "um laço preto, simples, de tecido que os farmacêuticos terão na sua bata", e utilizará material informativo para as explicações sobre as dificuldades enfrentadas, relatou o vice-presidente da ANF.

Alguns dos documentos referem-se à situação das farmácias na Grécia, que têm falta de medicamentos para dispensar aos utentes, acrescentou.

Os profissionais pretendem informar acerca dos resultados de avaliações e estudos realizados sobre o setor a demonstrar que as farmácias estão a funcionar já com uma margem negativa, ou seja, "sempre que dispensam um medicamento, o que recebem não é suficiente para suportar os seus custos".

Por isso, "se nada for feito o risco é que um número significativo de farmácias, cerca de 600, possa vir a encerrar", afirmou Paulo Duarte, apontando o impacto a nível de emprego, pois "há cerca de 100 mil famílias que dependem direta e indiretamente das farmácias".

Segundo dados da ANF, Portugal tem cerca de 2.900 farmácias.

 

Comentários 20 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
E as chapelarias? E os videoclubes?
No final dos anos 50, deixou-se de usar chapéu regularmente.
No princípio deste século, a internet e a TV por cabo arruinaram os video-clubes. Temos pena, mas é a lei do negócio. Se esse negócio não tivesse sido protegido durante anos e anos, porventura não haveriam tantas farmácias. O mercado vai acabar por fazer uma limpeza natural e funcionar como deveria ter funcionado há muitos anos.
Re: E as chapelarias? E os videoclubes? Ver comentário
Re: E as chapelarias? E os videoclubes? Ver comentário
Ventos de míngua.
As farmácias, desde sempre se habituaram a ganhar rios de dinheiro. Obter um "alvará" para farmácia era coisa muito difícil porque os interesses eram muito elevados. Tal como obter licença para um posto de gasolina. São negócios muito rentáveis. Ou eram! O governo parece ter acabado com os lucros milionários e agora os ricos viraram pobres. O número de farmácias também aumentou exponencialmente, o que contribui para a diminuição dos lucros. Agora o negócio só está bom para os laboratórios que exportam para África. Até medicamentos fora de prazo. É um maná!
Os negócios do Cordeiro! Ver comentário
Re: Ventos de míngua. Ver comentário
Re: Ventos de míngua. Ver comentário
Ricos os farmaceuticos
tem sido herdeiros do orçamento!
Re: Farmácias "de luto"
Coitadinhos! Baixem mas é o preço dos medicamentos... Farmacêuticas e farmácias sempre fizerem rios de dinheiro, agora vem pedir favores e compreensão a quem lhes dá dinheiro?
O que muita gente não sabe é que na Suecia as
farmácias peretencem ao Estado....Em Portugal as farmácias esavam habituadas a grandes lucros e agora a coisa piorou....
!
Mas há alguma coisa que neste pobre País não esteja de luto? Depois de tantos anos de "socialismo", de desgovernação, de empresas públicas e semi-públicas, do Estado a gastar 50% do PIB, de negociatas e de apoios duvidoos a certos sectores de actividade para proteger amigo e afilhados? Mal por mal que funcione a lei do mercado.
ANF
A relação da ANF como credor do Estado como usurário e a dependência em que colocou as farmácias dos seus sistemas informáticos e de revenda é um case-study.
Costa Freire que lá é administrador e o senhor dono da Cordoaria Nacional urdiram bem esta dependência que também passava pela comercialização e oferta de genéricos made in...
Se somarmos a alteração dos preços e das regras de contabilidade, percebe-se a dificuldade.
A ANF construiu um enorme património inatacável, muito à custa de juros faraónicos pagos pelos contratos leoninos do Estado com prejuízo do contribuinte, as farmácias vão ter que continuar a lutar pela vida...Ainda por cima com o perigo de serem tomadas pelas multinacionais tipo "Remax" do comércio do medicamento. Mais globalização, menos Portugal!
Quem se lixa é o mexilhão...
Grande lata
Acabou a mama para todos... Ou estes queriam ficar de fora depois do mal que fizeram ao País? Devem ser mais uns que vêm defender o interesse público para ganhar rios de dinheiro. Descarados.
...
"alertar para o risco de 600 farmácias PUDEREM encerrar durante 2013".

A sério, Sr. Jornalista?

É um grande negócio em África
Em África os medicamentos é um grande negócio, as bancas dos "Dumbanengues" estão cheias de milhares de comprimidos espalhados, expostos ao sol, à chuva, às moscas, aos mosquitos e a toda porcaria à volta. Nem se sabe qual é o nome do medicamento, pois todos os comprimidos não têm embalagens. Qualquer comprimido cura qualquer doença. É a magia africana...
Elevar o nível do debate.
O sector das Farmácias em Portugal é um sector por razões profissionais conheço bem.

Referirei que a maioria dos comentários sobre o assunto até agora são medíocres são de pessoas em que se manifesta algum grau de ressabiamento e e inveja não revelando o mínimo de objetividade e são estereotipados

Quando comparado com sector das Farmacias a nível Europeu, as Farmácias Portuguesas trabalham com margens mais baixas e prestam um bom serviço às Populações.

A margem bruta das Farmácias em Portugal é de 20% (26% com descontos financeiros e contributo de outros segmentos) . Quem tiver curiosidade em saber ou investir em Farmácias consulte o Relatório de Contas do Grupo Celésio cotada na bolsa de Frankfurt e que possui cerca de 2300 em mercados mais liberalizados e que trabalham com margens brutas da ordem dos 33%

Em muitas freguesias do interior de Portugal a Farmácia é o único local de contado das populações com um profissional de saúde.

Como economista enos casos que acompanhei direi que as Farmácias em Portugal germ em geral uma margem operacional negativa no momento, sendo o actual modelo insustentável
Re: Elevar o nível do debate. Ver comentário
Re: Elevar o nível do debate. Ver comentário
Re: Elevar o nível do debate. Ver comentário
Re: Elevar o nível do debate. Ver comentário
PUBLICIDADE
Expresso nas Redes
Pub