O secretário-geral do PCP
Jerónimo de Sousa afirmou-se hoje convicto, no final da marcha de protesto em Lisboa, de que a CDU vai tirar a maioria absoluta ao Governo do PS.
"Estão zangados connosco. Uns e outros só receiam a CDU. Têm razão para estar zangados. A zanga funda dos senhores do dinheiro e do primeiro-ministro não é por um excesso de adjectivação mas porque não contavam que esta força levasse por diante uma luta contra a sua política que o obrigasse a recuar e que lhe vai tirar a maioria absoluta", afirmou Jerónimo de Sousa, no comício que concluiu a marcha de protesto que reuniu cerca de 85 mil manifestantes, segundo a organização.
O dirigente comunista lançou críticas ao presidente do Conselho de Administração da Sonae SGPS, Belmiro de Azevedo, que criticou a posição dos funcionários da Autoeuropa nas negociações sobre o trabalho ao sábado, comentando a exploração dos trabalhadores "para aumentar as contas dos senhores Belmiros, esses capitalistas que chegam ao atrevimento" de defender "o trabalho de sol a sol aos sábados e domingos e a redução de salários".
Jerónimo de Sousa
salientou ainda a adesão à marcha de hoje da CDU, que disse ser "a maior acção alguma vez realizada por uma força política em Portugal".
Contra o Governo, os manifestantes empunharam cartões vermelhos, enquanto gritavam "Basta! Basta! Basta! Esta política está gasta!".
Num discurso interrompido por assobios e apupos sempre que o Governo ou o nome do primeiro-ministro, José Sócrates, era referido, Jerónimo de Sousa acusou o executivo de se desculpar com a crise internacional, mas ao fim de quatro anos de governação, o país está "mais injusto, mais desigual, mais dependente e mais endividado".
O secretário-geral da CDU responsabilizou directamente o governo de Sócrates pelos problemas que disse existirem na educação, na saúde e na justiça, pelo aumento do desemprego, pelo agravamento da carga fiscal, condenando "a injusta reforma fiscal da segurança social", a "desindustrialização do país" e o "abandono da agricultura e das pescas".
Jerónimo de Sousa pediu o reforço dos votos na CDU, nas eleições de dia 07 de Junho, para o Parlamento Europeu, assegurando que é na coligação de esquerda "que reside a força e a proposta de ruptura e de construção de um Portugal com futuro".
A CDU tem "condições de assegurar as mais elevadas responsabilidades na vida política nacional, tão mais possíveis e alcançáveis quanto mais larga for a votação", sustentou.