25/05/2012 atualizado às 7:54
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Educação

Escolas passam a definir prazos da avaliação dos professores

O Ministério da Educação decidiu alterar novamente os prazos para as escolas produzirem instrumentos de registo e para os professores definirem objectivos individuais para os anos lectivos de 2007 a 2009, no âmbito do processo de avaliação de desempenho.

11:20 Domingo, 10 de fevereiro de 2008
Professores pretendem "uma avaliação transparente e objectiva que recompense quem trabalha mais"
Professores pretendem "uma avaliação transparente e objectiva que recompense quem trabalha mais"
Rui Duarte Silva

Reconhecendo as dificuldades dos estabelecimentos de ensino no cumprimento daqueles prazos, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, afirmou sábado à Lusa que não faz sentido "comprometer todo o processo por causa dos prazos intermédios".

De acordo com estes prazos, as escolas tinham até 25 de Fevereiro para aprovar os instrumentos de registo e de medida, e os docentes até 10 de Março para estabelecer os seus objectivos individuais para os anos lectivos 2007/08 e 2008/09, já que a avaliação de desempenho realiza-se de dois em dois anos, segundo o Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Depois de uma reunião entre a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, e os secretários de Estado Valter Lemos e Jorge Pedreira com o Conselho das Escolas, órgão consultivo do Ministério da Educação (ME), a tutela decidiu sábado que as escolas poderão fixar os seus próprios prazos.

"Mediante decisão fundamentada das direcções executivas, ouvidos os conselhos pedagógicos, fixar os seus próprios prazos para a realização daquela avaliação", referiu o Ministério da Educação.

"Desde que estes não ponham em causa o cumprimento das regras da avaliação, designadamente os direitos, os deveres e os períodos objecto de avaliação", acrescenta o ME, em comunicado divulgado sábado à noite.

Polémica sobre o desempenho dos professores 

A polémica em torno da avaliação de desempenho dos docentes começou a 10 de Janeiro, quando foi publicado o decreto regulamentar sobre esta matéria.

Este documento, estipulava que nos primeiros 20 dias úteis após a sua entrada em vigor as escolas deverão aprovar "os instrumentos de registo e os indicadores de medida" e passados dez dias os docentes deveriam definir os objectivos individuais.

No entanto, o mesmo diploma refere que aqueles instrumentos de registo, a aprovar pelos conselhos pedagógicos das escolas, terão em conta "as recomendações formuladas pelo conselho científico para a avaliação de professores".

O prazo terminava a 08 de Fevereiro, mas a 24 de Janeiro ainda não eram conhecidas as recomendações daquele órgão, que formalmente ainda não estava constituído.

A 24 de Janeiro, o Governo alterou pela primeira vez os prazos, decidindo que os mesmos começavam a contar a partir do momento em que fossem conhecidas as recomendações do Conselho Científico para a Avaliação de Professores (CCAP).

As recomendações acabaram por ser conhecidas no dia 25 à noite, definindo a tutela que os prazos começavam a contar a partir de 28 de Janeiro, segunda-feira.

No entanto, as recomendações "genéricas" do CCAP sobre os instrumentos da avaliação de desempenho só foram divulgadas porque o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, emitiu um despacho em que delegou competências na presidente do CCAP, enquanto o órgão não fosse formalmente constituído.

Apesar de entretanto já ter sido divulgado o despacho que define a constituição do CCAP e o seu modo de funcionamento, ainda estão para ser divulgados os nomes das 20 personalidades que o integram, que se vão juntar a Conceição Castro Ramos, ex-inspectora geral da Educação, já designada presidente do CCAP.

Fenei entregou providência cautelar 

A Federação Nacional do Ensino e Investigação (Fenei) entregou uma providência cautelar a pedir a suspensão do processo de avaliação de desempenho, tendo em conta um conjunto de "irregularidades e ilegalidades".

De acordo com a federação, a providência cautelar foi aceite sexta-feira pelo Tribunal Administrativo de Lisboa, tendo o Governo dez dias úteis para a contestar.

A estrutura sindical alega que o despacho de Jorge Pedreira é ilegal, argumentando que o decreto que regulamenta a avaliação de desempenho dos professores e o próprio Estatuto da Carreira Docente estipulam que as recomendações têm de ser produzidos pelo CAAP enquanto órgão, e não pela sua presidente, individualmente.

"A presidente do Conselho Cientifico para a Avaliação dos Professores exerce transitoriamente as funções que por força do artigo [...] são atribuídas ao conselho, até à sua efectiva constituição", lê-se no despacho assinado por Jorge Pedreira a 24 de Janeiro.

Numa altura em que os sindicatos de docentes pediram a suspensão do processo de avaliação de desempenho docente, afirmando que as escolas não conseguiriam cumprir os prazos dada a ausência das recomendações do CCAP, o Governo afirmou não ser obrigatório que os estabelecimentos de ensino seguissem as orientações daquele órgão.

"Os conselhos pedagógicos podem produzir os seus instrumentos sem essas recomendações. Não é obrigatório que as recomendações existam. O decreto regulamentar diz "tendo em conta as recomendações que forem formuladas". Se não forem formuladas...", afirmou o secretário de Estado Adjunto e da Educação.

O processo de avaliação de desempenho dos professores contratados tem de estar concluído até ao final deste ano lectivo e o dos restantes, a grande maioria, até ao final do ano lectivo 2008/2009.

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Mais um recuo do governo.
pppintodesssousa (seguir utilizador), 1 ponto , 12:47 | Domingo, 10 de fevereiro de 2008
É de pasmar coma a ministra (governo/sócrates) fazem e desfazem o que anunciam com pompa e circunstância (e arrogancia).

Desta vez é mais uma manifestação de incompetencia na forma como tratam professores e a escola, onde querem impor directivas mal esgravatadas que só visam dificultar a carreira docente, torná-la mais extensa, sem preverem que é o ensino eos alunos a ficarem prejudicados.

Esta ministra deve seguir o caminho de CCampos.

Hoje, na SIC foi um regalo ouvir o SG da Fenprof desmascarar as teses da ministra.
que gozo. ahahahahahahah
 
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Cumprimento da regras?
kwit8 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:56 | Domingo, 10 de fevereiro de 2008
"Desde que estes não ponham em causa o cumprimento das regras da avaliação,..."
Regras? Quais regras? Cumprimento? Quem é que neste jogo não está a cumprir? Brada aos céus a desregramento desses senhores pretenciosamente mandantes da Educação. Que manta de retalhos tão feia estão eles a tentar construir!Tenham um pingo de dignidade e transformem os erros em actos de aprendizagem. É isto que eu ensino aos meus alunos.Não adianta insistirem. Não lutem mais contra os moinhos de vento. Sentem-se, respirem fundo e quiçá ainda consigam sair, de mansinho, desse estertor cujo ruído começa a ser desconfortável para a serenidade que vivemos quotidianamente na escola, onde a batota não é consentida (e ainda bem) pelos alunos.
 
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Cumprimento de regras?
kwit8 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:03 | Domingo, 10 de fevereiro de 2008
Claro, pretensiosamente, tinha um erro. O meu pedido de desculpas.
 
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Só tontices ministeriais
libertino (seguir utilizador), 1 ponto , 13:32 | Domingo, 10 de fevereiro de 2008
Então é já com o ano lectivo a decorrer que o Ministério - portanto a MInistra - quer que se proceda à definição dos critérios de avaliação (isso não deveria ter sido feito antes de começar o ano lectivo, num mundo onde as coisas são feitas com seriedade?).
São ordens e desordens sem sentido!!!
 
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O fim do ensino em Portugal!
anjogama (seguir utilizador), 1 ponto , 14:10 | Domingo, 10 de fevereiro de 2008
Será bom que a população portuguesa compreenda o que se passa com a educação, isto é muito pior do que o sector da saúde. Por exemplo: um professor do 1º ciclo pode não dar uma só aula aos alunos da turma de que é titular, porque tem de ir avaliar os seus colegas três vezes por ano. O que está aqui em causa é uma perseguição descontrolada de terror, tirania, racismo e xenofobia para com uma classe trabalhadora. Ouvi os educandos de um amigo meu dizer que na escola deles vai ser fixe, há professores que não vão dar uma só aula. É disto que as confederações de pais gostam, talvez porque os seus representantes também são comissários deste governo e não ligam às questões sérias da educação. Ao que parece os sindicalistas estão colados ao regime e deixam passar questões de interesse público sem lhes ligar pevide. Será que os responsáveis do governo por esta área já pensaram que estão a violar gravemente a Constituição da República? Será que o Sr. Presidente da República desconhece o que lá está consagrado como direitos e deveres desta classe trabalhadora? Será que querem exterminar definitivamente estes profissionais?
B.L. DK
 
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Niguém faz ideia da confusão que isto está.
Professor.com.muita. (seguir utilizador), 1 ponto , 16:55 | Domingo, 10 de fevereiro de 2008
Só um exemplo:
As escolas tiveram 4 grandes departamentos de professores, criados apenas para efeito do concurso de professores titulares, e que segundo o governo eram apenas para esse efeito, funcionando as escolas com a sua organização interna habitual, antes e depois.
Ora a avaliação de professores tem que ser feita agora, nos tais 4 grandes departamentos, fazendo os professores o seu projecto para os tais 2 anos, respeitando os regulamentos internos e os projectos da escola e dos seus orgãos internos.
O problema, é que os tais regulamentos dos departamentos não existem , pois os departamentos não existem, e não haverá qualquer validade legal em projectos baseados nos regulamentos e objectivos de departamentos que não têm validade legal segundo esta nova legislação. Pescadinha de rabo na boca hem?
(Há montes de aberrações como esta)
Frize-se que isto é tão confuso e atamancado, que eu não me admiro que haja ainda muitas mais coisas do género que citei acima, que neste momento, eu nem esteja sequer a perceber.
 
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