25/05/2012 atualizado às 8:48
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Escutas deviam ter sido destruídas

Quem o diz é Amílcar Fernandes, advogado de Valentim Loureiro, que lamenta que as escutas do seu cliente ainda não tenham sido destruídas, porque a sua divulgação "viola a intimidade" dos escutados.

14:01 Quinta feira, 21 de janeiro de 2010

O advogado de Valentim Loureiro lamentou hoje que as escutas ao seu cliente no âmbito do processo Apito Dourado ainda não tenham sido destruídas e afirmou que a divulgação das conversas no YouTube "viola a intimidade" das pessoas escutadas.  
 
"Na minha opinião [as escutas] já deveriam ter sido destruídas. A sua divulgação viola a intimidade da pessoa", afirmou Amílcar Fernandes.  
 
O causídico confirmou que alguns colegas que trabalharam no caso Apito Dourado e processos conexos requereram cópias das escutas em áudio, mas disse não ter sido o seu caso.  

Investigação para apurar responsabilidades 


Amílcar Fernandes afirmou que deve avançar uma investigação para "encontrar pistas" sobre a responsabilidade pela divulgação das escutas, acrescentando que não recebeu qualquer instrução do seu cliente nesse sentido.  
 
Na sua perspectiva, uma eventual investigação não deve excluir os titulares dos processos e os próprios advogados que pediram cópias das gravações.
 
Escutas de conversas entre arguidos do processo Apito Dourado, nomeadamente o presidente do Futebol Clube do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, e o presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, foram colocadas no YouTube, um site de divulgação áudio e vídeo de acesso livre.  

Pinto da Costa vai apresentar queixa-crime 


Pinto da Costa anunciou que vai apresentar já hoje uma queixa-crime no Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, enquanto o procurador-geral da República informou que vai abrir "hoje mesmo" um inquérito à divulgação das escutas telefónicas divulgadas na Internet.  
 
O actual Código do Processo Penal refere que a divulgação dos conteúdos das escutas só pode efectuar-se com autorização da pessoa nelas visada, mesmo depois dos processos terem transitado em julgado e não estarem mais sob segredo de justiça.  
 
Entre os oitos excertos das escutas divulgadas contam-se algumas relativas ao chamado "caso da fruta", reportado ao jogo entre o FC Porto e Estrela da Amadora, na época de 2003/04, encontro arbitrado por Jacinto Paixão, um processo cujo arquivamento foi confirmado pelo Tribunal da Relação do Porto.  

"Caso da fruta" foi arquivado 


A instância de recurso manteve na íntegra a decisão do Tribunal de Instrução Criminal que considerou pouco credíveis os depoimentos de Carolina Salgado.
 
O Ministério Público sustentava que teriam sido fornecidas prostitutas à equipa de arbitragem e que lhe teria sido propiciado um jantar como contrapartida por violação das regras de jogo naquela partida.  
 
Outras escutas relacionam-se com o "caso do envelope".  

Pinto da Costa foi absolvido no "caso do envelope" 


Em causa estava a acusação de que Pinto da Costa entregara um envelope com dinheiro (2500 euros) ao árbitro Augusto Duarte dias antes do jogo Beira-Mar-FC Porto, da época 2003/2004, que viria a terminar 0-0.  
 
Pinto da Costa e os restantes arguidos foram absolvidos em primeira instância e o Tribunal da Relação do Porto veio a rejeitar os três recursos interpostos pelo Ministério Público.  
 
Desta decisão há recurso para o Supremo Tribunal, mas apenas em relação a matéria de direito.  
 
Valentim Loureiro, enquanto presidente da Assembleia-geral da Liga de Clubes, o empresário António Araújo, o administrador da SAD do FC Porto Antero Henriques, o ex-líder da arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, Pinto de Sousa e o árbitro Jacinto Paixão são interlocutores das conversas divulgadas. 

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Destruidas?
Vidiguera1 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:16 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
Claro que sim! Deveriam ter sido destruídas. Porque agora, a maioria dos portugueses interroga-se como a nossa justiça arquiva processos destes. E a confiança na Justiça decresce a olhos vistos. Brada aos céus mandar destruir estas escutas sem antes castigar os intervenientes.
Contar-se-ão pelos dedos os que ainda acreditam que a Justiça é cega. Viva Portugal..... mas Portugal dos portugueses.
 
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