25 de abril de 2014 às 2:49
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Ex-diretor da Antena 1 chama a si decisão de acabar programa

Numa declaração aos microfones da Antena 1, João Barreiros garantiu que a administração da RTP e da RDP "não tem qualquer intervenção nas direções de conteúdos".
Lusa

O ex-diretor de Informação da Antena 1, João Barreiros, afirmou hoje que o fim da rubrica 'Este tempo' foi decidido por si "num ato de gestão normal e não motivado por pressões internas ou externas".

Numa declaração aos microfones da Antena 1 durante o noticiário das 12h, João Barreiros garantiu ainda que a administração da RTP e da RDP "não tem qualquer intervenção nas direções de conteúdos". "E afirmo, porque é verdade, que o diretor-geral [de Conteúdos da RTP, Luís Marinho] nunca me deu qualquer instrução para acabar com a rubrica 'Este Tempo' por causa da crónica de Pedro Rosa Mendes", acrescentou.

João Barreiros garantiu que a decisão de terminar a rubrica "estava tomada antes da emissão da crónica de Pedro Rosa Mendes" e que "há vários testemunhos disso mesmo". "Pela convicção de que a rubrica não podia continuar como estava não foi proposta nenhuma renovação de contrato. Os documentos referentes a essa renovação estavam prontos a 30 de dezembro, três semanas antes da referida emissão e nunca seguiram para o correio pelas fortes dúvidas que a continuidade de 'Este tempo' me mereciam", explicou.

Sem favores da redação


O ex-diretor de Informação sublinhou que "a redação do serviço público não faz favores e a sua direção de informação também não". "Nenhuma redação e nenhuma direção de Informação são tão escrutinadas como a do serviço público, através da Assembleia da República, do Conselho de Opinião, do Provedor do Ouvinte e, não menos importante de todas estas, pelo nosso auditório. Temos uma redação livre", afirmou João Barreiros.

"O ruído sobre este caso e o aproveitamento que ele tem tido tornam, no entanto, insustentável o prosseguimento de um trabalho sereno, sério e reconhecido, e afeta de forma grave, mas também ilegítima, a imagem de pessoas e de uma empresa que dão o melhor de si todos os dias", continuou.

O jornalista rematou concluindo que a sua demissão "permite aclarar todo este lamentável processo e dar à redação do serviço público as condições para permanecer fora de um campo de batalha para o qual foi ilegitimamente arrastada".

Demissão aceite quinta-feira


O pedido de demissão da direção de Informação da rádio pública foi aceite na quinta-feira pelo conselho de administração da RTP, depois dos "últimos acontecimentos relativos ao programa 'Este Tempo'" e de "todos os episódios que se seguiram à sua anulação", segundo uma nota da administração da RTP.

O escritor e ex-jornalista da Lusa Pedro Rosa Mendes acusou na quarta-feira da semana passada a administração da Rádio e Televisão de Portugal, que agrega a RDP, de "censura", ao acabar com o programa de opinião 'Este Tempo', transmitido na Antena 1.

Numa das suas crónicas, Pedro Rosa Mendes criticou o programa da RTP 1 "Reencontro", emitido a 16 de janeiro a partir de Luanda, e que contou com a presença, entre outros, do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, e do chefe da Casa Civil da presidência angolana, Carlos Maria Feijó.

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"O ruído sobre este caso e o aproveitamento que ele tem tido tornam, no entanto, insustentável o prosseguimento de um trabalho sereno, sério e reconhecido, e afeta de forma grave, mas também ilegítima, a imagem de pessoas e de uma empresa que dão o melhor de si todos os dias"

Acredito em si! Ou melhor, dou-lhe o beneficío da dúvida, até ao dia em que o vir nomeado para qualquer lugar apetecivel e de preferência bem pago.
Aprendi uma coisa ao longo de meio século de vida. Nesta democracia tuga, o "jagunço" só recebe o prémio muitas horas depois do serviço estar consumado.
Mandam as boas regras do caciquismo, que o rasto seja indelével e nebuloso
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