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Falou-me furioso!

Dois amigos falam a propósito das greves nos Estados Unidos e em Portugal.

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Estação do Rossio (anos 40)
Estação do Rossio (anos 40) / Arquivo Municipal de Lisboa - Fundo: Manuel Tavares

Pequeno excerto da rubrica "Crónica da Cidade" escrita, em 20.09.1943, pelo repórter A da revista "A Esfera" - revista portuguesa de actualidades internacionais:

"O Rossio continua a ser o cartaz buliçoso desta capital. Ali se vê de tudo, tudo ali passa, tudo ali se agita, tudo palpita no Rossio.

Encontrei lá, há pouco tempo, o meu amigo Jerónimo. Ao tempo eu não o via! Está mais gordo e mais terrível. Falei-lhe e ele falou-me. Mas falou-me furioso. Acabava de ler no "Diário de Lisboa" (isto no dia 27 de Agosto) uma notícia com o seguinte título:

"Conflitos de trabalho nos Estados Unidos".

Era a notícia de que 4.000 empregados das Fábrica de Aviação de Johnsvillage tinham declarado greve, prejudicando assim a normal produção de guerra americana.

Dei razão ao meu amigo Jerónimo. Não há direito de fazer greve, prejudicando a normalidade de uma nação.

Mas depois do meu amigo ter falado assim e de se despedir, a correr, para ir apanhar o carro eléctrico, lembrei-me de que ele não protestou contra outros conflitos de trabalho que também prejudicavam a vida normal doutra nação - a nossa - e até achou natural o facto.

Porque seria? Estou à espera de voltar a encontrar o meu amigo Jerónimo para lhe perguntar se o que é crime num lado não o é, igualmente, noutro."

Fonte: "A Esfera", nº 75 de 20 de Setembro de 1943. Colecção particular de Tiago Miranda Neiva

O repórter deve-se estar a referir à vaga grevista que em Julho e Agosto de 1943 alastrou em Portugal, nomeadamente, as greves rurais realizadas no Ribatejo e arredores de Lisboa onde se registaram, face à escassez de géneros, diversos "tumultos" e ao movimento grevista operário, que atingiu Almada, Lisboa, Seixal, Barreiro, Amora, etc. A dimensão foi tal que o Governo decidiu fechar as fábricas. Realizaram-se manifestações e, na sequência de confrontos com as forças policiais, foram efectuadas várias prisões. A 5 de Agosto a vaga grevista (cerca de 50.000 grevistas) é dada como terminada.

Na conjuntura destas greves "é criada a Intendência-Geral de Abastecimentos, tutelando a burocracia encarregue do circuito de bens essenciais, da produção ao consumo. "Longe de clarificar e simplificar os processos, a Intendência-Geral de Abastecimentos (...) viria agravar demoras, confusões e duplicações numa conjuntura alimentar já de si muito grave." (ROSAS, Fernando, O Estado Novo (1926-1974), sétimo volume, José Mattoso (dir) História de Portugal).

Fonte: Fundação Mário Soares

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