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Fama e drogas na última incursão de Houston no cinema

"Sparkle", a história de três irmãs que enfrentam dificuldades na carreira e problemas de toxicodependência, foi o último filme protagonizado por Whitney Houston. O corpo da atriz e cantora pop segue hoje de avião para o Estado de Nova Jersey onde irá decorrer o funeral

 

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)agências
17:38 Segunda feira, 13 de fevereiro de 2012

Whitney Houston canta e faz de Emma em "Sparkle", filme sobre a fama e o consumo de drogas cuja estreia mundial está agendada para meados deste ano. Foi a última atuação, no cinema, da cantora e atriz, encontrada morta aos 48 anos no passado sábado, na casa de banho de um hotel em Beveryl Hills. A causa da morte ainda não foi totalmente esclarecida, embora haja suspeita de afogamento. 

Uma das hipóteses é a de Houston ter adormecido na banheira, e, na autópsia, encontrou-se água nos pulmões, mas foi indicio suficiente para se retirar quais conclusões. Para a família da artista, o que a matou foi uma mistura de álcool, Xanax e outros medicamentos prescritos por médicos para o controlo da ansiedade e da depressão.

Sucesso também no cinema


"Sparlke", filme da Sony co-produzido recentemente por Whitney Houston, é uma nova versão de um outro de 1976, inspirado na história do grupo de sou norte-americano, The Supremes, formado por três cantoras nos anos 50, no bairro nova-iorquino de Harlem, uma das quais acabou por morrer depois de enfrentar problemas derivados da fama e do consumo de drogas.

Em "Sparkle", além de fazer o papel de Emma, mãe das cantoras, Whitney Houston - que adquiriu os direitos para o remake há 12 anos - canta o clássico de gospel "Eyes on the Sparrow" e faz um dueto com a protagonista Jordin Sparks, com quem canta "Celebrate".

Recorde-se que Winstney Houston fez muito sucesso nos anos 80 e 90, mas nos últimos anos saíra da ribalta devido à toxicodependência. A artista enfrentou, também, um casamento conturbado, entre 1993 e 2007, com o cantor Bobby Brown, acusado muitas vezes de ser ciumento e violento. O casal teve uma filha, Bobbi Kristina, de 18 anos.

Esta não foi a sua primeira incursão no cinema. O sucesso como cantora e as suas qualidades como atriz levaram-na a atuar em filmes como "Bodyguard" (1992), de Mick Jackson, que protagonizou, com muito sucesso, ao lado de Kevin Costner, e "Waiting for Exhale" (1995), de Forest Brown.

200 milhões de discos


Entretanto, a ícone da pop poderá em breve ultrapassar a cantora norte-americana Lana Del Rey, que no passado fim de semana manteve o top das vendas de álbuns no Reino Unido.

De acordo com a Official Charts Company, a morte de Whitney Houston deverá assegurar aos álbuns da cantora a liderança no ranking, tal como aconteceu com Michael Jackson e Amy Winehouse.

Nem as drogas e álcool impediram Whitney de vender cerca de 200 milhões de discos, dos quais 55 milhões somente nos EUA.  A cantora de "I Will Always Love You" gravou  sete álbuns e três bandas-sonoras, incluindo a do filme "Bodyguard". Nessa banda-sonora figuraram os êxitos "I Will Always Love You" ou "I'm Every Woman".



A rapariga de ouro


Celebrada como a "Rapariga de Ouro" da indústria fonográfica entre as décadas de 80 e 90, Whitney Houston começou a fazer sucesso ainda criança, quando cantava música gospel em igrejas protestantes.

Filha da cantora de gospel Cissy Houston, prima da diva dos anos 60 Dione Warwick e afilhada de Aretha Franklin, durante a adolescência já fazia "backing vocals" para Chaka Khan e Jermaine Jackson, entre outros, ao mesmo tempo que trabalhava como modelo. Nessa altura, foi "descoberta" pelo magnata da música Clive Davis, que ficou impressionado com a sua voz poderosa ao ouvir Houston a cantar num concerto junto com a sua mãe. "Provocou-me arrepios na espinha", confessou o produtor durante o programa "Good Morning America".

Seis Grammys



A artista  gravou o seu primeiro álbum, "Whitney Houston", em 1985. Foram vendidas milhões de cópias. A suas músicas logo se tornaram um sucesso. "Saving All My Love for You" rendeu-lhe o primeiro Grammy (recebeu seis, ao longo da carreira de melhor vocalista pop). No álbum "Whitney", de 1987, seguiu os mesmos passos, arrancando o segundo Grammy por "I Wanna Dance With Somebody (Who Loves Me)".

Em 1993, recebeu três prémios: melhor performance vocal pop feminina e gravação do ano por "I Will Always Love You" e álbum do ano com a banda-sonora do filme "Bodyguard". Em 1999, foi distinguida como melhor performance feminina de R&B (Rhythm and blues) por "It's Not Right But It's Okay".

No sábado, a cantora foi encontrada morta pela cabelereira e pelos seguranças, que estranharam a sua demora na casa de banho e arrombaram a porta. O seu corpo estava submerso na banheira. Whitney participaria da festa de entrega do Grammy. Uma equipa paramédica tentou ressuscitá-la sem sucesso, e às 15h55 (hora local, 23h55 em Lisboa), foi considerada morta.

Segundo a imprensa norte-americana, na passada quinta-feira Whitney foi à discoteca "Tru" com o ex-namorado Ray J, de onde saiu, segundo testemunhas, num estado "lastimável". Um vídeo amador, a circular na Internet, mostra imagens da cantora supostamente nessa festa pré-Grammy.

Horas antes de morrer, Whitney falou com a sua mãe e com a prima Dionne Warwick. Ambas disseram que não notaram nada de diferente na cantora e que a sua voz estava "normal".

Carreira trágica


A dada altura, Whitney tornou-se dependente de drogas e as vendas dos seus álbuns caíram draticamente. A sua imagem ficou abalada também por histórias de violência doméstica, de que foi protagonista durante o seu casamento com Bobby Brown. A sua voz foi sendo afetada, e ela já não conseguia atingir as altas notas que a fizeram famosa. 

Confessou a sua dependência de medicamentos, de cocaína e cannabis. "O grande mal sou eu. Não sou nem a minha melhor amiga nem a minha pior inimiga", diria numa entrevista televisiva em 2002.

No final de 2009 e início de 2010, após anos de luta contra a toxicodependência, ensaiou um fracassado regresso aos palcos. Na primeira parte da sua digressão britânica, mostrou-se ofegante ao cantar. Em Paris, chegou a ser hospitalizada com uma infeção respiratória, tendo adiado os concertos agendados. Na Austrália, foi alvo de apupos por parte dos fãs e "arrasada" pela crítica especializada.

 






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