20 de maio de 2013 às 16:20
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EUA: Standard & Poor's corta rating e deixa aviso

Pessimista com a política em Washington, a agência de notação tomou a decisão, sem precedentes, de baixar o rating da dívida americana para AA+. E avisa que a mantém em perspetiva negativa. Ou seja: pode baixá-la para AA nos próximos 12 a 18 meses.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)

Depois da agência de notação Egan-Jones ter sido a primeira nos Estados Unidos a cortar, em julho, o rating da dívida de longo prazo norte-americana de triplo A para AA+, foi, agora, a vez da Standard & Poor's (S&P) - uma das três grandes do sector - "copiar" a decisão da pequena agência.

A decisão foi divulgada a partir de Toronto, pelas 20 h locais (madrugada na Europa), já depois de terem fechado as bolsas e o mercado secundário de títulos do Tesouro.

Na sequência desta decisão sobre a dívida norte-americana, a S&P deverá proceder na 2ª feira ao provável corte de notação de entidades ligadas ao governo americano e ao sector financeiro.

FED acalmou investidores e Buffett diz que daria AAAA


Depois do anúncio da decisão, a Reserva Federal (FED, banco central) e o regulador Federal Deposit Insurance Corp (FDIC) apressaram-se a comunicar que não será necessário o reforço de capital nas instituições financeiras que detenham títulos dos Tesouro ou outras obrigações garantidas pelo governo federal no seu balanço.

A FED garantiu, também, que a sua "janela" de liquidez para os bancos não sofrerá alterações e que não mudará a sua política de compra e venda de títulos do Tesouro. Recorde-se que a FED é hoje o principal detentor de títulos do Tesouro, com 16% do total, a que se segue a China, com 12%.

Os meios financeiros discutem, agora, se a FED procederá ao lançamento de um 3º programa de "alívio quantitativo" (quantitative easing, na designação original), face aos números medíocres do crescimento económico e a esta baixa do rating.

A reação mais estridente dentro dos Estados Unidos veio de Warren Buffet (principal investidor na agência de notação rival, a Moody's) em declarações na cadeia televisiva Fox: "Não percebi. No Omaha, os Estados Unidos continuam a ser triplo A. De facto, se houvesse uma notação de AAAA, eu a atribuiria aos EUA".

Dívida pode agravar-se em $130 mil milhões


Os olhos e ouvidos vão estar virados para a abertura dos mercados asiáticos na 2ª feira (ainda madrugada na Europa e Estados Unidos) e o efeito de "contágio" nos mercados da dívida soberana.

Nem em abril e maio de 1979, quando os Estados Unidos entraram em default temporário e seletivo, as agências de notação existentes à data haviam quebrado o tabu de mexer no rating de triplo A.

Segundo estimativas da Comissão do Orçamento do Congresso norte-americano, divulgadas na semana passada, a dívida americana agravar-se-á em 130 mil milhões de dólares ao longo de uma década por efeito de uma decisão deste tipo. Antecipando este movimento da S&P, as yields dos títulos do Tesouro no mercado secundário dispararam ontem (5 de agosto) entre 5 e 15%, como noticiámos.

Pessimismo em relação aos políticos


A razão imediata da baixa de notação deriva do facto do corte nas despesas acordado pela Casa Branca e pelo Capitólio - de 2,5 biliões dólares (2500 mil milhões) - "ter ficado aquém do que, na nossa opinião, seria necessário para estabilizar a dinâmica da dívida de médio prazo". Na realidade, a S&P apontava para a necessidade de um corte de 4 biliões de dólares (4000 mil milhões).

Contudo, a razão "mais ampla" para esta baixa de notação prende-se com o facto da confiança nas instituições políticas americanas se "ter enfraquecido (...) mais do que prevíamos". Preto no branco, diz a S&P: "ficámos mais pessimistas sobre a capacidade do Congresso e da Administração ser capaz de alavancar o acordo que fizeram esta semana no sentido de um plano de consolidação orçamental mais amplo que estabilize nos tempos mais próximos a dinâmica de dívida governamental".

Mas a agência não tomou só essa decisão sem precedentes de quebrar o tabu entre as majors do rating - colocou, também, a notação em perspetiva negativa, ou seja, nas próprias palavras da S&P, "poderemos cortar a notação para AA nos próximos dois anos" se a trajetória de dívida for superior à que prevêm. Ou seja, o aviso abrange todo o ano de campanha eleitoral presidencial de 2012.

O que poderá acontecer por três razões: os políticos no Capitólio e na Casa Branca serem incapazes de cortar a despesa como se comprometeram; das taxas de juro aumentarem (e ontem observou-se uma primeira reação do mercado secundário provocando um disparo na variação diária das yields dos títulos do Tesouro em todas as maturidades, como noticiámos ); ou novas pressões orçamentais.

Endividamento público não vai abrandar


A S&P prevê que a dívida pública líquida subirá de 74% do Produto Interno Bruto (PIB) no final de 2011 para 79% em 2015 e 85% em 2021.

Um dos pontos que dificultarão a baixa desse nível será a permanência, alvitra a agência, dos cortes de impostos aos ricos decididos por George W. Bush em 2001 e 2003. "Os Republicanos no Congresso continuam a resistir a qualquer medida que aumente as receitas, posição que julgamos que o Congresso reforçou ao aprovar esta lei [resultante do compromisso entre a Casa Branca e o Capitólio]", afirma o comunicado da agência.

Comparando os Estados Unidos com outras dívidas soberanas com notação triplo A - Alemanha, Canadá, França e Reino Unido -,apesar de piores perspectivas no Reino Unido e França até 2015, a S&P considera que nesses países a situação se inverterá, ao contrário dos EUA.

As notações das outras


As atuais notações da dívida de longo prazo norte-americana por parte de outras agências relevantes são as seguintes:

- a Egan-Jones (norte-americana), considerada uma agência-boutique independente e certeira nas suas decisões, baixara em julho para o mesmo nível de notação que a S&P, ou seja AA+;

- a Dagong (ligada à administração chinesa) baixou, esta semana, a notação de A+ para A, o nível de conforto mais baixo, um degrau acima do patamar dos BBB, em que começa a haver "algum risco de default";

- a Fitch (controlada pelo grupo francês Fimalac) manteve o triplo A, logo a seguir à aprovação do acordo no Congresso, mas tomará uma posição mais detalhada no final do mês de agosto, pois continua o processo de análise;

- a Moody's (Warren Buffet como principal investidor) manteve o triplo A, mas com perspetiva negativa, o que significa que poderá rever a decisão em próxima análise.

 

 

 

Comentários 26 Comentar
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A BANALIZAÇÃO DO CORTE DO “RATING”
A descida do rating tem estado associado a países periféricos, ou mesmo subdesenvolvidos. Tem sido dramatizada pelos media. Na Europa a crise da dívida soberana tem sido associada a estas avaliações. A medida aplicada ao rating dos Estados Unidos é revolucionária. Da parte da agência é a aplicação da fórmula do costume com a classificação correspondente. O que é interessante é a confrontação da evolução deste país, nos próximos tempos, com as previsões das agências. Será que a realidade vai confirmar as previsões das agências? Ou vai acontecer como em 2007 e 2008 quando as agências de rating davam a nota máxima (AAA) a créditos hipotecários cujo risco de incumprimento era enorme?
Re: A BANALIZAÇÃO DO CORTE DO “RATING” Ver comentário
Já era esperado
Diga-se que em abono da verdade já deveria ter havido downgrade há mais tempo se as agencias de rating não fossem todas americanas...A Moodys e A Fintch irão desclassificar a divida americana para AA+ +e uma questão de tempo...
Como disse o porta voz da S&P o plano de consolidação fiscal recentemente aprovado pelo congresso e pela administração Obama fica aquem do que seria necessário para estabilizar a dinâmica da divida publica de M/L prazo.
Ou seja seriam necessários mais cortes na despesa ou aumento de impostos ou final da isenção de impostos para grandes empresas decididas na era Bush e que ainda prevalecem por mais 2 anos.
O que ainda tem contribuindo para que os mercados mantenham confiança nos treasury bonds americanos é que em termos relativos a dinâmica da divida publica dos países da UE resgatados e que já começa a contagiar Itália e Espanha, perspectiva um cenário ainda pior do que no caso do mercado USA. Portanto os investidores continuam a preferir titulos americanos e estão em short selling dos titulos europeus...Esta mega crise está para durar e o Euro está em modo de sobrevivência...Grecia e Portugal estarão condenados a prazo a sair do euro.

A Fitch não é "americana" Ver comentário
Lenços brancos para Obama
Nas próximas eleições,vai embora.Para a próxima,escreva os seus próprios discursos.
Re: Lenços brancos para Obama Ver comentário
Alguém quer à bancarrota de Sócrates? Ver comentário
Re: Alguém quer à bancarrota de Sócrates? Ver comentário
Standard & Poor's corta rating e deixa aviso
E que aviso é esse?

Vão ao Google Translate e traduzam "Standard":

- padrão
- norma
- nível
- qualidade
- critério
- medida
- classe
- protótipo
- craveira
- modelo a seguir
- calibre padrão
- grau de conhecimentos

De seguida, traduzam "Poor":

- pobre
- ruim
- mau
- medíocre
- inferior
- miserável
- necessitado
- indigente
- insignificante
- desgraçado
- improdutivo
- estéril
- desditoso
- desprotegido

Agora, meus caros, entretenham-se a construir as diferentes possibilidades sobre o tipo de AVISO. Eu tenho algumas propostas:

- Padrão pobre corta rating e deixa aviso

- Norma ruim corta rating e deixa aviso

- Mau nível corta rating e deixa aviso

- Qualidade medíocre corta rating e deixa aviso

- Critério inferior corta rating e deixa aviso

- Medida miserável corta rating e deixa aviso

- Classe indigente corta rating e deixa aviso

- Protótipo insignificante corta rating e deixa aviso

- Craveira desgraçada corta rating e deixa aviso

- Modelo a seguir improdutivo corta rating e deixa aviso

- Calibre padrão estéril corta rating e deixa aviso

- Grau de conhecimento desditoso corta rating e deixa aviso

- Classe desprotegida corta rating e deixa aviso

- Norma estéreil corta rating e deixa aviso

- Classe pobre corta rating e deixa aviso

- Medida ruim corta rating e deixa aviso

- Modelo medíocre corta rating e deixa aviso

- Nível indigente corta rating e deixa aviso.

:-))
Última hora...
Um helicoptero da NATO caiu no Afganistão quando atacava uma casa que presumiam estar lá rebeldes. Morreram 31 ocupantes daquele país...
Re: Última hora... Ver comentário
Hellooo Satesss! Bem vindos ao escorrega , hehehe
People, vamos lá: todos a "trabalhar" para entrarem no clube da bancarrota. A Grécia lidera e isso é uma humilhação para uma super-potência como os States. hehehe
O Japão também tem esse rating e não morreu
O problema é que a economia americana não está a crescer o suficiente a juntar a um pacote recessivo dá um caos.
   
Provavelmente...
...caiu algum santo do altar
EUA...
... bem vindos à contenção orçamental. Merckel rules!!!!
É continua a descridebilização das agências
Avisam? Avisam que vão baixar?
As agências avaliam e depois notam. Podem/devem, consequentemente, darperspectiva da evolução: negativa, positiva, ... Agora avisar? Se outro qualquer País a meses do venccimento das suas dívidas apontasse, como os EUA o fizeram, para grande probabilidade de incumprimento, o que teriam feito as agências. Avisavam ou corrigiam logo? Com Portugal, com a Grécia, com a Irlanda que nunca deram conta que viessem a incumprir, as agências não descuraram em baixar desde logo as notações porque as perspectivas (no seu entender) apontavam para essa situação.Como não se chegou a verificar o incumprimento, porque é que as agências não repuseram a notação anterior? Por acaso as agências ignoram que a maior 'commodity' que os EUA têm é a emissão (exportação) de papel (dolar) a que eles, por simples aposição de um nº, avaliam/vendem esse papel a 1, 5, 10, 20, 50 ou 100 dólares? Quando (e não faltará muito) o petróleo passar a ser cotado em euros, o que acontecerá àexportação de 'papel' dos EUA? Vão vender aquelas folhinhas quantos dólares? Nem a cêntimos,...
Cumprimentos
Re: É continua a descridebilização das agências Ver comentário
Re: É continua a descridebilização das agências Ver comentário
Re: É continua a descridebilização das agências Ver comentário
Re: É continua a descridebilização das agências Ver comentário
Rating "lixo" para os políticos...
...se houvesse uma agência de rating para políticos certamente já estariam classificados como lixo. Refiro-me, especialmente, a todos aqueles que (des)governam o chamado 1º mundo. De Washington a Berlin, passando é evidente por Lisboa, não se aproveita quase nada. As turbulências do sistema financeiro e económico não são unicamente consequência de um sistema em falência mas, de for decisiva, da incapacidade da política enquadrar, dirigir e solucionar as dificuldades de uma ordem mundial capitalista de excessivo liberalismo. Não é possivel equilibrar a longo prazo um sistema em que os trabalhadores cada vez mais se endividam, em que os estados constroem a sua economia sobre empréstimos impossiveis de pagar e as grandes empresas sistemáticamente aumentam os seus lucros.

E a dificuldade fundamental é que não há solução imediata ou mediata para alterar as estruturas do edifício económico- financeiro mundial. Haverá que encontrar uma alternativa eficaz:

1 - Equilíbrio na repartição da riqueza mundial
2 - Empenhamento desinteressado dos dirigentes políticos
3 - Realismo e responsabilidade dos cidadãos no consumo
4 - Moral e ética no comportamento social

Acho que estou a sonhar...

Caminhamos para um Grande Crash
A verdade é que a real situação económica das economias mais avançadas , Europa e EUA é de Depressão igual à dos anos 30 que começou em 2008 , só os estímulos dados pelo Obama à economia , através dos juros baixos , quantitative easing , bailout aos bancos , conseguiu evitar a mesma queda de 1930 na economia , mas o que se verifica , é que estas medidas só permitiram ganhar tempo e adiar o problema , como se vê pela actual situação da economia nos países mais avançados e nos mercados.
Um buraco na situação financeira internacional aparece , é tapado , logo aparece outro buraco.

A actual situação económico-financeira mundial mais parece o Titanic , com a tripulação toda a tapar o buraco que aparece , para logo aparecer outro , mas que vai acabar por a situação fugir de controle e o Titanic ír ao fundo.

Com os mercados completamente desregulados , fruto das liberalizações desde Reagan e Tatcher até à era Bush , criando grandes desiquilibrios na economia mundial , agravados e de que maneira pelo avançar da globalização.
O corte dos impostos feito por Bush aos mais ricos foi a cereja em cima do bolo , dando o tiro de mesericordia desviando o dinheiro das classes médias que poderiam evitar ou amortecer a crise , para os mais ricos.
Re: Caminhamos para um Grande Crash Ver comentário
Quando o Sistema
Se destroi a si mesmo...
El-Erian (PIMCO) Mais Isento Que Warren Buffett
"Hot Summer, Mr. Summers!"

Em Julho, Bernanke havia prevenido que a Fed poderia intervir de emergência para evitar que os EUA entrassem em sério risco de incumprimento (default), mas Geithner também havia garantido que não havia margem de dúvida para incorrer em qualquer default -- e que o 'AAA rating' fosse seriamente posto em causa.

Efetivamente, Republicanos e Democratas prenunciaram que iriam fazer um braço-de-ferro, que mais se assemelhou a uma encenação ao estilo da Broadway, dado que ambas as partes -- e respetivos lobbies e interest groups -- reconhecem que a sempre delicada política fiscal necessita de uma reforma séria que possa corrigir vários desequilíbrios no contexto socioeconómico.

E Obama, Biden e Clinton sabem que 2012 é um ano D para o actual ciclo político, cujo Congresso apenas parcialmente está controlado (Senado) pelos Democratas (Republicanos lideram a Câmara dos Representantes.)

Dívida Soberana: Obrigações (Bonds)

Rendibilidades (Yields)

País | Maturidade (Anos) | Rendibilidade (%)

Alemanha 2 0.86%
                              10 2.35%

Grécia 2 29.03%
                                10 15.57%

Irlanda 2 10.36%
                                10 10.37%

Portugal 2 11.26%
                                  10 14.59%

Espanha 2 4.69%
                                  10 6.26%

Itália 2 4.70%
                                  10 6.16%

EUA 2 0.29% ...
El-Erian (PIMCO) Mais Isento Que Warren Buffett Ver comentário
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