Exame nacional, suspeitas de trafulhice, grande escândalo e... aconteceu em França
Alunos realizando o Bac em 2010
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Onde já ouvimos isto? Num exame escolar ministrado a gente com idade para ter juízo, descobre-se que poderá ter havido trafulhice. Os examinandos eram adultos (ou quase), a prova tinha certa importância, o exame era nacional. Na impossibilidade de identificar rapidamente os eventuais infratores, anula-se a prova. Muita gente protesta.
Uma diferença da situação agora em causa relativamente à que aconteceu em Portugal: no tal exercício problemático, ninguém levou nota. Pura e simplesmente, anulou-se o exercício. Para compensar, subiu-se a cotação de outros que contribuem para o apuramento do resultado do exame.
O caso teve lugar em França, esta semana. O exame era o Bac - diminutivo de bacharelato - realizado no fim do liceu e vital para entrar na faculdade. Instituído por Napoleão há mais de 200 anos, o Bac é uma instituição nacional tão importante como contestada.
Um internauta que assina Chaldeen e diz considerar inútil o exame, embora o tenha feito na devida altura, abriu um fórum num site de jogos e publicou lá uma das quatro exercícios que constituem o enunciado da variante S (ciências). Tema do exercício: probabilidades. A foto do enunciado era deficiente, mas legível. Chaldeen disse tê-la obtido na tipografia.
165 mil alunos afetados
Despoletado o escândalo, o ministro francês da Educação Luc Chatel anulou a prova e anunciou ter apresentado queixa-crime. Entretanto, dois dos outros três exercícios do exame tiveram a cotação aumentada. Tudo isto afeta cerca de 165 mil alunos, cerca de um quarto do total que passam pelo Bac este ano.
Se o internauta foi apanhado, incorre numa pena de 9000 euros e até três anos de cadeia. Quem não gostou nada foram os alunos cumpridores, que veem posta em risco a sua entrada na faculdade. Tal como na aldrabice ocorrida há pouco entre nós, as consequências vão ser pagas por quem não teve culpa.
Chaldeen sugeriu questões de princípio. Mas, como uma vez mais se provou, não é bonito recorrer a truques para ser juiz em causa alheia.


O diploma cobiçado
