18 de maio de 2013 às 23:00
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Espanha: Rubalcaba propõe extensão até 2015 dos planos de ajustamento

O candidato do PSOE (ainda no governo) no debate com o candidato do Partido Popular propôs às entidades europeias uma mudança de estratégia face à crise da dívida. Alfredo Rubalcaba e Mariano Rajoy enfrentaram-se num cara a cara de 100 minutos na campanha para as eleições legislativas espanholas de 20 de novembro

Jorge Nascimento Rodrigues (www.expresso.pt)
Alfredo Perez Rubalcaba, candidato do PSOE Reuters Alfredo Perez Rubalcaba, candidato do PSOE

Alfredo Pérez Rubalcaba, o candidato socialista às eleições de 20 de novembro em Espanha, fez três propostas de mudança de estratégia europeia face à crise das dívidas soberanas na zona euro durante o debate eleitoral com Mariano Rajoy, o candidato de direita, que decorreu segunda-feira (7 de novembro) à noite durante 100 minutos.

A primeira - e que mais eco já está a ter na imprensa internacional - é a proposta de Rubalcaba para que os programas de ajustamento tenham uma extensão temporal de mais dois anos, que o prazo de execução seja estendido até 2015.

Ganhar mais dois anos


A intenção é que os programas de austeridade - quer nos países já com planos de resgate por intervenção da troika como nos outros com situações críticas, como Espanha ou Itália - possam ser "amaciados" no seu impacto depressivo brutal na economia, ganhando alguma margem de manobra temporal, com mais dois anos. "Só com reajustamento, não chegamos lá", disse o líder socialista.

O candidato do PSOE - partido socialista que ainda está no governo - propôs, ainda, que o Banco Central Europeu adote, a partir de agora, claramente uma política de baixa das taxas de juro de referência e que o Banco Europeu de Investimentos lance o que designou como "Plano Marshall"(uma expressão já usada pelo presidente francês Sarkozy) em direção sobretudo às Pequenas e Médias Empresa utilizando disponibilidades de financiamento na ordem dos €70 mil milhões.

Muito "localismo", pouca dimensão europeia


Num debate muito centrado em temas "localistas" - como classificou um dos analistas espanhóis que comentaram o "Cara a Cara" organizado pela Academia da TV em Madrid -, a questão de quais as políticas europeias face à crise que defenderá o futuro governo de Espanha a sair das eleições de 20 de novembro acabou por não ter grande seguimento por parte de Mariano Rajoy, o candidato a primeiro-ministro por parte do Partido Popular (PP), atualmente na oposição.

Segundo vários analistas, esse seria um ponto capital - a dimensão europeia da resolução das crises da dívida é dominante, como demonstra toda a sua evolução desde o final de 2009.

O debate acabou por ter pontos de maior contundência em torno das questões da diminuição do subsídio do desemprego, dos ativos tóxicos dos bancos, da eliminação da extensão aos trabalhadores das PME dos acordos coletivos, da reforma das pensões e do sistema de capitalização, bem como das políticas seguidas por comunidades autónomas lideradas pelo PP em termos de saúde pública e privada.

Rubalcaba adotou a estratégia de questionar concretamente Rajoy para explicar partes do programa do PP. Rajoy, por seu lado, ao longo de todo o debate, optou por não esclarecer as ambiguidades do seu próprio programa em matéria económica e social, centrando a crítica na "herança" pesada - nomeadamente os 5 milhões de desempregados - que o adversário tem às costas pelos resultados da governação do PSOE nos últimos anos de gestão da crise.

Propostas sobre impostos


Rubalcaba apresentou, ainda, mais duas propostas - um imposto sobre as grandes fortunas e o aumento dos impostos aos bancos, citando que outros países europeus também o defendem.

Rajoy repetiu, lendo os papéis que espalhara em cima da mesa, que tem um "plano" para uma política de austeridade e que o seu principal objetivo é voltar a criar emprego em Espanha. De concreto, adiantou como propostas que o IVA só deverá ser pago ao fisco depois das faturas serem efetivamente cobradas e que os contribuintes poderão fazer encontros de contas com o Estado. Adiantou benefícios fiscais e nas contribuições sociais para a criação de emprego e falou até de business angels e de capital semente. Ao ataque de Rubalcaba sobre as pensões, Rajoy respondeu que manterá "o [seu] poder aquisitivo" e que não irá "congelar" as pensões.

O debate foi seguido por 700 jornalistas de todo o mundo e decorreu no Palácio Municipal de Congressos de Madrid.

Juros da dívida continuam a subir


O dia em que este debate se travou não foi brilhante para a situação de Espanha nos mercados da dívida. A sua situação de crédito continuou a deteriorar-se.

As yields (uma taxa de rentabilidade) das obrigações espanholas a 10 anos subiram no mercado secundário para 5,63% e a tendência de alta do que vulgarmente é designado por juros da dívida verificou-se em todas as naturidades, segundo dados da Bloomberg.

Por outro lado, a probabilidade de incumprimento da dívida espanhola subiu em relação ao valor de fecho de sexta-feira e Espanha mantém-se no 10º lugar do "clube da bancarrota" (TOP 10 dos países com maior risco de default), segundo dados da CMA DataVision. O custo dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) ligados à dívida espanhola mantém-se próximos dos 400 pontos base.

 

Comentários 4 Comentar
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Espanha Rubalcaba propõe extensão até 2015
Eu já vi este filme pelo menos duas ou três vezes. Na Oposição sabem como governar e onde cortar e aumentar, no governo é que não. Na verdade faz lembrar aquele o truque mais velho do Mundo e que continua a dar resultado. As pessoas acreditam, porque querem acreditar, pois a esperança é a última a morrer. Foi assim que muita donzela se perdeu em tempos que já lá vão. Até podem mudar de governo de primeiro ministro e de cor todos os meses, mas o problema vai continuar e infelizmente até agravar. Foi assim na Irlanda, em Portugal e será assim na Itália, na Espanha, na França e em todos os mais. O vinho doce que prometem antes das eleições vai azedar logo a seguir. O alargamento do reajustamento chegou-se à conclusão que faz parte do interesse de devedores e credores.

http://www.youtube.com/wa...

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Re: Espanha Rubalcaba propõe extensão até 2015 Ver comentário
Re: Espanha Rubalcaba propõe extensão até 2015 Ver comentário
A incompetência é mesmo global
..não há mais nada a fazer

Então, então , então ..

...a Espanha não estava no bom caminho ?
...não tinha ela uma situação completamente diferente da GR,PT,IT ?
... não tinha já feito as reformas necessárias ?

bem p'los vistos não, e vendo-se apertada....lá vai pedir uma ajudita... mais dois anitos até aos famosos criterios de estabilidade.

Podemos considerar isto, como se fosse um super-micro-defaultezinho...

...julgo que se for essa a solução anda estão a agravar mais o problema.

- vão tomar medidas mais suaves e menos drasticas
- vão aumentar a divida ( porque o deficit continua por mais dois anos )
- vão permitir que os juros cheguem aníveis incomportáveis.

e hoje com a noticia do Signori....vão apanhar uma boleia por arrasto na onda de Italia que vai ser bonito de ver.
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