18 de maio de 2013 às 23:00
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Ermelo vai a votos sem receio

Com um contingente policial reforçado, ninguém tem medo de votar uma semana depois do homicídio do marido da candidata pelo PSD à assembleia de freguesia, Glória Nunes, que decidiu manter-se na corrida. Clique para visitar o dossiê Portugal 2009.
Eduarda Freitas (www.expresso.pt)
Glória Nunes, a viúva e presidente da junta de Ermelo, que recandidata ao cargo pelo PSD, exerce o seu direito de voto Pedro Rosário/Lusa Glória Nunes, a viúva e presidente da junta de Ermelo, que recandidata ao cargo pelo PSD, exerce o seu direito de voto

Decorrem com normalidade as eleições nas duas secções de voto da Freguesia de Ermelo. Com um contingente policial reforçado, ninguém receia votar, uma semana depois do homicídio do marido da candidata pelo PSD à assembleia de freguesia, Glória Nunes.

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Votar sem medo


Com o passo decidido, Joaquina subiu as escadas da casa do Povo da Junta de Freguesia de Ermelo. Eram oito horas e uns minutinhos. Entrou, votou, saiu. E deu entrevistas. "Fui a primeira a votar, porque vivo aqui ao lado. Espreitei, vi que a luz já estava acesa e vim!". Medo? "Não! Eu estou sempre na minha vida, não sei de nada!", diz, enquanto retoma a pressa do passo, agora em direcção a casa. Depois de Joaquina Dias, chegaram muitos outros habitantes da Freguesia de Ermelo.

A conversa, entre quem estava e quem chegava, ia dar sempre ao mesmo: ao homicídio de Maximino Clemente na mesa de voto de Fervença, faz hoje, precisamente, uma semana. Mas no domingo que agora corre, depois de dias de emoções para a Freguesia de Ermelo, a votação decorre com normalidade.

Aparato policial e jornalístico


Ainda que da normalidade da vida da aldeia, nunca tivesse constado tão grande aparato policial nem jornalístico. Da GNR estão mais de vinte militares. "Assim não tenho medo...venho votar à confiança", diz José Martinho, um dos muitos idosos, que antes da missa das 10h, decidiu ir exercer o seu direito. Rosa, ao lado, encolhe os ombros, solta um suspiro. "Ainda nem acredito no que aconteceu...".

À entrada de Fervença, colado na paragem do autocarro, um pequeno papel de funerária, anuncia a morte de Maximino Clemente.

Uns metros acima, pela rua empedrada, entre os cães que se atravessam no caminho, ouvem-se conversas, em voz baixa, de pequenos grupos de vizinhos. A incredibilidade ainda está declarada nos olhos. Há um quase silêncio junto à escola onde na semana passada Maximino foi abatido a tiro.

Maximino Clemente, preparava-se para abrir a mesa de voto, quando foi assassinado com um tiro de caçadeira, alegadamente disparado por António Cunha, seu rival político, e até aquela hora, candidato do PS à Junta de Freguesia de Ermelo. Agora, uma semana depois, a votação faz-se mesmo ao lado do local onde o crime aconteceu, na chamada "Casa das Professoras". Entre as pessoas que estão na fila para votar, o ambiente parece tranquilo, não fosse o silêncio parecer tão pesado.

Um voto emocionado


Para Armindo Cunha, a cruz que fez no boletim de voto, tem um significado especial: "Eu estou vivo...e estou feliz por isso". Armindo estava ao lado de Maximino quando este foi assassinado. Era delegado do PSD na mesa de voto de Fervença. "Ele não viu nada. Estava de costas quando o autor do crime entrou e disparou". Mas Armindo viu. E não esquece. "Não tenho nenhum apoio psicológico nem nada...mas acho que precisava...", confidencia.

No acto eleitoral de hoje, Armindo Cunha acha que a afluência vai ser grande. "As pessoas têm que vir votar em homenagem ao Maximino, mesmo que custe, mesmo com o coração apertadinho...".

Viúva mantém candidatura


O resultado da votação para a Junta de Freguesia de Ermelo, não deverá trazer qualquer novidade. Concorre apenas a lista do PSD liderada pela actual presidente e viúva de Máximo Clemente.

Glória Nunes optou por não desistir de ser candidata ao cargo. O PS retirou a candidatura de António Cunha logo no início da semana. Dois dias depois, Cunha, o alegado autor do crime, entregou-se na Policia Judiciária de Braga. Está em prisão preventiva, no Estabelecimento Prisional de Vila Real, onde aguarda julgamento. As quezílias entre António Cunha e a família de Glória Nunes datam de há quase três décadas.

Começaram por ser politicas, mas rapidamente passaram a pessoais, numa mistura que viria a revelar-se fatal. Se as eleições da Junta de Freguesia de Ermelo deverão confirmar Glória como presidente, já na Câmara de Mondim de Basto, a expectativa é grande. Os votos da Freguesia de Ermelo - que tem cerca de 900 eleitores - poderão ser determinantes para a eleição do próximo presidente da Câmara, o ultimo a ser conhecido nestas autárquicas 2009.

Comentários 1 Comentar
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Uma história de faca e alguidar!
Mas não acredito que ocorram outros incidentes. Votar em paz, para além de ser um direito é simplesmente uma obrigação que o Estado tem de garantir aos cidadãos. Para além de que o senhor dos tiros já está preso e não parece que faça parte de qualquer gangue.
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