Espanha: juros da dívida fecham acima de 6%
Desde final de novembro que os juros das obrigações espanholas a 10 anos não fechavam acima desta barreira. Risco de incumprimento subiu para mais de 36%.
Espanha continua a estar em destaque nos mercados da dívida. As yields (juros) das obrigações espanholas a 10 anos abriram acima de 6% no mercado secundário, segundo dados da Bloomberg. Viriam a fechar em 6.07%. Na sexta-feira fecharam em 5,98%.
Esta barreira foi ultrapassada entre meados e final de novembro e anteriormente durante a crise de meados de julho a começo de agosto do ano passado. O máximo atingido em valor de fecho ocorreu em 25 de novembro com os juros a atingir os 6,7%, às portas da barreira crítica dos 7% (considerada ponto de não retorno para um pedido de plano de resgate).
BCE vai intervir?
Responsáveis do Banco Central Europeu (BCE) já referiram que Frankfurt poderá regressar a uma intervenção massiva no mercado secundário adquirindo obrigações espanholas através do programa conhecido pela sigla SMP. Segundo analistas do Bankinter, citados pelo El Economista, o BCE só intervirá se a barreira dos 7% for galgada. "O BCE já interveio na semana passada quando os juros tocaram próximo de 6%. Não creio que possam dexiar de intervir quando esse limiar [de 7%] for atingido, pois entraríamos em um ciclo que dificilmente conseguiriam conter", afirma Alberto Montero Soler, professor na Universidade de Málaga e que virá, esta semana, a Coimbra para uma conferência sobre o futuro da zona euro. Soler é autor do blogue "La otra Economía". Por seu lado, Santiago Niño Becerra, professor da Universidade Ramón Llull, de Barcelona, ironiza: "É a pergunta bilionária, pois 7% é o ponto de não retorno, segundo dizem. Ao ritmo que as coisas estão, em dez dias chegamos a esse patamar. Nada como mudar a definição de desastre, a fim de desdramatizar os 7%".
Acompanhando esta tendência altista nos juros dos títulos, a probabilidade de entrada em incumprimento de Espanha subiu para 36,15%, depois de ter fechado em 35,79% na sexta-feira passada e ter atingido um máximo histórico no preço dos credit default swaps (seguros contra o risco de default) acima de 500 pontos base, segundo dados da CMA DataVision. No final da semana passada fechou em 502,48 pontos base e hoje fechou em 510,58 pontos base.
O prémio de risco da dívida espanhola em relação à dívida alemã subiu para 4,35 pontos percentuais.
A alta dos juros e do risco em Espanha é secundada pela subida pelos juros das obrigações portuguesas (que fecharam em 12,68% no prazo a 10 anos) e dos títulos italianos (que fecharam em 5,59% no prazo a 10 anos). O prémio de risco da dívida portuguesa subiu para 10,96 pontos percentuais (sexta-feira fechara em 10,82) e o da dívida italiana para 3,88 pontos percentuais (sexta-feira fechara em 3,79).
Duas emissões de dívida esta semana
O ministro da Economia do governo espanhol, Luís de Guindos, reuniu hoje em Paris com banqueiros franceses e amanhã segue para Dusseldorf e Frankfurt, para reuniões com entidades financeiras alemãs e com Mário Draghi, presidente do BCE.
O Tesouro espanhol lança esta semana dois leilões de dívida, um de bilhetes de Tesouro a 12 e 18 meses amanhã e outro de obrigações a 2 e a 10 anos na quinta-feira, duas emissões que vão ser seguidas de muito perto.



