25/05/2012 atualizado às 14:01
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Caixa Geral de Depósitos

Faria de Oliveira é uma escolha que permitirá à CGD enfrentar os desafios futuros

Teixeira dos Santos acredita que Faria de Oliveira é a escolha mais lógica e refuta que a decisão tenha sido tomada com base em critérios partidários.

12:36 Sábado, 29 de dezembro de 2007
Faria de Oliveira, aqui em imagem de arquivo, troca Madrid por Lisboa
Faria de Oliveira, aqui em imagem de arquivo, troca Madrid por Lisboa
Luiz Carvalho

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, anunciou hoje que Faria de Oliveira será o futuro presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), substituindo no cargo Carlos Santos Ferreira, que deverá assumir a presidência do BCP.

"É uma escolha que permite à CGD enfrentar os desafios futuros num mercado financeiro cada vez mais competitivo, que exige inovação e visão estratégica", afirmou Teixeira dos Santos.

Numa conferência de imprensa realizada no Salão Nobre do Governo Civil do Porto, o ministro das Finanças revelou ter feito o convite quinta-feira, salientando ter sido imediatamente aceite.

Teixeira dos Santos revelou ainda ter também convidado Francisco Bandeira, actual administrador da CGD, para o cargo de vice-presidente da instituição.

Na intervenção inicial que proferiu, o ministro das Finanças recordou que os convites foram feitos na sequência da demissão de Carlos Santos Ferreira e negou qualquer influência político-partidária na sua escolha, numa alusão ao facto de Faria de Oliveira estar ligado ao PSD.

"(As escolhas) têm que assentar numa avaliação do currículo profissional, que deve dar provas manifestas de competência e idoneidade para exercer o cargo. É nessa base que tomo as minhas decisões", afirmou.

Nesse sentido, considerou que "seria uma injustiça para Faria de Oliveira dar a entender que a sua escolha teria sido feita apenas com base num critério partidário".

"Faria de Oliveira tem um currículo profissional que fala por si, com uma vasta experiência em gestão. É uma pessoa com provas dadas na gestão e administração de empresas", frisou.

O ministro das Finanças salientou ainda que a escolha representa uma "solução de continuidade", já que Faria de Oliveira é actualmente presidente da CGD em Espanha e é "um homem que conhece bem a instituição".

Perfil

Ex-ministro social-democrata dos governos de Aníbal Cavaco Silva, Fernando Faria de Oliveira troca a liderança da Caixa Geral de Depósitos em Espanha pela presidência do grupo, em Lisboa.

Desde Outubro de 1974 militante do Partido Social-Democrata, ocupou diversos cargos de topo no partido, no Conselho Nacional (1986-1990 e 1992-1995), depois na Comissão Política Nacional (1990-1992 e 1995-1996) e vice-presidente, até 1996, quando passa a dedicar-se à gestão de organismos e empresas públicas e privadas, cargos que até aí assumia de forma pontual.

O ponto alto da sua carreira política dá-se entre 1990 e 1995, enquanto ministro do Comércio e do Turismo dos XI e XII governos, de Cavaco Silva, hoje Presidente da República.

Da passagem por esta pasta, ficou um novo plano estratégico de internacionalização das empresas portuguesas, além de diversas iniciativas no âmbito do turismo, como a conhecida campanha de imagem "Vá Para Fora Cá Dentro" e a criação de diversas pousadas em monumentos históricos pela ENATUR.

Num dos maiores "picos" do investimento directo estrangeiro em Portugal - 13 mil milhões de dólares em cinco anos - Faria de Oliveira foi ainda responsável pela negociação de diversos contratos, nomeadamente os da Autoeuropa, com a Ford e Volkswagen, da Texas Instruments ou da General Motors, e ainda da Ronda do Uruguai sobre o comércio mundial.

Antes de assumir funções ministeriais, já tinha sido secretário de Estado para a Exportação (1981 a 1983), e para as Finanças (1988 a 1989 e de 1989 a 1990).

Fernando Manuel Barbosa Faria de Oliveira é Formado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico (1965). Natural de Lisboa (10 de Outubro de 1941), hoje com 66 anos, é casado e tem três filhos.

Da sua longa carreira empresarial destacam-se as passagens pela administração da TAP - Air Portugal, Hospitais Privados de Portugal (HPP), Celulose da Beira Industrial.

Iniciou a sua carreira na Sorefame (antiga Bombardier da Amadora), onde esteve de 1965 até 1980, estando ligado a projectos de aplicação de novas tecnologias e promoção das exportações.

Na banca, foi administrador do Banco de Fomento Exterior de 1990 e 1993, mas devido às funções governativas foi obrigado a suspender o seu mandato logo no início.

Desde 2005 preside ao Banco Simeón, com a ambiciosa missão de expandir esta filial da Caixa Geral de Depósitos em Espanha através da abertura de balcões.

De relevo ainda a passagem pela "holding" pública IPE - Investimentos e Participações Empresariais, onde esteve entre 1983 e 2002, entrando como vice-presidente e saindo como administrador-executivo.

Passou ainda pela Agência Portuguesa de Apoio ao Desenvolvimento e Icep, onde foi administrador entre 1986 e 1988.

É conhecido como sóbrio e profissional, mas aqueles que com ele conviveram a nível profissional também lhe apontam uma tendência para a circunspecção.

"O desejo de estar bem com gregos e troianos começou a manifestar-se muito cedo. Colegas lembram que, nas turmas do [Liceu] Camões, Faria de Oliveira conseguia o impossível: dava-se com toda a gente. Tal como o relógio suíço, dizem os seus detractores, Faria de Oliveira não adianta nem atrasa. Antes, `empata´", refere perfil publicado pelo jornal Expresso em 1994.

Pinto Balsemão, que o lançou em funções governativas em 1981, afirmava ao mesmo semanário que Faria de Oliveira "se apaga demasiado", tendo a seu favor "sensibilidade política e rigor moral".

Em 1995, teve destaque na imprensa uma desavença com Mira Amaral, então ministro da Indústria e mais tarde seu antecessor como presidente da Caixa Geral de Depósitos.

Segundo relatava em Janeiro desse ano o semanário Independente, Mira Amaral sentiu-se excluído do processo de negociação da continuidade da fábrica da multinacional francesa Renault em Portugal, tendo escrito ao então presidente da Associação de Fabricantes da Indústria Automóvel, Ruy Moreira, a demarcar-se do assunto e remeter toda a responsabilidade para Faria de Oliveira. 

Lusa
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A União Nacional
libertino (seguir utilizador), 1 ponto , 18:30 | Sábado, 29 de dezembro de 2007
Para que não saiba, ou se tenha esquecido, a União Nacional era o partido único do tempo do Sr. Dr. Oliveira Salazar. Com Macelo Caetano passou a ser Acção Nacional Popular. E porquê relembrar estes factos num comentário a este artigo, que nem sequer é, directamente, político, mas se refere a essas questões da finança.
Ah! mas aí também há política, luta pelo poder (seja para o manter, conquistar ou manipular). Os centros de decisão financeiros, por vezes, dizem mais respeito ao destino da polis do que o centro de decisão governativo.
E numa era de domínio, quase hegemónico, do nosso partido socialista, nacional, nomeia-se para a CGD um homem da área popular democrática, também conhecida por social-democrata (é curioso como o poder está divido entre uma formação política que se afirma do socialismo democrático e outra qque se afirma social-democrática).
O entendimento tão estreito, neste e noutros domínios, faz questionar se não vivemos tempos de uma nova união nacional? Os ideológos pululam por aí! E onde está o «principe»?
 
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