23 de maio de 2013 às 21:41
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Espiões: Portugal acorda colombiano

Henrique Raposo (www.expresso.pt)

Estamos tão metidos no bailarico das contas e da dívida, que acabámos por não dar a devida atenção ao caso das secretas. O interesse público económico abafou o interesse público institucional. Um hábito muito português, diga-se. Mas vamos lá olhar para os factos que estão em cima da mesa: na semana passada, este jornal mostrou que um figurão da Ongoing conseguiu transformar os serviços de informação da República numa agência de detectives privados. Ora, isto é uma coisa sul-americana. O México aterrou nos nossos serviços de informação e nas instituições que deviam fiscalizar esses serviços.

Esta sucessão de casos não pode ficar em águas de bacalhau. Portugal é uma república da UE, não é um bocado da Colômbia que por acaso deu à costa no Atlântico Norte. De forma urgente, nós precisamos de repensar os modelos de fiscalização dos serviços, seguindo a deixa do PCP, por exemplo. Depois, as elites políticas e mediáticas têm de repensar a forma como os directores dos serviços são nomeados. Existe uma ligação demasiado próxima entre o cargo de primeiro-ministro e os chefões das secretas. E esta ligação umbilical não é própria da democracia . Além disto, esta questão leva-nos para uma possível partidarização das secretas. Se x foi nomeado pelo governo PS e se y foi nomeado por um governo PSD, é óbvio que x e y podem ficar presos nas tais clientelas partidárias. Pior ainda: em períodos de transição de poder, estas questiúnculas do bloco central podem dar cabo dos serviços de informação.

Moral da "estória": é fundamental tirar a nomeação dos directores das secretas da alçada dos governos. No nosso sistema político, a nomeação e fiscalização destes serviços podia perfeitamente cair sobre a alçada de Belém. O semipresidencialismo não é só para aparecer no Facebook.

 

PS: eu também gostava de ter um espião a servir de detective privado. Como é que isso se faz?

Comentários 36 Comentar
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Serviços Secretos
Tema já aqui abordado e crónica sem novidades. Não se pode fugir à verdade: OS SS SÃO AQUILO QUE O PODER POLÍTICO PRETENDE. Qualquer pessoa que se tenha debruçado sobre o assunto, tem conhecimentos suficientes para organizar uns serviços independentes, eficazes, sem influências partidárias e que mantenham a sua estrutura, com qualquer governo. A metodologia é conhecida há muitos anos, o recrutamento é feito com gente vinculada ao Estado (juízes, militares,polícias) que formarão o núcleo duro e haverá contratação de especialistas "civis" que só terão acesso às matérias com que trabalham. Não há saídas para a actividade privada, é gente que se reforma nos SS.
Os sistemas de fiscalização e controlo são igualmente conhecidos e, se necessário , é só copiar de países democráticos. Está tido feito. Só não é aplicado porque os políticos preferem ter uma pequena PIDE ao seu serviço, para saber os podres dos adversários e até para casos conjugais, como consta.
O presente PR não tem perfil para exigir ordem na capoeira, pois já devia ter chamado PGR e director dos SS e posto os pontos nos is. Prefere arranjar amigos no Facebook.
Pinto Monteiro no olho da rua Ver comentário
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Assassinos à solta e globalização.
Devia haver uma resolução da ONU para acordo mundial de extradição de modo a que os bandidos não se pudessem esconder sem ser apanhados, isto porque, neste momento vai-se ao Brasil, mata-se uma velhinha, fica-se com milhões e ainda se passa por uma pessoa séria.

O mundo ou é global e não permite refúgios ou então continua uma SELVA!

Re: Assassinos à solta e globalização. Ver comentário
Até nas "secretas" Sócrates ía nú.
O caso das "secretas" mostrou ,para quem tinha dúvidas, o estado a que chegou a governação Sócrates:total falta de respeito pelas coisas "sérias" do Estado e uma inqualificável prática abusiva de usurpação dos interesses públicos para o puro interesse privado. Silva Carvalho era o "cérebro" que fazia os desvios e os negócios.Está agora a ser julgado na praça pública.Oxalá sirva de exemplo para o futuro!
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Sócrates:a bancarrota,2 milhões de pobres Ver comentário
As Secretas na idiocracia lusitana
Parabéns, Henrique, por uma boa crónica. Até coube uma apreciação implícita ao trabalho dos comunas na Assembleia. Esses neo-retro-modernistas sempre sabem dar o seu contributo em democracia (por isso votei neles).

Apesar de concordar com o essencial da crónica gostaria de fazer duas observações:
1. Não fica bem «armar o pingarelho» com os sul americanos. São países com problemas graves, que se devem em larga medida à má vizinhança (EUA), tráfico de droga e guerrilhas. Todas as nações merecem respeito, e isso inclui o México e a Colômbia.

2. Não acho que as secretas devam ficar na dependência do PR. Penso que faz mais sentido a proposta do PCP, e ficarem na dependência da Assembleia. Seria mais seguro para todos nós a fiscalização fazer-se por um grupo heterogéneo.
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Espiões Portugal acorda colombiano
O Henrique tem razão, quem se interessa pelas secretas se a dispensa está a ficar vazia. Até pode ser grave o que aconteceu, mas fazer politica de barriga vazia não é propriamente muito agradável. Por outro lado a maioria dos cidadãos desconhecem a existência destas polícias e muito menos para que servem, ou melhor qual devia ser o seu objetivo. Não quero deixar de mencionar a sua importância e como exemplo dou o terrorismo, mas há muitos mais. Este tema até pode ser interessante mas não vai colher muitos comentários. O autor se quiser voltar aos tempos áureos quando falava mal de Sócrates, tem que começar a pensar em dizer mal de Passos, pois dentro em pouco é o que vai render. Ensinaram-me em pequenino que devemos aprender com os mais velhos. Veja-se o que já está a acontecer com Marques Mendes, Ferreira Leite, Graça Moura, Rui Rio, Mário Soares e até já alguns jornalistas que não se cansaram de andar com ele ao colo. É preciso ganhar a vida e nem sempre podemos fazer o que mais nos agrada.
Neste caso as "secretas" serviam a ongoing Ver comentário
Re: Neste caso as Ver comentário
'Espiões: Portugal acorda colombiano
"podia perfeitamente"...

Não perfeitamente. Se o caso das escutas de Belém mostrou alguma coisa é que também a presidência não é inocente nestes assuntos. E se numa situação em que os SS responderiam ao presidente, estes tivessem sido usados para passar os recados ao Público em vez de Fernando Lima, hoje o presidente estava destituído e desgraçado.

É preciso não esquecer as bases. Os serviços de informação servem para termos informações fiáveis que fortaleçam o país contra possíveis ameaças. Há muito tempo que a gama das informações consideradas necessárias incluem informação económica, assim como todas as outras vertentes, Um país pode ser atacado por qualquer via, e não só a militar. E responder a agressões pressupõe activos nacionais fortes. É natural que isto promova certas promiscuidades, uma vez que implica escolhas sobre o que se reforça.

Dada a natureza holística do assunto, é-me natural que quem usufrua e controle estas informações seja o governo. E para evitar abusos, também é natural que a fiscalização pertença ao parlamento. Como é que podia ser diferente? Veja-se a proposta de HR: como o governo não se mostra de confiança, entrega-se a fiscalização ao PR... mas não vivemos finalmente num regime "uma maioria, um governo, um presidente"? A solução de HR seria mais do mesmo ou pior. A fiscalização parlamentar é a única que inclui nela todas as forças parlamentares mesmo as que não pertencem à maioria, a única que evita a partidarização da maioria.
Plenamente de acordo!!!!! Ver comentário
Passei a dormir descansado
É verdade. Dei uma “volta” pelos conhecidos e confirmei: não conheço nenhum gabiru, ligado às malévolas intenções da privatização da RTP.

Bairrão, tipos (todos) da Ongoing e família Relvas, estão lixados. É que já estava a ver a rapaziada do Expresso, Visão e afins, a escalpelizar os pecadilhos que cometi. Ou os que possa cometer. Ou os que pareçam poder vir a cometer. Ou que os meus amigos possam ter cometido. Ou mesmo o que o padrinho de casamento do primo do meu amigo, tenha cometido.

E neste momento, o anseio nacional é que as “secretas” actuem na legalidade. Ora como agem na zona cinzenta da legalidade, vulgarmente conhecida como ilegalidade, representa que as secretas deixem de o ser.

Já estou a ver: “Vas.Exas. dão licença que escute a v/conversa?”; “espero, não se importe que pela sorrelfa lhe veja os papéis?”

Mas ando inquieto por não saber para que serve o SST (serviço secreto tuga). O agente informa: “o político angolano “X” não gosta de nós” - O que fazemos com tal informação?

Damos-lhe um tiro? Corrompemo-lo? Fazemos queixinhas ao JES? Proporcionamos um engate com alguém que tenha herpes? Ou enviamos um submarino a Luanda e enfiamos-lhe com um torpedo quando ele for ao Mussulo?

Ou a informação será útil ao empresário: “olha, a esse tens que dar mais algum, porque ele não gosta de nós”

Porque como isto está, tenho a certeza: ninguém nos vai invadir e o mais provavel é que fujam

PS. Um segredo: não percebo nada de “secretas”
Tapar a crise....
Os serviços de informação de Portugal estão a servir de bode expiatório para que as medidas do Governo, no que respeita ao controle da crise, apanhem os Portugueses distraídos.
SE vermos bem as informações que saltaram do tal secretismo do Estado são informações que não põem a segurança do mesmo em perigo, de maneira nenhuma! São informações que apenas têm servido para a luta pelo poder dos ansiosos boys!
SE as tais informações ditas secretas, que até agora conhecemos, constituiam processos de investigação com carimbo SECRETO, diria, condenando os seus responsáveis, que havia um uso abusivo e consequente banalização do carimbo e mais diria que os serviços de informação não tinham nada que fazer. O que não é o caso.
Mas vamos um pouco mais longe desta história de encher chouriços e para distrair o pagode. O nosso primeiro ministro reclama e exigiu por uma averiguação/investigação/auditoria atenta e cuidada não só para detectar quem foi o autor das fugas de informação como também de quem partiu a solicitação ou a iniciativa de se fazerem/obterem determinadas informações (devassa da vida privada)! Sabemos que um dos assessores de Silva Carvalho foi sumáriamente despedido por aquilo que já se aporou! Isto leva-me a formalizar uma pergunta ao Sr. 1º Ministro Passos Coelho:
Quando é que o Sr. Primeiro Ministro pede a demissão já que partiu de si a iniciativa de se fazer uma investigação à vida de Bernardo Bairrão?
- E' tempo de repensar -

Gentile Signor Enrico,

Estou mortificado mas não posso ajudá-lo na procura dum espião.

Conheço muitos malfeitores mas nenhum espião pelo momento.

À parte esta introdução burlesca, concordo em pleno com que disse.
Aqui arrisca-se a divulgar secretas demais importantes, que tais devem restar.
Há uma confusão total dos papéis, umas ligações particulares que não me agradam.
O interesse do País vem antes dos interesses particulares. Basta de clientelas partidárias, de nominações não muito claras, etc.

Não estamos a jogar um desafio de futebol, estamos falando na segurança de Portugal.

Anthos
DETECTIVE PRIVADO,PRECISA-SE.
Eu posso dar uma ajuda. A cada passo encontro nos jornais detectives privados que oferecem os seus serviços. Parece-me,no entanto, que é necessário pagar-lhes. Dado que o H.R. abomina tanto o que é público, não me parece que haja qualquer inconveniente em remunerar tais criaturas pelo custo dos trabalhos que venham a efectuar...
Re: DETECTIVE PRIVADO,PRECISA-SE. Ver comentário
!
ora raposo quem dera que Pt tivesse algumas coisas da Colombia, como o territorio q é umas 15 vezes maior, um mercado interno 5 x maior e uma economia q é o dobro da portuguesa, e mesmo com terrorismo a Colombia é viável e tem um aeconomia já Pt tem o raposinho que escreve no Expresso mais as pêras, rolhas e as azeitonas.....
Re: ! Ver comentário
Sinceramente...
Acordar colombiano? América do Sul? Como é possível que numa republica da UE seja dado tempo de antena ao preconceito e ao desprezismo em relação às outras culturas? Se queremos ser exemplo tem de ser pela positiva criticando todos os roubos e calamidades criadas no nosso país e não comparar com uma Republica onde a promiscuidade entre estado e privado é considerado crime... Talvez isso seja algo desconhecido... Mas pronto a cultura e informação são globais e disponíveis a todos que a procurem... Sinceramente...
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