25/05/2012 atualizado às 9:13
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Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta ao Expresso

Está na moda aprender português

O coordenador do estudo sobre a Internacionalização da Língua Portuguesa defende política da língua consistente, continuada e em conjunto com todos os países de língua portuguesa.

Luísa Meireles
0:00 Sábado, 5 de julho de 2008
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Reis diz que Figo ajudou a vender o português em Espanha
Reis diz que Figo ajudou a vender o português em Espanha
Alberto Frias
O português está em expansão mas, para se lhe dar uma verdadeira internacionalização, é preciso mais do que boa vontade. É preciso uma política da língua consistente e continuada, que lhe atribua meios e concerte esforços. Para o filólogo Carlos Reis, reitor da Universidade Aberta, o acordo ortográfico também é fundamental para esta tarefa. Nesta entrevista, o professor catedrático em Coimbra, lança pistas e propostas, explica as diferenças com o Brasil e cita o exemplo de Espanha - com a qual advoga uma aliança estratégica - e conclui que esta é uma tarefa que tem de ser conjunta de todos os países de língua portuguesa. Ele foi o coordenador de um estudo sobre a Internacionalização da Língua Portuguesa, que está na base de uma resolução do Conselho de Ministros que, na próxima semana, deverá consagrar, pela primeira vez, uma política da língua. 

Como se faz a internacionalização do português?
De várias formas. Através do ensino do português como língua estrangeira. Internacionalizar é fazer do português uma língua oferecida em matéria de ensino a franceses, alemães, ou búlgaros, por exemplo, que não tenham com ela outra relação que não seja entenderem que ela é um idioma importante. Internacionaliza-se também nas escolas secundárias e universidades, fazendo dele uma língua que abre caminho a outros sectores de actividade - penso na economia. É fazer dela uma espécie de vanguarda de presença, que depois é completada por noutros elementos, a economia, os negócios, a ciência, a cultura. Internacionaliza-se também através de entidades, como por exemplo os centros de língua, que trabalham o seu ensino fora das universidades. Dou o exemplo dos centros de língua do Instituto Cervantes, de Espanha, que não estão vinculados as estruturas universitárias, mas estão na rua, ao alcance do cidadão comum.

Portugal tem alguma coisa parecida com isso?
Não, o mais parecido mas limitado - embora de nível de excelência - são as escolas portuguesas em Luanda, Maputo, Macau e Timor. Internacionalizar-se uma língua fazendo dela um instrumento de referência cultural e económica, passa muito pelo desenvolvimento. Falamos muitas vezes com certa retórica triunfalista na dimensão demográfica do português, os famosos 200 a 230 milhões de falantes, mas não é bem assim. Esses falantes são em grande parte integrados por povos e países que infelizmente contam pouco no concerto internacional. Uma língua tem escassas possibilidades de se internacionalizar enquanto noutras instâncias que não a linguística (política, económica, científica) esses países não se afirmarem.

Esse é um factor muito notório do português, nomeadamente nos Estados Unidos?
Apesar de ter uma presença muito antiga, o português ainda não conseguiu ser uma das 10 línguas "requisito de acesso às universidades", onde está por exemplo o coreano, que não tem a dimensão demográfica do português. Porquê? Porque a presença económica e social da Coreia nos EUA é considerável; está o hebraico, por razões também conhecidas. Por isso, não faz muito sentido falar da política de internacionalização da língua isolada do resto e não tenho pruridos em o dizer: enquanto Angola, sobretudo, e Moçambique, que são países com dimensão demográfica considerável, não ganharem um peso internacional considerável, será muito difícil que o português se internacionalize. O caso do Brasil é a evidência disto. Na medida em que ele está a ganhar uma grande presença e é um país mais poderoso economicamente e com menos desigualdades internas, o português começa a ser um língua com algum poder internacional. Esta é uma zona um pouco melindrosa para alguns, que têm dificuldade em reconhecer que Brasil é aqui uma locomotiva fundamental. Não temos que ter receio disso.

O papel do Brasil

Está a falar do acordo ortográfico?
Não só. Em termos de melindres, essa foi a manifestação mais evidente e, em pessoas que estimo e cultas e responsáveis, foi mesmo penosa de se ver. Sobretudo o que estava em causa era um enorme preconceito em relação ao Brasil. Curiosamente, algumas dessas pessoas às vezes traduziam isso através de expressões brasileiras que já entraram lexicalmente no português. O português do Brasil tem algumas qualidades que o de Portugal não tem e já entrou no nosso falar desde que a televisão brasileira tem aqui uma presença forte. Há expressões que já nem as identificamos como brasileiras: quem hoje diz ir para a bicha? Diz-se 'para a fila'. Ou 'está tudo numa boa'.

Entraram por via da imigração e das telenovelas.
Da televisão, sobretudo. Há aspectos do português do Brasil em que leva vantagem sobre nós. Um deles é a articulação: um filme português passado no Brasil precisa de ser legendado e um brasileiro em Portugal não. Tão simples como isto. Porque os portugueses tendem a obscurecer a língua do ponto de vista articulatório, fonológico, de pronúncia. Engolem as palavras. O português do Brasil valoriza mais as vogais, os fonemas vocálicos, o que é uma vantagem para o bom entendimento. Temos de fazer um esforço de recuperar coisas que se perderam e isso só pode ser feito na escola, lendo expressivamente, obrigando a pronunciar bem as palavras todas. Mas a importância do Brasil neste cenário é evidente desde algum tempo. O Brasil apercebeu-se que a língua é um instrumento estratégico muito importante e o seu anúncio de criação de uma universidade para os países da CPLP no Nordeste não é inocente nem destituída de sentido político.

É curioso que seja no Nordeste?
Entende-se que uma universidade deste tipo é um factor de desenvolvimento de uma região pouco desenvolvida, e também porque no Nordeste há uma forte presença africana. Portanto, é como quem diz: 'nós somos a ligação para África'. Com esta iniciativa, o Brasil está a dizer que o grande interlocutor no universo da língua portuguesa para África é ele. Está no seu direito e porventura tem boas razões para isso, económicas, sociológicas, devido à imigração desde os tempos da escravatura. Isto significa o despertar do Brasil de uma forma muito vigorosa para a causa da língua portuguesa como instrumento estratégico.

Foi acordado com Portugal?
Não creio, foi anunciado pela primeira vez pelo ministo dos Negócios Estrangeiros Celso Amorim na Guiné-Bissau, em Abril. Não é inocente o lugar do anúncio.

O Brasil tornou-se um 'concorrente?
É uma questão que tem de ser desdramatizada. A verdade é que a internacionalização da língua portuguesa também passa pela música brasileira, a moda, o futebol, a economia, muitas outras presenças que significam uma presença derivadamente linguística e que são uma outra forma de fazer política de língua. Convém não esquecer o papel do Brasil na América Latina em matéria de difusão da língua, nomeadamente entre os países limítrofes, como o Uruguai, ou a Argentina.

O acordo ortográfico é indispensável

E o acordo ortográfico?
Foi excessivamente dramatizado em Portugal. O acordo é um instrumento ao lado de outros, que vale o que vale, não vai descaracterizar a língua, como se diz, mas vai significar alianças estratégicas, concentração de esforços.

Mas é fundamental para fazer a política de internacionalização do português?
É muito importante, e sem ele temos sempre uma fragilidade, vista do exterior, que é o facto de termos duas normas ortográficas oficiais. O que não acontece com o espanhol ou o inglês, que têm apenas variantes ortográficas.

O que nos conduziu a isso?
Muitas razões, entre quais a dimensão. Espanha: que aconteceu na América do Sul no principio do século XIX para cá? O domínio espanhol fragmentou-se numa série de repúblicas relativamente pequenas, ao passo que a presença colonial portuguesa deu lugar a um grande país. Ainda por cima, as respectivas metrópoles eram assimétricas, Espanha é quatro ou cinco vezes maior que Portugal. Espanha continua a ter um grande ascendente em todos os aspectos, a começar pelo económico, sobre as suas antigas colónias, Portugal não. Mais, Espanha soube ter ao longo dos séculos instrumentos reguladores que funcionam difusamente como instrumentos de política da língua. Já para não falar do mais antigo deles, a Real Academia de Ciências, e dos instrumentos normativos que ela produz, como o dicionário, que é respeitadíssimo entre o mundo que fala espanhol.

"O acordo ortográfico foi excessivamente dramatizado em Portugal"
"O acordo ortográfico foi excessivamente dramatizado em Portugal"
Alberto Frias

E com o português?
As pessoas resistem a reconhecer que no domínio em que se trabalha a língua, a lexicografia, o domínio dos dicionários, o Brasil tem uma história incomparavelmente mais rica do que a nossa. O dicionário da nossa Academia só apareceu há meia dúzia de anos, sendo que o antigo, o do século XVIII, só se publicou um volume e nunca se completou. Era o volume referente à letra A, que terminava na palavra azurrar. Acabou por ser objecto de tantas críticas - dizia-se que o dicionário tinha ficado 'a zurrar', que numa edição seguinte teve de inventar-se uma palavra, azuverte. Em Espanha, existe uma ligação muito estreita entre a Real Academia e as suas congéneres sul-americanas, com muitas acções conjuntas. Isto dá um grande poder unificador ao espanhol, que apenas conhece variantes ortográficas, que estão dicionarizadas. Neste aspecto as nossas fragilidades são grandes e o acordo ortográfico é indispensável do ponto de vista de política de língua, por muitas reservas que se coloquem e eu próprio coloco algumas de ordem técnica.

Uma aliança com Espanha

Defende as alianças estratégicas. Está a pensar em Espanha?
Penso sobretudo no domínio universitário, nos departamentos em que se ensina português e espanhol e nas mais valias que se podem retirar de presença conjunta, dada a relativa afinidade dos dois idiomas. Isto é, é possível mostrar aos estrangeiros que quem aprende português, com alguma facilidade aprende também o espanhol e vice-versa. É muito prático. E porque não recorrer a economias de escala, alianças concretas que têm a ver com recursos, espaços, administrativos? E que poderiam permitir aprender alguma coisa do que se faz no Instituto Cervantes.

Porquê?
Dou um exemplo. O presidente do patronato do Cervantes são os reis de Espanha e dele faz parte também o primeiro-ministro. Todos os anos, a abertura solene é presidida pelos reis. Onde vemos isto aqui? O Prémio Cervantes tem uma repercussão considerável no mundo da língua espanhola, mas o nosso Prémio Camões só sai no rodapé das televisões e, no Brasil, é praticamente ignorado. Não há uma intervenção simbólica ao nível da mais alta magistratura da nação ou do Governo, que sublinhe a importância agregadora do Prémio, porque é essa a importância que ele tem. É preciso fazer sobre isto um trabalho político consciente, empenhado, com imaginação.

Os falhanços da política

Faltou-nos sempre uma política da língua?
Sim, e com continuidade. Há que encontrar almofadas de protecção que protejam as políticas da língua das mudanças de Governo e até de ministro! Para não se começar tudo de princípio de cada vez que muda o Governo. Porque se a política de língua é reconhecida como um desígnio nacional, não pode estar sujeita às oscilações e humores dos ministros.

Mas ainda não é reconhecida como tal...
Pode ser dita como tal, mas não há acções concretas que a reconheçam. Há lacunas e falhanços, a começar pelo Instituto Internacional da Língua Portuguesa, no âmbito da CPLP, por boas ou más razões. Estas questões são sempre um pouco melindrosas, mas não sei se não teria sido necessário escolher para sede daquele instituto, com todo o respeito por Cabo Verde, uma visibilidade mais efectiva, uma capacidade de intervenção, e até no plano doutrinário, mais efectiva.

Está a falar de um outro país?
Porventura.

Portugal, Brasil?
Porventura. É claro que isto tem melindres de outra natureza, mas temos de decidir se queremos fazer uma política da língua a sério, ou não.

A tarefa é de todos

Portugal consegue fazer uma política da língua sozinho?
Não, de todo. Se Portugal não trabalhar para trazer para esta causa os outros países, está condenada ao fracasso.

Tirando o Brasil, os outros países estão interessados? Nem o acordo ortográfico foi adoptado por todos...
Mas vai ser, há manifestações claras nesse sentido. Isso é outra coisa. Voltemos um pouco atrás, comparando com o caso espanhol, por exemplo. Quando é que se deu a descolonização de Espanha? 1898. No fim do século XIX, a Espanha, bem ou mal, tinha resolvido o seu problema colonial. Nós vivemos uma descolonização tardia e é natural que países como a Guiné-Bissau, S. Tomé e Príncipe, Angola - que esteve em guerra durante mais de 40 anos - só agora comecem a dispor de instrumentos de intervenção no domínio da língua que demoram décadas a construir: universidades, academias, centros de pesquisa, académicos qualificados. É natural que seja assim. Têm outras prioridades e outras limitações, muitas das quais foram deixadas por nós, de resto.

Têm outras prioridades mas, agora, que despertam para o assunto, colocam problemas, nomeadamente quanto às ortografias, não?
Há essa questão. Pode dizer-se, de forma redutora, que nós em escrevíamos respeitando mais a etimologia das palavras, enquanto no Brasil se foi derivando para a forma como as palavras são ditas. É evidente que nos países africanos há injunções locais, cenários dialectais e linguísticos muitíssimo complexos, que podem levar a esses problemas de 'singularidades'. Mas eu lembro a opção clara de um grande líder africano, Amílcar Cabral, que fez da língua portuguesa a língua oficial, reconhecendo que, sendo o português a língua do colonizador, não era necessariamente uma língua colonizadora. Era um factor de unificação nacional, como aconteceu no Brasil e acontece em Moçambique e Angola, que sendo países muito grandes e de cenários complexos, o português funciona como língua veicular, permitindo que as pessoas se entendam. Nesses países, o português como língua materna subiu muito nos últimos 20-30 anos. Quando se esperava que ia desaparecer, confirmou-se a tese de Amílcar Cabral.

E quanto à política da língua?
Há uma contradição que tem de se saber resolver. Por um lado, diz-se que queremos uma comunidade muito alargada, chamada lusófona (um termo que embirro pela sua excessiva ligação à matriz portuguesa), que seja unificada por um idioma comum, falado por 200 ou 230 milhões de falantes. Mas, por outro lado, queremos valorizar as singularidades locais, a criatividade lexical e a riqueza linguística local. Mas a notícia, boa ou má, é que não podemos ter tudo. Se queremos um universo linguístico sólido, consistente e coeso, que não temos por agora, então temos de reconhecer essa qualidade ao português.

Mas pode haver um problema político com as elites de afirmação nacional...
Sim, e levar à paralisia e à fragmentação do português. Se é isso que se quer, muito bem, mas que se saiba o que se está a fazer. E tenhamos a noção que podemos chegar a uma situação tão estranha e contraditória como a que se passa hoje com Espanha. O espanhol é uma língua em expansão em todo o mundo menos na Espanha, porque tem a pressão dos idiomas nacionais. Por enquanto ainda vive bem com isso e viverá certamente, devido à sua larga presença internacional. Mas o português pode permitir-se isso? Os africanos têm a noção muito clara porque há hoje gente politicamente muito preparada nos países de língua oficial portuguesa de que seria muito mau para Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, S. Tomé ou Cabo Verde hostilizarem o português. Eles sabem isso.

"É hoje claro que o poder internacional de uma língua tem muito que ver com o lugar que essa língua ocupa nos EUA"
"É hoje claro que o poder internacional de uma língua tem muito que ver com o lugar que essa língua ocupa nos EUA"
Alberto Frias

Foram eles que fizeram o grande esforço do ensino do português nos seus países
Absolutamente. E fizeram-no porque tiveram essa consciência.

O impulso português e o despertar brasileiro

Porque o actual impulso de internacionalizar o português?
Sem pruridos de correcção política, porque Portugal apercebeu-se que o Brasil tinha acordado para esta questão. É a minha explicação mais politicamente pragmática. Há outras razões, a beleza e riqueza da língua, as comunidades, o valor económico da língua, mas acho que há uma pressão do lado do Brasil e Portugal apercebeu-se.

A iniciativa brasileira da Universidade é vista com reticências?
Infelizmente e por diversas razões, nunca foi possível levar por diante no âmbito das universidades de língua portuguesa uma iniciativa desse natureza, uma universidade internacional de plataforma e consórcio entre grandes universidades. Chamava-se universidade virtual da língua portuguesa, porque funcionaria sobretudo através das tecnologias do ensino à distância. Há mais de 10 anos que se fala nisso, chegou a haver um esboço de projecto feito no Brasil, tivemos uma intervenção, mas nunca houve vontade através de política universitária de fazer isso a sério.

Porque Portugal não se entende com o Brasil para isto?
Não sei se é difícil, é preciso olhar para o Brasil como ele é. Uma das coisas que mais prejudica a nossa relação com o Brasil é a persistência de certos estereótipos. Um pouco como se para muitos portugueses o Brasil fosse um país óptimo para passar férias, importar jogadores de futebol e ver escolas de samba e, por outro lado, se ignorasse ou não se quisesse reconhecer coisas como estas: que em qualquer "ranking" de universidades mundiais, a primeira universidade de língua portuguesa que surge é a Universidade de S. Paulo e a segunda é a de Campinas. E a primeira portuguesa que aparece está muito distante destas - era a Universidade Técnica de Lisboa, no "ranking" que consultei. É preciso reconhecer isto sem dramatismos. É uma questão de dimensão. Tal como o é o facto do Brasil fabricar e exportar aviões para os Estados Unidos, ou que é auto-suficiente em matéria de petróleo.

Casos de sucesso: China, Africa, Espanha

O português está em expansão em África e na Ásia?
Há na África austral uma procura considerável e não temos tido capacidade de resposta para acudir a toda essa procura. E está também na Ásia, na China, por razões de natureza económica, em particular. Na China e não tanto em Macau, onde está em forte regressão. São zonas muito interessantes, tal como Espanha.

Na China porquê?
Razões de carácter instrumental, em grande parte. Os chineses sabem que é importante falar português para fazer bons negócios em África. De resto, também a presença chinesa em África é uma curva ascendente impressionante. Mas o ensino de português na China é feito sobretudo por brasileiros, não temos capacidade de resposta. O que é extraordinário num país em que existem centenas e centenas de professores de português no desemprego.

E para que isso se faça falta o quê? Um acordo com chineses? Meios?
Não sei se Portugal tem ou não dinheiro para sustentar professores na China, mas sei que é uma questão de opção política e que, se pomos dinheiro numas coisas, não há para as outras. A realidade é esta: há muitos professores de português no desemprego e não somos capazes de responder à procura. Se calhar, haveria alguns capazes dessa aventura.

E em África o português está em expansão porquê?
Pela presença de portugueses que viviam em Angola e sobretudo Moçambique e que derivaram para países da Africa Austral por causa da descolonização. E, em parte, porque o sul da África está enquadrado por dois grandes países de língua portuguesa, Moçambique e Angola. O trabalho que lá se está a fazer a nível de coordenação de português é notável, às vezes em cenários difíceis e mesmo hostis. O que nos foi dito é que maior fosse a nossa oferta, a procura está lá, à nossa espera, na Africa do Sul, na Namíbia. O que me leva a dizer outra coisa: em matéria de politica de língua para o estrangeiro não há só uma, há várias políticas, de acordo com os cenários, presenças, instrumentos que se convocam. A noção de política de língua é abrangente mas tem de ser desmontada, porque é uma na África Austral e outra em Espanha, e outra ainda nos EUA. É preciso ter em conta as contingências de cada cenário e também descentralizar um pouco o Instituto Camões.

Descentralizar o Instituto Camões?
Quero dizer que aquilo que tem de se decidir na Africa Austral, não tem necessariamente de vir a Lisboa, por exemplo. É um assunto para se ver com cautelas, mas talvez fosse de pensar em descentralizar um pouco a política de língua, tendo em conta os cenários locais. Não quero dizer criar um Instituto em Nova Iorque e outro em Pequim, mas há que encontrar estruturas de desconcentração que tivessem alguma autonomia para decidir "in loco".

Espanha é outro caso de expansão?
Por razões que têm a ver com a presença económica em Portugal. É nítido nas regiões transfronteiriças, onde há uma subida em flecha de alunos espanhóis  a estudar português. Há um refrescamento da imagem de Portugal na Espanha. A presença de Luis Figo é extremamente importante para a refiguração do imaginário de Portugal e produz os seus frutos. É preciso saber tirar partido disso. Se se pensasse em criar mais escolas portuguesas, Madrid deveria ser uma séria candidata. Há portugueses em Espanha que o justificam e há interesse em Espanha numa escola com qualidade. O mesmo se diga de outros dois locais também importantes, política e simbolicamente: Paris e S. Paulo.

O poder americano

E nos EUA, como se dá o salto para que o português 'mude de estatuto'
Nos EUA é muito complicado, fez-se um trabalho de diligência politica, gastou-se muito dinheiro em trabalho de lobi, mas não se pode desistir. Depende muito das comunidades, mas às vezes também tem de se desligar o imaginário da língua do das comunidades. Se estas estão muito associadas a uma imigração pobre, não é bom para a difusão da língua e a sua afirmação internacional. O que as comunidades podem fazer é por os seus homens políticos a trabalhar para isso, e já há exemplos nos Estados Unidos. É hoje claro que o poder internacional de uma língua tem muito que ver com o lugar que essa língua ocupa nos EUA. Se ocupa um lugar de destaque lá, é um excelente cartão de visita, senão é mais complicado. O caso extraordinário de sucesso do espanhol deve-se muito a isso, embora não se excluam as razões de imigração mexicana e sul-americana, como é óbvio.

Em que se traduz o valor estratégico de uma língua?
Em muitas coisas. Negócios - uma língua e uma cultura podem abrir caminhos à economia, tornar o país conhecido, dar boa imagem, divulgar o que lá se faz e isso é um valor estratégico importante. Uma língua também ajuda a valorizar socialmente as comunidades que vivem no estrangeiro. Se conseguir impor-se na Internet, se produzir software educativo - é por aí que passa relação com o mundo - e já agora, olhando para dentro, se for bem ensinada no próprio país, se os seus cidadãos a falarem bem, se a pronunciarem bem. Não podemos falar apenas no valor estratégico e numa política de língua no estrangeiro, se não tivermos uma boa política da língua em Portugal.

É possível fazer-se essa política sem a cultura?
É missão impossível e absurda ensinar uma língua esvaziada de cultura. Portanto, tem de ser encontradas articulações interministeriais. É uma prioridade estratégica dita neste relatório, a concertação de esforços. Retomo uma ideia antiga de criar uma entidade que regesse a política de língua, e que devia ser supra-ministerial, porventura dependente do primeiro-ministro. Valorizaria politicamente a entidade e talvez ajudasse a resolver problemas das fracturas de quem intervém em quê

Quais são as conclusões principais do seu estudo?
Primeiro que tudo, há que dar continuidade a uma política de língua. Não se espere que um ministro crie um instituto e nomeie um presidente e daí a três anos dê frutos. Uma década é pouco. Segundo: é preciso ter em conta as boas práticas dos outros países e fazer análise comparativa mais afinada. Terceiro: atenção às condições locais. A política da língua não é única, nem rígida, nem igual para todos e para toda a parte. Quarto: apostar nos recursos humanos, formar professores para ensinar no estrangeiro, que é diferente do ensinar em Portugal - uma banalidade mas por vezes é preciso afirmar o óbvio. Quinto: as alianças, convocar outros esforços e outros países. A acção diplomática é fundamental para mostrar a Moçambique, Angola, Brasil que, no fundo, esta causa comum é de todos e todos beneficiamos dela. E, finalmente, é preciso esperar que a árvore cresça.

Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 5 de Julho de 2008, 1.º Caderno, página 20.
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Em casa de ferreiro espeto de pau
Motuproprio (seguir utilizador), 1 ponto , 11:42 | Sábado, 5 de julho de 2008
Não esqueçam de pôr os nacionais a falarem e a escreverem português!
 
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...rétórica pura e simples...
rapazo (seguir utilizador), 1 ponto , 12:24 | Sábado, 5 de julho de 2008
Parece que a linha "tuga na sua melhor imagem"continua activa,apregoando uma pseudo realidade,que apenas convence oradores e seus pares...
-se o portugues está na moda,será por força da presença dos seus emigrantes falantes além fronteiras...e países de adopção da lingua...
-se o portugues está na moda,ninguem o sente além fronteiras...
-perguntando a várias pessoas estrangeiras,se sabiam algo da lingua;a resposta foi negativa;traduzida numa pergunta:e a quem interessa aprender portugues?
-o espanhol sim,demonstra uma politica efectiva na divulgação da lingua,elevando-a a lingua da moda,falada e aprendida...
Para conclusão,salvo alguns que necessitam justificar seu cargo e salário;todo sabemos que se torna patético quando ouvimos falar de politica cultural e/ou linguistica...
ps-já agora só uma pequena sugestão barata e efectiva:criem um espaço de fomento e aprendizagem da lingua,no site da rtp(já que a mesma absorve 120 milhões de euros por ano,do bolso dos contribuintes),por exemplo um mini curso ingles/portugues...sejam mais práticos e menos rétóricos.
 
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Esqueceram o galego?
ferreirogz (seguir utilizador), 1 ponto , 13:55 | Domingo, 6 de julho de 2008
Nunca conseguirei entender a estratégia portuguesa: têm um país aí ao norte, a Galiza, que fala uma variante do português como tal reconhecida pelos estudos filológicos (vide Lindley Cintra, p. ex.) e continuam a ignorar isso.
Será que vocês têm medo dos espanhóis? Será que não têm a suficiente inteligência para ver que no apoio à identidade galega está o futuro de uma península sem hegemonismos?
Como galego, peço-vos que deixem de desprezar a Galiza e comecem a apoiar os sectores crescentes que queremos uma Galiza em galego, que é o mesmo que dizer uma Galiza que normalize a nossa forma de falar português.
 
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PORTUGUÊS, LENGUA DE LA GLOBALIZACION !!!
geolingua (seguir utilizador), 1 ponto , 18:47 | Terça feira, 8 de julho de 2008
PORTUGUÊS, LENGUA DE LA GLOBALIZACION !
... titulo que gostaria de ver publicado, no jornal independente espanhol, El País.

Meu nome é Roberto Moreno, nasci na cidade de São Paulo (Brasil) neto de espanhol e italiano, nunca tive dificuldade em compreender estas duas línguas. Cresci sonhando, falando e escrevendo em português do Brasil. Já adulto, percebi que o privilégio de entender o espanhol, também é dos mais de 220 milhões de pessoas que se comunicam em português, situados nas terras mais ricas e estrategicamente localizadas no planeta, e, isto é um facto! Alem de, ser o português uma língua de cultura aberta e que dá acesso a outras literaturas e civilizações originais e variadas, nos quatro cantos do mundo.

Português, a língua mais solidária do mundo.
Foi em 1214 que surgiu o primeiro documento oficial na língua portuguesa, o testamento de D. Afonso II, que até então era o galaico-português, uma solidariedade natural entre duas línguas irmãs. No século XVI, a língua portuguesa começou a se espalhar e enriquecer-se, tomando dos outros povos não só expressões linguísticas novas como também formas de estar e pensar, dando inicio ao multiculturalismo Era o início da Globalização, via Comunicação, e não como é hoje, somente pela via política-económica.

Como se sabe, entre as línguas românicas, o português e o espanhol são as que mantém maior afinidade entre si. Tidas como irmãs da mesma família linguística, possuem um tronco comum, o latim, e uma história evolutiva paralela, a da popularização diaspórica do idioma latino na península ibérica e de lá para a América, África e Ásia. Entretanto, é bom salientar que é mais fácil para um “lusófono” comunicar-se em “Portunhol” do que para um hispânico comunicar-se em “Hispanês”.

A razão para este facto é que há algo muito especial na língua portuguesa, o elemento descodificador do espanhol, do italiano e do francês. A nossa língua possui um sistema fonético vocálico de 12 entidades, composto de sete fonemas orais e cinco nasais. O espanhol tem apenas cinco fonemas orais o AEIOU. Eis o porquê de entre as cinco línguas latinas, o português ser o “Ferrari” deste comboio linguístico.

É importante divulgar o quanto se pode ganhar com a aprendizagem da língua portuguesa.
Por exemplo: - "Grande promoção da Língua Portuguesa, pague uma, leve duas e meia" - Dado que ganhamos 90% do espanhol e 50% do italiano, e até, uns 20% do francês. É um valor acrescentado que a nossa língua possui e que nunca foi publicitado. Daí a importância de uma aliança entre os países Iberófonos, que tire partido do facto de conseguirem se entender nas suas línguas maternas. Lembrando que, o Brasil equivale a metade da população e território da América Latina, sendo que, neste século, o centro de gravidade do desenvolvimento económico mundial será transferido para a China, Rússia, Índia e Brasil, ao invés da América do Norte e Europa.

Visto que, os países de língua portuguesa e espanhola somam 700 milhões de pessoas em metade do mundo, geograficamente falando, e que não possuem problemas de comunicação entre si, deve-se com urgência, elaborar um plano de marketing estratégico para a língua portuguesa! Diante dos FACTOS já descritos, propõe-se promover a auto-estima pela língua e a cultura nos 30 países que compõem a Comunidade Iberófona através de variadas acções concertadas, por exemplo, nas áreas da Educação, Saúde e Segurança, além de fomentar o português como 2ª língua nos países hispânicos e também nos seguintes países, geo-estratégicos, por acréscimo:

França, onde há cerca de um milhão de “lusófonos”, sendo o português a segunda língua mais falada, alem de que, poderá ser usada como arremesso ao bilinguismo;

Itália, pelo facto de entendermos 50% do italiano e por ser o Brasil a maior colónia de italianos do mundo, sendo, após o espanhol, a língua italiana a mais próxima da nossa;

EUA, onde há cerca de 50 milhões de Iberófonos e por factores geo-politico, económico e estratégico. A ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas), por exemplo, é inviável sem o Brasil e caso os EUA adoptem o português como 2ª língua, o poder de comunicação de um cidadão Anglo-Iberófono alargar-se-á para 1 bilhão de pessoas. (... é a “Super ALCA”, trabalhando pela via do diálogo na língua do cliente)

China, pelo facto do Mandarim estar restrito ao próprio país e, se cada chinês tiver o português como 2ª língua, serão 2.300.000 milhões de Sino-Anglo-Iberófonos, e ainda pela sua aproximação ao Brasil, que em conjunto com a Rússia e a Índia, representam, no aspecto comercial, científico e geopolítico, a nova «Ordem Mundial»;

Índia, onde há 23 línguas correntes e 1.000 dialectos, a maior industria de audiovisual e informática do mundo. Os Hindi-Sino-Anglo-Iberófonos serão 3.400.000 milhões;

Indonésia, por razões semelhantes às referidas para a China e para a Índia, pelo facto de fazer fronteira com Timor-Leste, e pela promoção de uma verdadeira, saudável e frutífera democracia de cultos e religiões, através do DIALOGO que assim se estabeleceria entre o maior país muçulmano do mundo e o mundo católico.

Sendo os Sino-Hindi-Anglo-Iberófonos, bilingues, (mantendo a sua língua materna, mais o português como 2ª língua) a comunicação entre os mesmos exclui o monolíngüismo.

Visto que, o “lusófono” é naturalmente bilingue (característica única no mundo) e sendo o português a 2ª língua para os hispânicos, a comunicação entre os mesmos exclui o monolíngüismo. Portanto deveremos promover este “Segredo” guardado desde o ano 1214 em Portugraal. É o “Quinto Império”, da espiritualidade e comunicação. É o GEO-Código! (… antes de Da Vinci, ter existido)

Outro facto é: no âmbito da política linguistica do Mercosul, os países hispânicos já estão assumindo o português como 2ª língua, visto que o Brasil já oficializou o espanhol como segunda língua, praticando a reciprocidade e fortalecendo a Iberofonia. Recentemente, num Colóquio realizado em Paris – «Três Espaços Linguísticos Perante os Desafios da Mundialização» - o Sr. Boutros Ghali, demonstrou-se totalmente favorável à Franco-Iberofonia.

Língua oficial de oito estados em quatro continentes, o Português é também língua de comunicação de doze organizações internacionais, nomeadamente na União Europeia, UNESCO, MERCOSUL, Organização dos Estados Americanos (OEA), União Latina, Aliança Latino-Americana de Comércio Livre (ALALC), Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Organização de Unidade Africana (OUA), União Económica e Monetária da África Ocidental, idioma obrigatório nos países do Mercosul e língua oficial da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização que integra a maioria dos países africanos do hemisfério sul.

A língua portuguesa é como o software Linux, pois pode ser usada e praticada a custo zero, basta assistir a uma telenovela brasileira na sua língua original. É fiável, visto não ser uma língua artificial e sim natural, existe a 800 anos. É uma língua que não depende da moda e não se impõe à força, com praticas etnolinguísticas, psicológicas e financeiras. Está disponível, pela sua presença alargada no mundo e o seu desempenho é confirmado cientificamente por linguistas que endossam a mais valia na aquisição desta língua/software e, que corre em qualquer sistema e hardware!

Lembremos que, por exemplo, actualmente a TV Globo é a maior produtora de programas próprios de televisão do mundo. O seu acervo de telenovelas e mini-séries é distribuído em diversos idiomas, levando hoje a cultura “lusófona” a espectadores de cerca de 130 países em todos os continentes.

Aproveitando-se dos altos índices de audiências, que uma telenovela possui, poderá se promover a aprendizagem do português como segunda língua de comunicação e como justificativa teórica e pratica, divulgar a importância de se aprender a língua que une 700 milhões de pessoas. É a Globalização Democrática, 1 cidadão 2 línguas! É a única língua candidata a ser a preferida da Globalização e que preenche os cinco pré-requisitos necessários para que tal aconteça:

O aspecto Quantitativo, Qualitativo, Geopolítico, Geoeconómico e o quinto é o facto desta língua entender uma outra língua. Ora, o Brasil preenche todos estes cinco requisitos, além de, possuir 30% da água renovável do planeta, a matéria prima para a industria química e farmacêutica, (graças ao Amazonas e a sua biodiversidade), o petróleo e energias alternativas, a agricultura e, os seus 190 milhões de habitantes não possuem problema de comunicação - matéria-prima da informação.

Actualmente, a Fundação Geolingua está a organizar um novo tratado, simbólico e de promoção de auto-estima, o “Tratado de Tordesilhas II”, cujo objectivo é ressuscitar a maior e mais antiga comunidade dos últimos 500 anos, a CPLP&E – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa & Espanhola.

São os iberófonos a unir-se, lembrando a importância que já tiveram, têm, e continuarão a ter, estes dois idiomas. Não esquecendo que a Península Ibérica, os Países Africanos Iberófonos e a América Latina (99% Iberófona) ficam “separados” e claramente identificados da outra metade do mundo por uma linha imaginária. A America Latina e a Comunidade Ibero-Americana não deverão, portanto, deixar de fora os países africanos de expressão portuguesa e espanhola, mais Timor-Leste. Que se crie, portanto, uma GEO-Comunidade Iberófona, onde a base passe a ser a língua, a maior ponte para o diálogo de todos os tempos.

A titulo de exemplo pode-se citar que o Banco Santander demonstrou-se plenamente favorável ao conceito da Iberofonia ao anunciar publicamente que a língua portuguesa passa a ser, em paralelo com o espanhol, a língua oficial nos 42 países onde o banco se encontra presente.

E, para o xeque-mate final, além de tudo o que aqui já foi dito para se aprender
a língua portuguesa, o maior de todos os motivos é, sem duvida:

O FACTO DE A LÍNGUA PORTUGUESA ENTENDER O ESPANHOL
Um mercado de 700 milhões de pessoas presentes na metade do mundo!
_______________________________________________________________________

Breve explicação sobre a Geofonia

• Iberofonia, é: Lusofonia + Hispanofonia. (Península Ibérica, como um todo)
• Geofonia, é: o respeito pelos sons das várias línguas! (na Península Ibérica e no mundo)

A Fundação Geolíngua, propõe a inclusão da Geofonia nos 30 países de língua oficial portuguesa e espanhola. Desta forma a Geofonia poderá ser, no futuro, uma espécie de “Esperantofonia”. É o respeito às fonias dos 8 países de língua portuguesa, dos 21 de língua hispânica e, dos quase 50 milhões de Iberófonos que vivem nos EUA. É uma fonia democrata, pois respeita o som das palavras. – (fonia vem da fonética que é o ramo da Linguística que estuda os sons da fala humana)

GEO-Comunidade – 1 cidadão, 2 línguas! Uma realidade, para breve.
Só os Iberófonos, hoje, representam 700 milhões de pessoas, nas terras mais ricas do planeta!

Para maiores informações contactar com Roberto Moreno
Tel.: (351) 966054441 – Skype: geolingua – e-mail: geo@geolingua.org
 
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Re: Está na moda aprender português
Psicólogo (seguir utilizador), 1 ponto , 3:55 | Terça feira, 22 de julho de 2008
As possibilidades de adoção como segundo idioma oficial no Mercosul e de obrigatoriedade nas escolas da América do Sul dão fôlego ao português brasileiro no continente
Adriana Natali
Lula e seus colegas do Mercosul: Nicanor Duarte Frutos(esq.), presidente do Paraguai até a posse de Fernando Lugo, em agosto; Hugo Chávez (centro), da Venezuela, e Evo Morales (dir.), da Bolívia: aproximação estratégica
Aos poucos, na surdina, o português brasileiro seduz a vizinhança. Na América do Sul, é candidato a segundo idioma de países de língua hispânica e virou referência nas relações comerciais do Mercosul. Na rabeira da tendência, expande-se o ensino do idioma na região.

Entre parceiros do Mercosul, é concreta a possibilidade de virar segunda língua oficial. O dado mais recente vem da Venezuela. Este ano, o governo de Hugo Chávez decidiu incluir a língua portuguesa, em 2009, no currículo oficial escolar, como disciplina opcional. A idéia é garantir a adoção da língua portuguesa como primeiro idioma estrangeiro no país. Lá, o português será incorporado ao currículo do sistema educacional bolivariano, em escolas primárias e secundárias. Outros países já colocaram em prática iniciativas similares (ver gráfico na página 32).
 
Lilian Pinho, da Divisão de Promoção da Língua Portuguesa do Ministério das Relações Exteriores, explica que os ministros da Educação do Mercosul adotaram programa de integração que prevê o ensino obrigatório do português como língua segunda nos países hispanófonos e do espanhol como segunda no Brasil.

Uruguai
No Uruguai, o português é ensinado nas redes secundária e primária, e está em processo de implantação a obrigatoriedade de ensino para os três últimos anos do ensino fundamental e os três primeiros anos do secundário. A variante brasileira do português já funciona, na prática, como a segunda língua da população uruguaia, por conta dos acordos do Mercosul. E, no norte do país, já é possível falar de uma sociedade bilíngüe espanhol-português.

De acordo com Ademar Seabra da Cruz Junior, chefe do Setor de Cooperação Acadêmica, Científica e Tecnológica da embaixada brasileira no Uruguai, o inglês pode nos próximos anos ser desbancado como a língua estrangeira mais difundida no país, embora hoje a relação quantitativa entre professores de português e de inglês no país seja favorável à língua de Bush.

- Há indícios de que essa correlação deve mudar no médio prazo, por causa da influência crescente do português no interior do país, sobretudo na faixa de fronteira, e o aumento exponencial dos investimentos brasileiros no Uruguai, que ultrapassaram inclusive os norte-americanos, no ano passado - explica Cruz Jr.

O português está em mais de cem escolas do Uruguai, a maioria públicas, que contam com centros de línguas estrangeiras, mantidos pela Administración Nacional de Educación Pública (Anep). Embora o ensino do português seja optativo, trata-se do idioma estrangeiro que mais tem interessado aos jovens da rede pública (ao lado do inglês), ao terem de incluir uma outra língua obrigatória em seu currículo. Dos 9.419 alunos que se inscreveram para aprendizado optativo de línguas estrangeiras em 2007, mais de 4 mil escolheram o nosso idioma.

Há uma tendência da Anep de tornar o ensino do português efetivamente obrigatório para as últimas séries do ensino primário e as primeiras do secundário, embora esse projeto enfrente dificuldades, devido à escassez de professores.

Argentina
Já na Argentina, tramita no Congresso um projeto de lei que torna obrigatória a oferta de português nas escolas secundárias e, nas províncias limítrofes ao Brasil, também em escolas primárias, por um período de oito anos. Segundo Lilian Pinho, o projeto foi aprovado na Cámara de Diputados de la Nación Argentina em novembro e se insere no marco do Convênio de Cooperação Educativa bilateral, de 1997.

Apesar de ainda estar em discussão no Congresso, a Argentina já firmou acordo com o Brasil para tornar o português um idioma oficial em seu país. Em novembro de 2005 foi assinado um protocolo entre os ministérios da Educação dos dois países para promoção do ensino do espanhol e do português como segundas línguas, o que prevê a formação de professores, por bolsas de estudo e educação a distância. O documento prevê convênios interinstitucionais (universidades e editoras) para produção de didáticos. O projeto, de abrangência nacional, por ora, está só no papel. Mas há regiões que já colocaram o ensino em prática. Em Buenos Aires, desde 2001, as escolas bilíngües são obrigadas a oferecer português, não só inglês. Na fronteira argentina, o português já é ensinado.

Argentina e Brasil lançaram em 2004 o projeto "Modelo de ensino comum em escolas de zona de fronteira", depois incorporado à agenda do Mercosul.

Paraguai
A Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI) e a Cooperação Andina de Fomento (CAF) estimulam a expansão das escolas de fronteira. E o Itamaraty e o Ministério da Educação paraguaio darão apoio (qual, não foi dito) à formação de professores de português que atendam às necessidades do ensino médio no país.

O português é ensinado nas escolas paraguaias de educação média (de 15 a 17 anos), de adultos (2º grau de alunos com mais de 20 anos) e em universidades. O Ministério da Educação local oferece às instituições de ensino a possibilidade de optar entre cinco línguas estrangeiras: alemão, francês, inglês, italiano e português. Segundo o MEC paraguaio, 76 instituições oferecem o português como língua estrangeira na educação média.

- Tendo por base a população estudantil paraguaia, em alguns casos o português é a terceira língua que o aluno adquire na sua formação - diz José Armando Zema de Resende, primeiro-secretário da Embaixada do Brasil em Assunção.

  O Ministério da Educação paraguaio estuda a criação, com apoio brasileiro, de um curso de "profesorado en lengua portuguesa", para educadores do ensino médio, além da licenciatura em português na Universidade Nacional de Assunção.

- A presença de uma grande comunidade brasileira no Paraguai, bem como a intensidade das relações comerciais entre o dois países, são importantes indicadores do interesse que desperta a língua portuguesa neste país - afirma Resende.

Em fevereiro foi inaugurado o Leitorado de Língua e Cultura Brasileira junto à Universidade Católica de Assunção, com o apoio da Capes e do MRE, mediante a seleção de um professor brasileiro incumbido de ensinar o português e divulgar a cultura brasileira no Paraguai.

Bolívia
Os bolivianos adotam o português como segunda língua nos Departamentos de Santa Cruz de La Sierra e Pando, em razão da proximidade geográfica. Na região do altiplano, as línguas aymar e quéchua são os segundos idiomas. Nas escolas, o português não é ensinado.

O Brasil já assinou acordos com o governo boliviano para fomentar o ensino da língua portuguesa no país e a embaixada do Brasil apóia projetos nesse sentido. Segundo Patrícia Cortes, membro do setor cultural da Embaixada do Brasil na Bolívia, em La Paz, o Centro de Estudos Brasileiros de lá é muito ativo e recebe cerca de 200 alunos por ano.

Em fevereiro do ano passado foi assinado, entre os governos, memorando de entendimento sobre cooperação educacional entre os dois países, que prevê intercâmbio e aperfeiçoamento de professores, estudantes e gestores educacionais, visitas às escolas brasileiras e bolivianas, seminários, eventos, troca de informações sobre sistemas e políticas educacionais, elaboração de projetos de cooperação técnica e apoio de organismos internacionais.

Para Patrícia Cortes, a importância da língua portuguesa no país é grande, dependendo da região geográfica. Porém, na questão comercial, ela se torna relativamente pequena, já que o comércio bilateral é mínimo e basicamente restrito ao gás, explorado pela Petrobras.

Chile
No Chile, o português não está no ensino fundamental e médio. No entanto, ensina-se o idioma em cursos livres e cursos técnicos, principalmente nas escolas de turismo. De acordo com Elisa Lopes, do Centro de Estudos Brasileiros (CEB), órgão vinculado à embaixada brasileira em Santiago, a instituição conta com 180 alunos matriculados até abril deste ano.

- A rede de CEBs constitui um dos principais instrumentos de execução da política cultural brasileira no exterior. No âmbito acadêmico, a língua portuguesa se encontra na Universidade de Santiago do Chile, único curso existente no país. Foi igualmente inaugurado, no ano passado, um leitorado de língua portuguesa, literatura e cultura brasileira, em nível de graduação, na Pontifícia Universidade Católica do Chile - afirma Elisa Lopes.

No contexto das intensas relações econômicas, políticas e culturais entre o Chile e o Brasil, está implícita a necessidade de uma integração lingüística.

- Com o incremento dos acordos e contatos entre ambos os governos, aumenta a conscientização de que falar portunhol já não é mais suficiente - explica Elisa.

Considerando o incremento das relações comerciais, priorizar a promoção da língua portuguesa tem se tornado fundamental não somente para atender às necessidades de comunicação, mas também para alcançar melhores resultados nos negócios.

Casa Rosada, sede do governo argentino: tramita no Congresso do país projeto de lei para tornar obrigatória a oferta de português em todas as escolas secundárias

Colômbia
Na Colômbia, entrou em vigor, em 2005, um memorando de entendimento dirigido ao ensino de português e de espanhol nas escolas públicas da região fronteiriça de Letícia e Tabatinga.

- A partir do acordo, decidiu-se que o ensino de espanhol em Tabatinga começaria a partir do primário, uma vez que as aulas de espanhol já estavam sendo ministradas nessa cidade há alguns anos. Em relação ao ensino do português em Letícia, o Instituto Cultural Brasil-Colômbia [Ibraco] comprometeu-se a formar aproximadamente 15 professores para dar aulas na Escola Normal de Letícia. Esse projeto se iniciou a partir de 2006, com cerca de 200 alunos - explica Beatriz Miranda Cortes, subdiretora acadêmica da Colômbia.

A formação dos professores é de quatro anos. Segundo Beatriz, com o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países nos últimos anos, os colombianos estão mais conscientes de que, para negociar com o Brasil, é fundamental falar português. Por outro lado, os estudantes colombianos estão cada vez mais interessados em estudar no Brasil. Nos últimos dois anos, aproximadamente 100 colombianos foram estudar no Brasil.

Comunicação continental
O bilingüismo no Cone Sul contribuiria para a eficiência de intercâmbios, não só comercial, mas científico e cultural.
 
- Com a globalização, os países monolíngües tendem a perder oportunidades de relações políticas e econômicas - afirma o professor de Lingüística e de Língua Portuguesa da Universidade São Judas Tadeu, Jairo Postal.

Para Fernanda Allegro, mestre em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e leitora (professora) do Ministério das Relações Exteriores em Buenos Aires, com a língua, transmitem-se a cultura, os costumes, a arte, as tradições, a literatura e a tecnologia do país.

- Há, na atualidade, um aumento no número de estudantes nos cursos de português como língua estrangeira em países como a Argentina e o Uruguai.

Como no mundo globalizado há tendência à supranacionalidade, o ensino de língua portuguesa constitui um instrumento de política externa. Com a ampliação do comércio exterior brasileiro, tendência crescente dos últimos anos, o potencial de influência da variante brasileira do idioma só tende a crescer.
 
 
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A Lingua é uma passagem
manuel.silvapassos (seguir utilizador), 1 ponto , 11:23 | Terça feira, 29 de julho de 2008
Em qualquer grande cidade deste mundo existem restaurantes brasileiro, potugueses, aficanos onde a comunidade lusofona reune para comer a feijoada, o bacalhau e a moamba, ouvir bossa nova, fado ou morna, etc... É bom entrar nesses restaurantes e ver laços de amizade entre pessoas de costumes tão diferentes e no entanto tão proximas.
A nossa lingua une continentes dantes separados por oceanos.
 
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