21 de maio de 2013 às 12:07
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Estilista australiana apresenta criações para...mortos

Pia Interlandi especializou-se em roupas para serem usadas pelas pessoas no dia do seu funeral. A estilista australiana utiliza cânhamo, fibra derivada da cannabis, que se decompõe rapidamente, e seda.
Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)BBC

Nalguns países, existem empresas especializadas em maquilhar os mortos. Mas até ao surgimento do trabalho da estilista australiana Pia Interlandi, ninguém pensava em comercializar moda especial para mortos. Uma visita ao site da artista permite ver que mesmo depois da morte pode ser-se elegante.

Devika Bilimoria/site de Pia Interlandi

Cânhamo, fibra derivada da cannabis, é um dos dois materiais de eleição da estilista: "os insetos e microorganismos reconhecem como orgânico e comem rapidamente". O segundo é a seda, "uma proteína de origem animal, e que é bela, suntuosa e acrescenta qualidade aos desenhos".

"O que faço é usar materiais que se decompõem em ritmos diferentes. A seda leva mais tempo do que o cânhamo", explica.

Pia Interlandi também cria roupas com bordados em poliéster, para as pessoas que quiserem algo que dure tanto quanto o esqueleto, como o nome ou um poema.

Segunda pele 


Ao escolher uma roupa a pensar no momento da sua morte, a pessoa está a aceitar a inevitabilidade biológica, diz a estilista australiana. "Tambem as minhas peças são criadas aceitando o mesmo princípio. Ou seja, são feitas para se desfazerem e promoverem a decomposição, ao invés da preservação. De certa maneira, servem para apresentar o corpo à terra".

Devika Bilimoria/site de Pia Interlandi

"A estilista explica que para os mortos, a roupa representa a segunda pele com a qual se vai apresentar ao outro mundo. "Os mortos não precisam da roupa para os mesmos fins que os vivos - calor, proteção, conforto. Eles, os vivos, necessitam sentir que a pessoa que morreu, que é amada, não está nua".

Pia Interlandi enfatiza a importância do ritual de vestir os mortos, a aproximação ao corpo. "A maioria das pessoas perde esse momento porque tem medo do corpo", diz.

A estilista recorda a própria experiência com a morte de um familiar muito próximo. "Foi reconfortante ver que o meu avô já não sentia dores, que o que o mantinha vivo - a alma, o espírito, a energia - já não estava mais lá, e que tudo o que restava era o invólucro. Mas é preciso proteger esse invólucro, porque existe um laço sentimental com o corpo, com a sua aparência".

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Carapuça, carapaça ou carcaça?
Acho que só enfia a carapuça quem quer...
Por cá...
Acho que por cá a Pia Interlandi não se safa...

Qualquer dia vamos todos a enterrar com as calças esburacadas ou, quanto muito, remendadas!...
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