Espanha à espera do Eurogrupo com juros no vermelho
Jean-Claude Juncker convocou os 17 ministros das Finanças da zona euro por teleconferência para as 11 horas (de Portugal). Único ponto na agenda: os termos do memorando para o resgate "sectorial" a Espanha. Obrigações espanholas a 10 anos continuam acima dos 7%.
As yields (juros) das obrigações espanholas no prazo a 10 anos continuam acima da linha vermelha dos 7%, segundo dados da Bloomberg.
Os jornais espanhóis seguem hoje de manhã a par e passo o comportamento destes juros e do prémio de risco (diferencial em relação aos juros dos títulos alemães), em simultâneo com o impacto das manifestações de ontem por toda a Espanha.
Os espanhóis vivem um compasso de espera em relação à reunião por teleconferência do Eurogrupo - 17 ministros das Finanças da zona euro - convocada para o meio dia (de Bruxelas, 11 horas em Portugal) pelo seu presidente, o luxemburguês Jean-Claude Juncker.
O único ponto da agenda são os termos do Memorando de Entendimento (em inglês conhecido pelo acrónimo MoU) com Espanha sobre o plano de resgate "sectorial" à banca, cujo teto foi fixado, na reunião de 9 de julho, em 100 mil milhões de euros. Os investidores internacionais realizarão uma análise atenta dos pontos do MoU que forem divulgados esta tarde.
Entretanto, em Madrid está reunido o Conselho de Ministros.
O parlamento finlandês deverá aprovar os termos do acordo (depois de ter negociado um acordo bilateral com o governo espanhol para garantias em numerário em relação à parte finlandesa no resgate), depois do Bundestag (a Câmara Baixa do Parlamento federal alemão) ter aprovado ontem por 473 votos (contra 97 e 13 abstenções) os termos desse empréstimo. A chanceler Ângela Merkel e o seu ministro das Finanças Wolfgang Schauble garantiram o apoio de 301 dos deputados que apoiam a coligação afirmando que o Estado espanhol será responsável pelo empréstimo "sectorial".
Recorde-se que, ontem, correu mal a emissão de dívida pelo Tesouro Público espanhol, como referimos, e que o clima político aqueceu em 80 cidades espanholas face ao pacote de austeridade de Mariano Rajoy. Hoje o caricaturista El Roto ilustra o seu desenho no jornal El País com o título: "Deixe de me salvar que me afoga!".
O que fica em carteira
Continuam em carteira pontos imediatos na agenda que só deverão ser discutidos em setembro. A reunião formal do Eurogrupo está convocada para 14 de setembro em Nicósia (Chipre).
Esses temas imediatos são os seguintes: decisão final sobre a entrada em vigor do Mecanismo Europeu de Estabilidade (que já deveria estar operacional a partir de 9 de julho), que aguarda o acórdão do Tribunal Constitucional federal alemão (que só será dado no início de setembro); renegociação dos termos do MoU com a Grécia (cujo relatório preliminar do Eurogrupo foi adiado para setembro); termos do MoU com Chipre que negoceia financiamentos junto de Bruxelas e da Rússia e China; e revisão do MoU com a Irlanda no que respeita ao esquema de promissórias que o governo de Dublin foi obrigado a aceitar aquando da imposição do plano de resgate.
Entretanto, uma solução técnica de financiamento de "ponte" para Atenas durante o mês de agosto está em estudo na União Europeia.
Alguns analistas falam da probabilidade de novas reuniões de emergência, antes de setembro, em pleno verão, estragando as férias dos políticos europeus, em virtude da evolução da situação em Espanha e na Itália, do cansaço do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Central Europeu e da fadiga nos mercados da dívida soberana face ao adiamento de concretização de medidas por parte dos decisores da zona euro. O FMI alertou, em documentos recentes, que o pior que poderá acontecer será a convergência do agravamento de uma crise na zona euro com o disparo de nova vaga de turbulência nos EUA em torno do teto da dívida e do chamado penhasco orçamental.



