21 de abril de 2014 às 1:39
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Experiência ao serviço de África

Dez ex-governantes, políticos, economistas e ativistas dão a cara pelo Africa Progress Panel, uma organização atenta à atualidade política, económica, ambiental e social de África. A propósito das eleições em Angola, o APP produziu este retrato.
Cristina Peres (www.expresso.pt)

"Em todo o mundo, vemos como as populações reclamam por fazer ouvir a sua voz sobre o modo como são governados e por quem. África não é exceção. Espero que estas eleições em Angola deem uma oportunidade significativa aos angolanos para votarem de forma livre e justa", disse o ex-secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan.



Annan é o presidente do Africa Progress Panel  (APP) que reúne dez figuras globalmente proeminentes com o objetivo encorajar o crescimento em África, identificando as oportunidades e as ameaças ao desenvolvimento do continente. A APP produz informação credível para utilização de "toda a gente", leia-se, de governos, institutos políticos, organizações não-governamentais ou associações da sociedade civil. Os relatórios produzidos pela APP centram-se em temas determinantes que permitem sublinhar a responsabilidade partilhada entre os líderes africanos e os seus parceiros internacionais no desenvolvimento sustentável.


Atento à atualidade política, económica, ambiental e social na região, o APP produziu um documento sobre Angola a propósito das eleições legislativas que decorrem naquele país em 31 de agosto e que determinam que o Presidente será o cabeça de lista do partido mais votado.


Peter Eigen é um dos membros da APP e foi fundador da organização não-governamental que é responsável pela publicação anual da avaliação mais credível do mundo sobre corrupção ao nível dos Estados - a Transparência Internacional. Eigen refere, a propósito do escrutínio angolano, a importância do investimento em África: "A boa governança dos negócios é essencial para o crescimento económico e para a criação de emprego em África. Angola e África em geral, necessita de investimento interno e externo de boa qualidade para poder entrar em áreas de produção de valor acrescentado, para poder diversificar a sua economia e criar empregos. Em nenhuma outra parte isto é tão importante como na área dos recursos naturais onde a boa governança significa fazer mexer o capital implicado convertendo-o em estruturas físicas e capital humano".


A propósito de Angola ser o segundo maior produtor de petróleo da África subsariana, a seguir à Nigéria, Eigen lembra: "Um número crescente de países africanos ricos em recursos procura fortalecer efetivamente a gestão dos recursos naturais através de instrumentos como a Iniciativa para a Transparência das Indústrias Extrativas (Extractive Industries Transparency Initiative), Lei para os Recursos Naturais (Natural Resources Charter), Banco para o Desenvolvimento Africano (African Development Bank), melhoria dos acordos da indústria extrativa, a Instituição Africana de Apoio Legal (African Legal Support Facility) e o Centro de Desenvolvimento Mineral da União Africana/ECA."


Peter Eigen insiste que é importante que "um ambiente bem desenhado e com capacidade negocial para as operações da indústria extrativa, incluindo retornos efetivamente utilizados provenientes destas operações" poderia "acabar com algumas das desigualdades e injustiças  gritantes de África em geral e de Angola em particular. Poderiam garantir que a prosperidade fosse partilhada por todos os cidadãos"

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Experiência ao serviço de África (I)
Até nas Ditaduras, o caudilho, passada a fase da "pacificação" das hostes e a recuperação da credibilidade externa, deve perceber que a sua saída de cena e entrada de alguém mais novo da sua confiança, poderá dar um novo impulso económico, abrindo o País a novos mercados e novas fronteiras.
Salazar, nunca foi capaz disso e apenas via o óbvio. Faltava-lhe visão. Algo que Churchill tinha de sobra, apesar de ser um quase alcoólico. Talvez até por isso "via melhor"!
Após a 2.ª Guerra Mundial, Salazar devia ter tido a capacidade de prever que o nosso futuro ia ser algo diferente do que tinha sido até aí. A Guerra na qual não tínhamos entrado, deixara no entanto marcas profundas nas relações coloniais entre os Estados, em especial na Ásia e África.
Saindo de cena de forma discreta nessa altura, deixava um sucessor que não seria ainda Adriano Moreira, era muito novo, mas alguém mais novo ainda que do regime, o qual poria em marcha uma política ultramarina assente no aumento do potencial produtivo das colónias, com o recrutamento maciço de quadros qualificados na metrópole.
Mas não, Salazar segregou até à última hora do seu governo, qualquer coisa que desse ao Ultramar a oportunidade de "sair da casca", de se tornar um 2.º Brasil, não querendo ficar refém de um hipotético "D. Pedro, o Ultramarino".
Chegados ao 25 de Abril, cansados de uma guerra colonial interminável, acabamos por ficar sem as nossas jóias da República, da forma mais desastrada possível.
(cont.)
Experiência ao serviço de África (II) Ver comentário
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...
Que Angola é um país de desigualdades e com extremas necessidades de gerar melhores condições de vida à sua população, parece-me de "La Palisse".

Não vi nenhuma grande novidade dada por estas mentes brilhantes... As medidas que apontam não passam de necessidades óbvias e lógicas. O problema, e para esse sim, convinha que apontassem respostas, é como colocá-las em prática de forma célere e eficiente, quando em causa estão países com uma curta e pouco sólida história de independência e democracia.

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