0
Anterior
Guerra entre gerações
Seguinte
Capitalismo: manual de instruções
Página Inicial   >  Opinião  >  Henrique Raposo  >   ERC: o Lápis Rosa

ERC: o Lápis Rosa

O português sai de casa e vê uma pedra da calçada fora do sítio. Em vez de colocar a pedra no seu lugar, o português começa logo a esboçar um plano nacional das calçadas enquanto caminha para o café; quando acaba a bica, o dito português já tem um plano para os passeios de todo o mundo. Entretanto, a pedra continua fora do sítio, e um vizinho já partiu uma perna porque tropeçou no buraco. O debate intelectual português é assim: jornalistas e comentadores passam a vida a dissertar sobre a calçada mundial (i.e. EUA) e, depois, ignoram as pedras fora do sítio em Portugal.

No sábado passado, o Expresso mostrou como a entidade reguladora para a comunicação social (ERC) legitimou as pressões de José Sócrates sobre os jornalistas durante a polémica da licenciatura. Numa democracia normal, este assunto teria gerado polémica e discussão. Mas Portugal não é uma democracia como as outras. Durante a semana, a elite portuguesa entregou-se a uma sofreguidão histérica em redor de Wall Street e de Sarah Palin. O Partido Republicano e o capitalismo americano, reza a lenda lusitana, são uma ameaça à liberdade. E, agora, pergunto: e que tal criticar o nosso governo? Os ataques à liberdade começam aqui em Portugal. Lisboa está cheia de buracos na calçada; não é preciso ir procurar pedras transviadas em Washington.

Pacheco Pereira afirmou que a "ERC perdeu a vergonha". Bom, eu diria um pouco mais: a ERC é um órgão ilegítimo e deve ser abolido. Não é uma questão de vergonha ou decência. A questão é bem mais simples: um organismo como a ERC não pode existir na orgânica de uma sociedade livre. Isto não é um juízo moralista. É uma mera constatação institucional. Numa sociedade livre, a liberdade de imprensa (reino dos jornalistas) é mais importante do que o acto eleitoral (reino dos políticos). Votar é algo que fazemos num dia de quatro em quatro anos. Nos 1460 dias que medeiam cada eleição legislativa, nós precisamos de jornalistas livres e críticos. Sem essa liberdade de imprensa, o acto democrático não serve para nada. Ora, a ERC é uma ameaça a essa liberdade. Esta entidade para a comunicação tem funcionado como um lápis cor-de-rosa. No passado, o lápis azul cortava as palavras incómodas. Hoje, este lápis rosa não apaga, mas altera as palavras que fazem comichão ao partido do poder. Por exemplo, a ERC recusou usar o termo 'pressão' para qualificar as "démarches" de Sócrates junto das redacções. Ou seja, a ERC transformou 'pressões' intoleráveis em 'intervenções' aceitáveis. Lamento, mas esta linguagem escorregadia que muda o nome às coisas faz lembrar a linguagem dos regimes autoritários.

Para terminar, convém salientar que o PSD nunca colocou a ERC socialista no centro da agenda nacional. É natural: este lápis cor-de-rosa será, um dia, um lápis cor-de-laranja.

Traduzam s.f.f.

Isabelle Lasserre escreveu um livro obrigatório: 'L'Impuissance Française'. Esta jornalista do 'Le Figaro' descreve o abismo epistemológico que existe entre a auto-imagem da França e a realidade internacional. A elite francesa continua a declarar que a França é uma potência global, mas, na verdade, a França é uma potência média em declínio.

Henrique Raposo


Opinião


Multimédia

Os assassínios, as execuções, as decapitações são as imagens mais chocantes de uma propaganda cada vez mais sofisticada. É a Jihad, que recruta guerrilheiros no ocidente para matar e morrer na Síria. O Expresso seguiu as pisadas de cinco jiadistas portugueses, mostrando quem são e como foram convertidos e radicalizados. E como lutam, como foram morrer - e como já haverá arrependidos com medo de fugir. Reportagem em Londres, no café onde viam jogos de futebol, na universidade onde estudavam e na mesquita onde rezavam. Autoridades e especialistas em terrorismo estão alerta sobre este pequeno mas perigoso grupo, onde corre sangue português - e de onde escorre sangue por Alá.

Desacelerámos a realidade para observar a euforia da liberdade

Ela, Jacarandá, é algarvia. Ele, Katmandu, é espanhol. São linces e agora experimentam a responsabilidade da liberdade: foram soltos esta terça-feira numa herdade alentejana, próxima de Mértola, eles que saíram de centros de reprodução em cativeiro. Foi inédito: nunca tinha acontecido algo assim em Portugal. Estivemos lá e ensaiámos o slow motion.

Geração Z

Mais rápidos, mais capazes, mais solitários, os Z vivem agarrados aos ecrãs, pensam com a ajuda da internet e estão permanentemente preocupados com a bateria do telemóvel. Que geração é esta que nasceu com a viragem do século?

Desaparecidos para sempre no Mar do Norte

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas, a quem o Expresso pediu um sms.

Os muros do mundo

Novembro relembrou-nos os muros que caem, mas também os que permanecem e os que se expandem. Berlim aproximou-se de si própria há 25 anos, mas há muros que continuam a desaproximar. Esta é a história de sete deles - diferentes, imprevisíveis, estranhos.

Tudo o que precisa de saber sobre o ébola. Em dois minutos

Porque é que este está a ser o pior surto da história? Como é que os primeiros sintomas se confundem com os de outras doenças? É possível viajar depois de ter contraído o vírus, sem transmitir a doença? E estamos ou não perto de ter uma vacina? O Expresso procurou as respostas a estas e outras dúvidas sobre o ébola.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

O papa-medalhas que veio do espaço

O atleta português mais medalhado de sempre, Francisco Vicente, regressou dos campeonatos europeus de veteranos, na Turquia, com novas lembranças ao pescoço. Três de ouro e duas de prata para juntar à coleção. Tem 81 medalhas, uma por cada ano de vida.

Terror religioso está a aumentar

Relatório sobre a Liberdade Religiosa é divulgado esta terça-feira em todo o mundo. Dos 196 países analisados, só em 80 não há indícios de perseguições motivadas pela fé.

Vai pagar mais ou menos IRS? Veja as simulações

Reforma do imposto protege quem tem dependentes a cargo, mas pode penalizar os restantes contribuintes. Função pública e pensionistas vão ter mais dinheiro disponível. Veja simulações para vários casos.

Tem três minutinhos? Vamos explicar-lhe o que muda no orçamento de 350 mil portugueses (e no de muitas empresas)

O novo salário mínimo entrou em vigor. São mais €20 brutos para cerca de 350 mil portugueses (números do Ministério da Segurança Social, porque os sindicatos falam em 500 mil trabalhadores). Mudou o valor, mas também os descontos que as empresas fazem para a Segurança Social. Porque se trata de uma medida que afeta a vida de muitos portugueses, queremos explicar o que se perde e o que se ganha, o que se altera e o que se mantém.

Music fighter: temos Marco Paulo e Bruno Nogueira numa batalha épica

Está preparado para um dos encontros mais improváveis na história da música portuguesa? O humorista Bruno Nogueira e a cantora Manuela Azevedo, dos Clã, pegaram em várias músicas consideradas "pimba" - daquelas que ninguém admite ouvir mas que, no fundo, todos vão dançar assim que começam a tocar - e deram-lhe novos arranjos, num projeto que chegou aos coliseus de Lisboa e do Porto.  "Ninguém, ninguém", de Marco Paulo, tem possivelmente a introdução mais acelerada e frenética do panorama musical português. Mas, no frente-a-frente, quem é o mais rápido? Vai um tira-teimas à antiga?

Dez verdades assustadoras sobre filmes de terror

Este vídeo é como o monstro de "Frankenstein": ganhou vida graças à colagem de partes de alguns dos filmes mais aterrorizantes de sempre. Com uma ratazana mutante e os organizadores do festival de cinema de terror MotelX pelo meio. O Expresso foi à procura das razões que explicam o fascínio pelo terror, com muito sangue (feito de corante alimentar) à mistura. 

A paixão do vinil

Se para muitos o vinil é apenas uma moda que faz parte da cultura do revivalismo vintage, para outros ver o disco girar nunca deixou de ser algo habitual.

Portugal foi herdado, comprado ou conquistado?

Era agosto em Lisboa e, às portas de Alcântara, milhares de homens lutavam por dois reis, participando numa batalha decisiva para os espanhóis e ainda hoje maldita. Aconteceu em agosto de 1580. Mais de 400 anos depois, o Expresso deu-lhe vida, fazendo uma reconstituição do confronto através do recorte e animação digital de uma gravura anónima da época.

O Maradona dos bancos centrais

Dizer que Mario Draghi está a ser uma espécie de Maradona dos bancos centrais pode parecer estranho. Mas não é exagerado. Os jornalistas João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues explicaram porquê num conjunto de artigos publicado no Expresso em Novembro de 2013 e que venceu em junho deste ano o prémio de jornalismo económico do Santander e da Universidade Nova. O trabalho observa ainda o desempenho de Ben Bernanke no combate à crise, revisita a situação em Portugal e arrisca um ranking dos 25 principais governadores de bancos centrais. Republicamos os artigos num formato especial desenvolvido para a web.


Comentários 0 Comentar

Últimas


Edição Diária 17.Abr.2014

Leia no seu telemóvel, tablet e computador

PUBLICIDADE

Pub