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ERC: o Lápis Rosa

O português sai de casa e vê uma pedra da calçada fora do sítio. Em vez de colocar a pedra no seu lugar, o português começa logo a esboçar um plano nacional das calçadas enquanto caminha para o café; quando acaba a bica, o dito português já tem um plano para os passeios de todo o mundo. Entretanto, a pedra continua fora do sítio, e um vizinho já partiu uma perna porque tropeçou no buraco. O debate intelectual português é assim: jornalistas e comentadores passam a vida a dissertar sobre a calçada mundial (i.e. EUA) e, depois, ignoram as pedras fora do sítio em Portugal.

No sábado passado, o Expresso mostrou como a entidade reguladora para a comunicação social (ERC) legitimou as pressões de José Sócrates sobre os jornalistas durante a polémica da licenciatura. Numa democracia normal, este assunto teria gerado polémica e discussão. Mas Portugal não é uma democracia como as outras. Durante a semana, a elite portuguesa entregou-se a uma sofreguidão histérica em redor de Wall Street e de Sarah Palin. O Partido Republicano e o capitalismo americano, reza a lenda lusitana, são uma ameaça à liberdade. E, agora, pergunto: e que tal criticar o nosso governo? Os ataques à liberdade começam aqui em Portugal. Lisboa está cheia de buracos na calçada; não é preciso ir procurar pedras transviadas em Washington.

Pacheco Pereira afirmou que a "ERC perdeu a vergonha". Bom, eu diria um pouco mais: a ERC é um órgão ilegítimo e deve ser abolido. Não é uma questão de vergonha ou decência. A questão é bem mais simples: um organismo como a ERC não pode existir na orgânica de uma sociedade livre. Isto não é um juízo moralista. É uma mera constatação institucional. Numa sociedade livre, a liberdade de imprensa (reino dos jornalistas) é mais importante do que o acto eleitoral (reino dos políticos). Votar é algo que fazemos num dia de quatro em quatro anos. Nos 1460 dias que medeiam cada eleição legislativa, nós precisamos de jornalistas livres e críticos. Sem essa liberdade de imprensa, o acto democrático não serve para nada. Ora, a ERC é uma ameaça a essa liberdade. Esta entidade para a comunicação tem funcionado como um lápis cor-de-rosa. No passado, o lápis azul cortava as palavras incómodas. Hoje, este lápis rosa não apaga, mas altera as palavras que fazem comichão ao partido do poder. Por exemplo, a ERC recusou usar o termo 'pressão' para qualificar as "démarches" de Sócrates junto das redacções. Ou seja, a ERC transformou 'pressões' intoleráveis em 'intervenções' aceitáveis. Lamento, mas esta linguagem escorregadia que muda o nome às coisas faz lembrar a linguagem dos regimes autoritários.

Para terminar, convém salientar que o PSD nunca colocou a ERC socialista no centro da agenda nacional. É natural: este lápis cor-de-rosa será, um dia, um lápis cor-de-laranja.

Traduzam s.f.f.

Isabelle Lasserre escreveu um livro obrigatório: 'L'Impuissance Française'. Esta jornalista do 'Le Figaro' descreve o abismo epistemológico que existe entre a auto-imagem da França e a realidade internacional. A elite francesa continua a declarar que a França é uma potência global, mas, na verdade, a França é uma potência média em declínio.

Henrique Raposo


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