Eram snipers. Abatiam gente do país pelo qual agora competem em provas de tiro
Há reabilitações e reabilitações. Quando termina uma guerra civil que durou muitos anos -- e que, mesmo considerando as tradições na matéria, foi especialmente sanguinária -- que fazer com os antigos combatentes?
No Sri Lanka, a primeira resposta foi: chaciná-los.
Os meses finais da guerra com os Tigres Tamil, em 2009, caracterizaram-se por grandes massacres - negados pelo governo que os praticava, mas nem por isso menos reais.
Cada país tem os seus padrões
Passada essa fase, chega a da 'reconciliação'. Antigos Tamils submetem-se a uma 'reeducação' em campos especiais e tornam-se cidadãos úteis.
Os padrões seguidos nos tais campos não serão bem os da ONU, diz esta. Cada país tem os seus padrões, responde o governo. 11 tamis terão já sido 'recuperados', garante. E apontam-se exemplos particularmente ilustres.
Alguns (entre os quais, parece, uns quantos que chegaram a treinar par bombistas suicidas) vão mesmo tomar parte em provas desportivas: atletismo, criquete, natação e... tiro.
É verdade. Em testes recentes, antigos 'snipers' Tamil conseguiram resultados de nível internacional. A partir de 2013, representarão o Sri Lanka em provas diversas.
Visibilidade, mas a que preço?
Pelos vistos, o governo não acha mal que quem antes disparava para matar soldados do pais agora vá competir por esse mesmo país. O que lá vai lá vai, e isto serve para mostrar que a reconciliação e a reabilitação são mesmo a sério.
Há quem proteste, tanto de um lado como de outro. Mas não adianta. Para o governo, é uma forma de ajudar a esquecer a barbaridade. Para os tamil, é uma forma de ter visibilidade - embora a que preço!
Ao todo, haverá uns 135 atletas já aprovados, e que deverão participar nos Jogos da Ásia do Sul, no próximo ano.


