"Não acho que o Presidente tenha nada a ver com esta campanha, nem se mete em campanhas", afirmou o líder socialista, ontem à noite, à SIC, quando se preparava para intervir no comício em Braga.
Perante a insistência na questão, Sócrates respondeu: "Acho que todos os partidos devem pedalar a sua bicicleta, acho que o Presidente da República não se deixa instrumentalizar".
O secretário-geral do PS já afirmara ao início da tarde que o caso das "escutas" pode esperar para ser esclarecido após as eleições legislativas: "O meu dever é concentrar-me na campanha. Li a notícia [publicada no Diário de Notícias] com muita surpresa, mas acho que esta matéria pode esperar", declarou José Sócrates à RTP, à entrada para um almoço de campanha em Famalicão.
Na mesma ocasião, Sócrates foi confrontado com declarações do director do "Público", José Manuel Fernandes, de que os serviços de informações poderiam ter violado a correspondência entre dois jornalistas.
"O senhor director do Público tem uma imaginação muito fantasiosa", declarou o líder do PS.
Sócrates foi à festa de Belmiro
Ao final da tarde, antes do comício de Braga, Sócrates ainda encontrou tempo para fazer uma visita breve à festa de aniversário da Sonae, de Belmiro de Azevedo, proprietário do jornal Público.
Convidado há várias semanas, Sócrates só ontem confirmou a presença no evento - que por isso não constava da habitual agenda transmitida à comunicação social.
Curiosamente, no mesmo dia em que Belmiro de Azevedo, a propósito da controvérsia das escutas, recomendara à redacção do Público que "não se deixe assustar por opiniões um bocado desastradas de alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro nenhum".
"Não me importo nada que eles mandem, mas comprem o jornal", afirmou, com um sorriso irónico, o presidente não executivo da Sonae.