Para encontrar Hugo Monteiro é preciso fazer uma viagem de 14 horas e apanhar três aviões até à província de Henam, no Sul da China.
Acidental ou convenientemente, o primo de Sócrates saiu de Portugal em Janeiro deste ano, a tempo de evitar as buscas à empresa do pai e as perguntas da Polícia Judiciária sobre o email que enviou a Charles Smith.
À excepção de uma curta declaração ao correspondente da Lusa na China, nunca respondeu aos contactos que o Expresso e perto de 20 jornalistas fizeram. Até há um mês. Aceitou dar uma entrevista sem quaisquer condições. Faltava o mais difícil: um visto que por vezes demora mais de um mês a conseguir.
Na Embaixada da China quiseram saber com quem íamos falar, onde e porquê. Por escrito.
A escola de Kung Fu onde Hugo treina foi contactada, confirmou o pedido de entrevista e o visto ficou pronto em pouco mais de uma semana. Nunca souberam que o praticante português de Kung Fu é, na verdade, o primo do primeiro-ministro português.
Ao longo de três dias que passámos com ele em Deng Feng, a cidade do templo sagrado Shaolin, Hugo Monteiro mostrou-se sincero, não fugiu de nenhuma pergunta nem mostrou qualquer tipo de incómodo ou irritação.
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