25/05/2012 atualizado às 9:13
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"Estados Unidos não entrarão em default", diz o Nobel Robert Fogel

É a resposta categórica do historiador económico norte-americano Robert Fogel. "A Ásia vai ter um PIB per capita superior ao dos países ricos de hoje" é a afirmação mais polémica do Prémio Nobel da Economia de 1993, em entrevista ao Expresso.

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
22:26 Sábado, 23 de julho de 2011
Robert Fogel, prémio Nobel de economia em 1993
Robert Fogel, prémio Nobel de economia em 1993
Getty

Apesar do aviso das agências de notação de risco mais importantes de que poderão baixar a notação dos Estados Unidos face ao risco de um incumprimento da dívida americana em agosto, o historiador económico Robert Fogel profere um não categórico quando interrogado pelo Expresso, com alguma insistência, se tal cenário seria possível.

"Não há a mínima hipótese dos Estados Unidos entrarem em incumprimento em qualquer parcela da sua dívida soberana, mesmo sem uma subida do teto de endividamento federal", diz-nos, perentório, o Prémio Nobel da Economia de 1993, com 85 anos feitos a 1 de julho.

O historiador económico adianta que "o rendimento do estado é mais do que suficiente para cobrir as responsabilidades em relação aos detentores de títulos do Tesouro e que ainda sobram vários fundos para vários programas de bem-estar social". "No final, algum compromisso será alcançado", diz-nos Fogel, que ainda dá aulas na Booth School of Business na Universidade da Chicago e escreve livros.

Mas Robert Fogel não se pronuncia sobre a crise das dívidas soberanas na "periferia" da Europa. "Estão para além da minha área de conhecimento", atalha, para passar aos seus temas preferidos em matéria de geoeconomia - a Ásia.

Um número chocante


Ele chocou o público americano quando preveniu, num artigo na Foreign Policy no começo do ano passado, que em 2040 a economia chinesa teria uma dimensão na ordem dos 123 biliões de dólares e um PIB per capita de 85.000 dólares. A brincar, a revista destacou que esses "123.000.000.000.000" seriam o número chave da nova hegemonia económica.

"Muita da energia para o crescimento virá do desenvolvimento económico da China e da Índia. No século XXI, a perspetiva é para um forte crescimento da Ásia do Sul e Oriental. Suficientemente forte para dar a esta região do globo um nível de riqueza per capita superior ao que existe nos países da OCDE hoje em dia", sublinha-nos Fogel, repetindo a heresia de que os países ricos de amanhã serão muito mais ricos do que os desenvolvidos de hoje.

Com essa emergência da Ásia, e em particular da China, surge o fantasma de um regresso a uma guerra fria entre Washington e Beijing e a uma competição económica e financeira taco a taco entre as duas superpotências. Fogel reage: "Pelo contrário, é provável que as relações económicas futuras sejam mais suaves do que foram durante muito tempo no século XX. A cooperação económica entre os EUA e a China é do interesse mútuo. Competição entre países pode ser benéfica em vez de destrutiva. É importante não esquecer que a economia global do final do século XX e do princípio do século XXI é caracterizada pela existência de firmas globais".

Por isso, ele vê o mundo daqui a duas ou três décadas numa situação multipolar - rejeita de todo a ideia de um planeta bipolarizado entre os Estados Unidos e a China. Diz o Nobel: "Sem dúvida que os EUA, a China e a Índia vão ser as três grandes economias do futuro. Mas quero acrescentar que outras partes do mundo também terão crescimentos rápidos, incluindo a Ásia do Sudoeste - especialmente Singapura, Malásia, Indonésia, Tailândia, Coreia do Sul e Taiwan - e a América Latina".

Apesar desse multipolarismo, Fogel prevê que o dólar continue a ser a principal divisa mundial. Por uma razão, por vezes menos falada: "os EUA provavelmente continuarão a ser o líder mundial no desenvolvimento de novas tecnologias".

 

PERFIL: Historiador económico de 85 anos no ativo

Robert William Fogel, economista e historiador norte-americano, com 85 anos feitos a 1 de julho, dá ainda aulas na Booth School of Business na Universidade da Chicago e é diretor do Center for Population Economics.

Foi Prémio Nobel de Economia em 1993 juntamente com Douglass Cecil North em virtude de serem considerados os "pais" da popularização da cliometria, ou seja do uso no campo da história económica dos métodos quantitativos, da econometria e de modelos matemáticos usados em economia. O termo cliometria vem da deusa grega Clio que era a musa da história e foi inventado pelos economistas Stanley Reiter e Jonathan R.T. Hughes em 1960.

É reconhecido por um trabalho monumental no estudo de bases de dados intergeracionais e abrangendo ciclos de vida longos, que tem gerado ao longo de décadas diversas obras suas e em coautoria consideradas "clássicos instantâneos".

Ele, no entanto, sublinha-nos que a cliometria foi uma "adição" à história económica: "Uso a palavra adição, porque as novas técnicas nunca eclipsaram a necessidade da tradicional coleção e verificação das evidências necessárias para uma investigação empírica sólida".

As suas obras mais recentes são "Capitalism and Democracy in 2040", "Forecasting the Cost of U.S. Health Care in 2040" e "The Changing Body: Health, Nutrition, and Human Development in the Western World since 1700". Tem em preparação com outros dois autores mais uma obra intitulada "Simon Kuznets and the Empirical Tradition in Economics".

Foi premiado em maio pelo recém-criado Instituto Simon Kuznets em Kiev, na Ucrânia, com a medalha de ouro Simon Kuznets, por ocasião do 110º aniversário daquele economista. Fogel foi aluno de Kuznets, Prémio Nobel de Economia em 1971, que descobriu os ciclos económicos de 15 a 25 anos, que acabaram por ficar batizados como "ciclos de Kuznets".

Os seus hóbis preferidos são a música, a fotografia e o artesanato.


Atualização de artigo inicialmente publicado na edição impressa do Expresso

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EUA já foram grandes, agora não são grande coisa.
carlos-carlos (seguir utilizador), 2 pontos , 23:35 | Sábado, 23 de julho de 2011
Eles acham que basta dizer "não queremos" para as Finanças Mundiais fazerem a vontade aos EUA?

Os americanos ainda estão convencidos que um seu pequeno espirro, constipa toda a gente.
Já foi tempo, já foi tempo!

Eles que se acautelem, se não querem ter a China a bater-lhes à porta para pagarem o que devem.
 
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    Os EUA são a maior potência militar do mundo    Ver comentário
Tokarev (seguir utilizador), 1 ponto , 11:58 | Segunda feira, 25 de julho de 2011
Tem a sua piada...
Marradas Beligerante (seguir utilizador), 2 pontos , 13:44 | Domingo, 24 de julho de 2011
...um cidadão norte-americano afirmar que o seu País não entrará em default. Se dissesse o contrário é que seria espantoso.
Mas pelos vistos, lá, não existem "Medinas Carreiras". Ou se existem não têm direito sequer a piar.
 
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Estados Unidos não entrarão em default
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:34 | Domingo, 24 de julho de 2011
Oxalá que tenha razão, mas a mim parece-me que está a tratar o assunto um pouco simplista, mas quem sou eu que não percebo nada de economia, para contradizer um prémio Nobel. É verdade que interessa a todos os Países crescimento e só ganham todos com isso, porque o quanto pior melhor são histórias de outros tempos. Não deixo de sublinhar que lá como cá continuam a ouvir pessoas cuja idade ronda o século. O nosso dinossauro chama-se Mário Soares. Há uns tempos diziam que existia uma geração rasca e agora acham que é antes uma geração à rasca. No entanto pelo que se constata as safras não parecem ter produzido bom vinho, o que não admira que estão à rasca porque são rasca.
 
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A serpente que morde a cauda!!
aperto (seguir utilizador), 1 ponto , 11:55 | Domingo, 24 de julho de 2011
Entrar em default?
Como se pode sequer pensar nisso? seria a , é , uma contradiçao flagrante do sistema!

è mais um bluff do que outra coisa.

Quanto à economia global, com companhias supra nacionais, é precisamente o óbice da questão!

No futuro, o que prevalecerá? Os países, os seus interesses, e desde logo o dos Povos, enquanto Nação, ou os interesses Privados, supra nacionais, mas privados.

Já antes a nivel interno dos países, se permitiu que se gerassem, e favorecessem, interesses de empresas privadas, para que a sua dimensão crescesse e se tornasse internacional , competitiva.
Assim, aos poucos, foram deixados de lado os interesses nacionais e dos seus prorpios povos, favorecendo grupos privados.

Continuando nessa escalada especulativa, que nao passa mesmo disso, aparecem os edge funds , conglomerados internacionais de interesses financeiros apátridas.

E em nada se preocupam com quaisquer regras , sejam elas morais , éticas, ou algo parecido. Para eles a unica regra ´e a rentabilidade!!
A qualquer custo , de qualquer maneira!

E esta 'crise' financeira vai durar enquanto quiserem, e até encontrarem outra maneira de, diversificando, manterem excelentes rentabilidades!!

A quem beneficia o crime?!
Tenhamos sempre isto em vista.

Regulação, acaba por se impor.

Doutos,
 
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Ai não?!
Leiki (seguir utilizador), 1 ponto (Normal), 13:10 | Domingo, 24 de julho de 2011
O que lhe terá sido oferecido para dizer isso?
 
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A América pensa que ainda é a POTÊNCIA
manel007 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:13 | Domingo, 24 de julho de 2011
Esquece se que a EUROPA e Países Emergentes são quem realmente manda e tem direito a opinar hoje em dia.

CONTINUO A DIZER QUE SE A EUROPA TOMAR AS REFORMAS NECESSÁRIAS, SEREMOS O CONTINENTE MAIS PODEROSO DE SEMPRE,JÁ O SOMOS, MAS SEREMOS DE OUTRA FORMA.

Os países emergentes nunca terão um PIB PER CAPITA SUPERIOR a qualquer país desenvolvido e porquê?
  Já foi referido por um economista não pago pelos EUA, de nacionalidade não norte americana, um economy hit man, de nacionalidade austriaca que os países pobres e ele referiu o caso da Índia, China, Brasil, as pessoas nunca serão ricas porque estes senhores nunca deixarão.
Uma Economista Indiana referiu há pouco tempo que a pobreza na Índia está a aumentar ao contrário do que parece e porquê?
Os Indianos estão a cair no mesmo erro que nós Ocidentais caímos, é verdade que um operário Indiano ganha mais só que em vez de poupar gasta tudo em LCDs, rádios, carros etc.
Quem fala da Índia fala do Brasil em que os últimos relatórios apontam para um aumento exorbitante do preço da HABITAÇÃO e isso apenas significa uma coisa, o crescimento não está a ser feito com estrutura.
O Destino destes países será o mesmo que o dos EUA está a atravessar, se a Europa deixar de investir nestes países e os USA e estes países entram em colapso.
 
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    Re: A América pensa que ainda é a POTÊNCIA    Ver comentário
ThunderTwo (seguir utilizador), 1 ponto , 7:37 | Segunda feira, 25 de julho de 2011
Diz ele...
miguel41 (seguir utilizador), 1 ponto , 18:49 | Domingo, 24 de julho de 2011
...e eu só acredito quando ver.
 
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Ora vamos lá jogar!
Motuproprio (seguir utilizador), 1 ponto , 18:55 | Domingo, 24 de julho de 2011
A quantidade de treinadores de bancada que por aqui vai!
 
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"Estados Unidos não entrarão em default"
David Zac (seguir utilizador), 1 ponto , 21:00 | Domingo, 24 de julho de 2011
É ignorante quem pensa que sim. Por muito mal que esteja, os USA e a sua economia, não são o mesmo que Portugal. Quer queiram ou não, é a maior economia do mundo, e a qual estão todos os outros sujeitos.
 
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Será mesmo assim?
Acrux (seguir utilizador), 1 ponto , 10:18 | Segunda feira, 25 de julho de 2011
Desconfio sempre das respostas a perguntas que não ainda não foram explicitamente feitas.
 
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"SÓ UM NOBELLE"
"LUAOUAKYARA" (seguir utilizador), 1 ponto , 15:54 | Segunda feira, 25 de julho de 2011
Este senhor nobel demonstra porque se é Nobel ao fazer uma afirmação destas.
De facto só um pensamento superior como o dele (do Fogel) ou o da minha cadela diz que os EUA nunca entrarão em default.
Porque será ?
Procura-se prémio Nobel desempregado para dar uma resposta pláusível.
Kácus
 
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O tamanho da dívida dos E.U.A.
Manuel Pio (seguir utilizador), 1 ponto , 17:06 | Segunda feira, 25 de julho de 2011
http://www.wtfnoway.com/
 
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