| Euro-2012 |
Espanha passa a prova dos nove com um bis do 9
A Espanha tinha uma autêntica prova dos nove após o empate com a Itália mas passou com distinção. E com a ajuda do 9, Fernando Torres, o avançado centro que muitos criticaram ter ficado no banco na primeira jornada e que fez jus aos pedidos com dois golos. Como este futebol espanhol parece matemática, dois e dois são sempre quatro. Neste caso, 4-0, a conta que David Silva e Fàbregas também ajudaram a fazer.
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Já a Rep. Irlanda, orientada por uma Velha Raposa (Giovanni Trapattoni), acabou por ser uma presa demasiado fácil para os espanhóis, sobretudo quando, nos últimos quatro jogos entre ambos, tinha somado apenas uma derrota. O treinador transalpino pediu chuva e teve. Sobretudo de golos, na baliza defendida por Shay Given (o melhor da equipa). Agora deve estar à espera de bom tempo - é que, após o encontro com a Itália, os irlandeses dizem bye bye à competição e entram de férias...
O MINUTO 49', o golo de David Silva. A Espanha estava em vantagem, dominava por completo mas com estas equipas britânicas nunca é de fiar: um canto, um livre ou até mesmo um cruzamento meio trapalhão podem valer um golo. Ou, neste caso, um empate literalmente caído do céu. Mas o golo do médio-ofensivo do Manchester City acabou com as ténues esperanças que ainda existissem. Abriu até o caminho para a goleada
O MOMENTO Trapattoni tinha recordado o feito do Chelsea para parar o Barcelona: defender bem, com linhas recuadas, e tentar esticar o jogo em transições rápidas que apanhassem os espanhóis descompensados. A Velha Raposa só se esqueceu de um pormenor: adiar ao máximo o primeiro golo espanhol. Aos 4', Torres já tinha marcado o golo mais rápido da Roja em fases finais do Euro. E a estratégia logo caiu...
O HERÓI Por incrível que pareça, Shay Given, o guarda-redes da Rep. Irlanda. Pouco ou nada poderia fazer nos golos sofridos e ainda evitou que a equipa saísse de campo com um cabaz à antiga. Porque se estivesse tão desinspirado como a sua defesa, a humilhação era maior
A ESTRELA Fernando Torres, que voltou a ser o 'El Niño' que abre espaços, sai bem para tabelar e... marca golos. Foram dois, podiam ser outros tantos, e a referência ofensiva que a Roja precisava depois da lesão de David Villa parece estar de volta. Assim sim: a Espanha pode assumir-se a 100% como candidata ao título. Agora não lhe falta nada
O JOKER Iniesta, o mágico que faz fintas em espaços mais pequenos que cabines telefónicas e que voltou a ser um dos melhores da formação espanhola. Faltou, apenas, o golo e não foi por não tentar - Shay Given é que não deixou. Afinal, ele é o herói que decidiu o Mundial e quem sabe nunca esquece. Mas mais importante que tudo, parece estar acima do único adversário que o consegue parar: as lesões
O VILÃO St. Ledger. Tem tanto de culpado (por deixar passar os espanhóis e ser impotente para travar a avalanche ofensiva da Roja) como de inocente (como diz o provérbio, quem dá o que tem a mais não é obrigado) mas o veredito não deixa margem para dúvidas: esteve ligado à má prestação irlandesa. Aliás, a forma como David Silva deitou o central do Leicester - que até marcou o único golo da equipa neste Euro-2012 - no lance do segundo golo só serve, quanto muito, para a atenuar a pena...
O SEGREDO A Espanha colocar um avançado em cunha. O escolhido, desta vez, foi Torres, mas poderia ser Llorente ou Negredo - a Espanha precisa mesmo de ter uma referência que dê o toque final ao espetáculo do 'tiki- taka' a meio-campo. Mesmo que, para isso, tenha de deixar Fàbregas no banco: quando se tem tanta qualidade, há sempre esse risco...
O ERRO A Rep. Irlanda é, de longe, a equipa com mais limitações do grupo C. E se a diferença com a Croácia já tinha sido evidente, com a Espanha nem se fala (até porque não há palavras para descrever). Mas também tem tendências masoquistas - sofrer golos no início da primeira e da segunda parte em dois jogos seguidos é puxar o infortúnio...
O NÚMERO 26, o número de remates de Espanha, 20 dos quais enquadrados com a baliza de Shay Given. Às vezes não quer dizer nada (a Holanda fez 28 contra a Dinamarca e perdeu, mas neste caso significou tudo - um domínio avassalador sobre os britânicos
O ACONTECIMENTO Pedro Proença estreou-se no Euro-2012, depois de ter ficado na bancada durante a 1.ª jornada. E numa partida sem problemas de maior, conseguiu dar nas vistas numa jogada digna dos melhores 'apanhados' da competição: distraiu-se e atropelou Andrews, originando uma situação de golo no seguimento para a Espanha (35')...
O AMANHÃ No caso da Rep. Irlanda, é simples: joga com a Itália e... bye bye de regresso a casa. Já a Espanha assegura logo a qualificação para os 'quartos' em primeiro lugar do grupo caso vença a Croácia; o empate, se a Itália ganhar, fará com que tudo seja decidido no 'goal average'; a derrota, mais uma vez se os transalpinos ganharem, afasta a campeã
FICHA DE JOGO Estádio Arena de Gdansk (Polónia). Árbitro: Pedro Proença (Portugal). Espanha: Casillas; Arbeloa, Sergio Ramos, Piqué, Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso (Javi Martínez, 65'), Xavi; David Silva, Iniesta (Cazorla, 80') e Torres (Fàbregas, 70'). Treinador: Vicente del Bosque. Rep. Irlanda: Shay Given; O'Shea, Dunne, St. Ledger, Ward; Whelan (Green, 80'), Andrews, McGeady, Duff (McClean, 76'); Keane e Cox (Walters, 46'). Treinador: Giovanni Trapattoni. Golos: 1-0, Torres (4'); 2-0, David Silva (49'); 3-0, Torres (70'); 4-0, Fàbregas (83'). Cartões amarelos: Keane (36'), Whelan (45+1') e Xabi Alonso (54'), Javi Martínez (76') e St. Ledger (84')


EPA
Fernando Torres, o avançado centro que muitos criticaram ter ficado no banco na primeira jornada
