As aldeias coletivizadas da Checoslováquia nas últimas décadas do regime socialista, trazidas por um dos mais importantes fotógrafos documentais checos, Jindrich Streit.
Ao longo de 50 fotografias, "Jindrich Streit - Momentos de Vida", a exposição que hoje inaugura no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, faz-nos recuar até ao quotidiano das aldeias coletivizadas da Checoslováquia, na região da Morávia-Silésia, nas últimas décadas do regime socialista.
A inauguração da exposição decorre hoje às 19h, com apresentação de Jorge Listopad e a presença do fotógrafo Jindrich Streit, que amanhã às 14h30 conduzirá uma visita guiada à mostra.
Considerado como um dos mais importantes fotógrafos documentais checos, Jindrich Streit apresenta-nos imagens sombrias, marcadas por condições meteorológicas inóspitas mas também pelo desenraizamento das populações de aldeias de montanha, numa região fronteiriça da então Checoslováquia, próximo da zona onde o fotógrafo residia.
A aldeia coletivizada socialista
"No reduzido espaço de umas poucas localidades, (Jindrich Streit)conseguiu captar a aldeia coletivizada socialista do período do socialismo real, exprimindo a sensação da época e trazendo uma particular mensagem de autor sobre o destino do homem", refere o texto de apresentação da exposição apresentada no Arquivo Fotográfico Municipal, em parceria com a Embaixada da República Checa.
As imagens a preto e branco de Streitre retratam "os antigos sudetas, onde a população alemã, expulsa após a segunda guerra mundial, foi substituída por imigrantes de várias partes da república, muitas vezes das cidades, ou seja, na maioria dos casos pessoas com relação quebradas com as suas tradições", refere ainda o texto de apresentação.
Jindrich Streit nasceu em 1948 em Vsetín. Formou-se em Artes Plásticas, foi professor e diretor de escolas primárias em vilas da Morávia. Entre 1974-1977 estudou no Instituto de Fotografia Criativa. Em 1982 participou numa exposição proibida pelo regime socialista. Acabou preso e depois de sair da prisão as suas atividades foram vigiadas e reprimidas.
Atualmente leciona no curso de Fotografia Criativa na Faculdade de Filosofia e Ciências em Opava e é professor titulas da Academia de Artes, Arquitetura e Design de Praga.
A exposição é acompanhada pela exibição de um filme de 1990 sobre a obra de Streit do realizador Jan Spáta.
e não vi nada que as fotos mostram. Antes pelo contrário. Principalmente em Praga e em outras cidades que visitei respira-se cultura por todos os lados e o ambiente é muito agradável...
sendo que não estranhei nada. Primeiro, apesar do sombreamento, as pessoas parecem normais. Mostra um cotidiano comum e até bem interiorano. Como resido na zona rural, quando percorro as muitas estradas daqui, sempre vejo pessoas passeando, algumas no reboque de um trator que vira carro de passeio, outras de bicicleta, moto ou em automóveis, às vezes modelos antigos (10/15 anos atrás), nos supermecados, mercadinhos e bares, todos se conhecem, bebem à sombra de uma árvore ou na varanda, festejam nos muitos bailes e reuniões dançantes das paróquias católcas e luteranas, falando idiomas locais trazidos da Europa do século XIX, ou conversam animadamente nas reuniões promovidas pelo distrito etc. No plantio e na colheita, pela falta de ajudantes, a vizinhança faz as vezes num rodízio laboral e quase fraterno, causando estranheza às pessoas da cidade, acostumadas à reclusão do lar e indiferente à vizinhança. São fotos interessantes que, se o fotógrafo desejou mostrar algo diverso, para mim nada diz senão o que conheço por experiência própria, de viver no campo, em lugares afastados dos grandes centros. Rio Grande
Fotos a preto e branco cheias de sombreados para dar um ar tétrico, como convém.
Ao tempo daquelas fotografias, vejo homens mulheres e crianças bem vestidos e agasalhados. Vejo pessoas a sorrir. Enfim, vejo gente com um aspecto feliz, longe de ser indigente.
Naquele tempo, que é o meu quando era criança, os homens mulheres e crianças das aldeias de Portugal vestiam quase andrajosamente e eram subnutridos. Vestiam roupas velhas de cotim, com remendos nos fundilhos e nos joelhos das calças e camisas de estopa remendadas. Calçavam soletas de pau feitas pelos proprios a partir dum bocado de tábua Tinham um ar enfezado da subnutrição, ou pelo menos da nutrição pobre em proteínas. Os poucos que iam à escola, no meu caso, tinham que descer a montanha, atravessar o rio a vau no Inverno, subir a encosta e fazer o percurso inverso a meio da tarde, com o estomago vazio. O que desavergonhadamente se pretende mostrar são os "horrores" do comunismo. E em Portugal que vigorava o mais feroz anti-comunismo com o beneplácito da "santa madre igreja?"
(continua)
Em 1989 fizeram a revolução de veludo, libertaram-se do deprimente jugo comunista e formaram dois paises a Republica Checa e Eslováquia.
Fizeram reformas, privatizaram e estabeleceram uma economia capitalista.
Pelo que vi, pareceu-me ver gente feliz, familias, lazer, trabalho e abundância, etc... Afinal, a Checoslováquia era bem melhor no socialismo. Agora tem jeans, macdonald, gucci, armanoi e outros nojos, só que para alguns. Ah! Mas também tem concerteza drogfa, tráfico de mulheres, muito alcool e outras delicias importadas do ocidente. E alguns tipos muitissimo ricos.