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Era só mais um bocadinho

Portugal foi eliminado. Uma boa notícia para quem não gosta de bola. Uma má notícia para todos os restantes. Estávamos alienados com o futebol e esquecíamos a crise? Sim. E este intervalo soube tão bem.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:00 Quarta feira, 30 de junho de 2010

Há uma minoria que não gosta de futebol. Para essa minoria, mesmo que não o digam, a derrota de ontem foi uma boa notícia. Eu compreendo-os. Nada mais desesperante do que ver um país parado, excitado, obcecado, vidrado com uma coisa que não nos interessa. Liga-se a televisão e é Mundial. Muda-se de canal e é Mundial. Vai-se ao café e é do Mundial que se fala. Chega-se ao emprego e o Mundial é o tema de conversa.

Compreendo esta angústia do português solitário que não gosta de bola. O pior é quando se começa a racionalizar a coisa.

Racionalizar a nossa entrega à selecção e a nossa depressão com a sua eliminação é estúpido. Diz-se que as vitórias dão bom nome ao País. É verdade que não fez mal ao ego nacional ver os títulos dos jornais internacionais depois da goleada com a Coreia, em tudo diferentes das referências habituais dos jornais económicos a Portugal. Mas os bons resultados futebolísticos não têm qualquer efeito na imagem do País. Diz-se que mostram que somos capazes do melhor. Não mostram coisa nenhuma, porque uma selecção não é retrato de um País. Nem a França é a tragédia que foi a sua selecção, nem a Argentina tem o génio da sua equipa. Diz-se que ajuda a unir o País. É uma falsa unidade em torno de um objectivo demasiado simples para contar: ganhar um jogo, depois outro, depois outro.

Mas racionalizar o desprezo pelo futebol não é melhor. O mais comum é criticar a alienação a que o povo se entrega enquanto o País se desmorona. E é aí que eu perco a compostura. Esta ideia bem portuguesa de que quando tudo está mal nos devemos entregar à depressão colectiva é absurda. Como se ela resolvesse alguma coisa. Como se a alegria fosse um crime de lesa Pátria. Uma irresponsabilidade.

Desde que nasci que vivo em crise quase permanente. A palavra já quase se limita a traduzir a normalidade. E, no entanto, durante estas crises cíclicas fui-me divertindo. Num País onde grande parte dos portugueses vive mal, há alguns luxos que não se dispensam. As pequenas alegrias inconsequentes são um deles. Chamem-lhe alienação, se quiserem. Mas sabe bem. E para quem quase tudo é mau, umas coisas saberem bem de vez em quando não há de ser um crime. O intervalo da depressão nacional podia bem ter durado mais uma semana.

Palavras-chave  Blogues, mundial, SELECCAO, alienados
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Nem pastores, nem navegadores
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:18 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
A crise é tão grande e o futebol ( a Selecção Portuguesa)tão fraca, que não deu para esquecer a crise.Porque a crise e o seu dia a dia são já dramáticos para largas camadas da população: sem pão, sem trabalho e sem saída.
Esse é o problema e por maior que seja o optimismo de Sócrates,e do Governo, não vai ser fácil sair deste pântano nos tempos mais próximos.
Eliminada a Selecção, o futebol no País vai entrar na próxima época com um espirito perdedor, sem a alma de vitória que o sucesso no Mundial lhe podia trazer.
E até aí-estes navegadores envergonhados de Queiróz-que não quiz que os chamassem de pastores- não souberam, dobrar o cabo da esperança, que bem preciso era para animar e dar outro fôlego, nesta caminhada dificil em que -desgraçadamente-estamos todos metidos.
 
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    Re: Nem pastores, nem navegadores    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:12 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
    Queiróz devia pôr o lugar á disposição    Ver comentário
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 16:29 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
    Re: Queiróz devia pôr o lugar á disposição    Ver comentário
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:50 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
NÃO VÁ FICAR SEM AS CALÇAS!
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos , 10:38 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
Queiroz NÃO serve… o homem é demasiado formatado. Não tem jogo de cintura, não sabe adaptar-se á dinâmica do jogo. Delineia uma estratégia e passe o que passe está não é minimamente alterada. Muita prudência, nada de arriscar e defender se possível até ao fim e depois se ganharmos, melhor. A receita de Queiroz NÃO serve á selecção de jogadores portugueses. Não agrada os adeptos e desilude sistematicamente Portugal. Ronaldo devia ter sido substituído. O próprio reconheceu que não jogou bem. A expulsão do Ricardo Costa a partir de determinada altura era previsível. A substituição de Hugo Almeida é um erro inadmissível. Espanha ganhou mas fica a ideia que PODIAMOS TER FEITO MUITO MELHOR senão tivéssemos um treinador que alem do cinto usa também suspensórios… NÃO VÁ FICAR SEM AS CALÇAS!
Quanto á CRISE essa tem nome, tem paí e também tem terapia... o problema é que até aí, para a resolver há também Queirozes a mais!
 
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eu sou um deles
odagrom (seguir utilizador), 2 pontos , 10:38 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
estou-me nas tintas para o futebol e agora que a festa acabou, espero voltar a ler noticias de jeito no Expresso
 
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Era só mais um bocadinho
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:35 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
Numa semana tudo muda, passa de bestial a besta. Quando do 7 a 0 à Coreia do Norte eram os maiores. Com o empate ao Brasil já passaram a ser assim assim, ao perder por 1 a 0 com espanha o caldo ficou entornado. É claro que quando se põe a fasquia da espectativa demasiado alto, só porque o sonho comanda a vida, ao acordar fica-se com os pés na terra. Imagino o que diriam se a nossa Seleção tivesse tido o mesmo desempenho da França da Itália e da Inglaterra. No meu entender que não sou um adepto ferveroso do futebol e não percebo nada do assunto e a minha opinião vale o que vale ou coisa nenhuma, qualquer português com bom senso deve sentir- se orgulhoso ou no mínimo satisfeito.
 
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Gastaram os golos todos com a Coreia do Norte
rumoaofuturo (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
Não pensaram nos jogos seguintes, podiam ter guardado alguns para Espanha e fases seguintes. Não admira que assim seja, olhando para um Pais que gasta o que tem e o que não tem de uma só vez, sem pensar nas gerações futuras.
 
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O Mundo maravilhoso dos colunistas
anticorporativo (seguir utilizador), 1 ponto , 10:49 | Quarta feira, 30 de junho de 2010
Para quem ambiciona ser colunista, tem que ser mais profundo e falar do país real.
Como por exemplo ir pra bicha do centro de saude ás 5 da manha, ser tratado abaixo de cão pelo médico de familia, falta de organização dos hopitais, etc, etc, etc...o corporativismo nojento do costume, a que muita gente confunde com crise...
 
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Ainda se pode falar de futebol.
Rogneto (seguir utilizador), 1 ponto , 1:00 | Quinta feira, 1 de julho de 2010
Gostar de futebol não se pode denominar “alienação”. É um instrumento tonificante mesmo quando não se alcança os melhores resultados. O mais importante é manter-se em jogo ainda que entusiasme mais as grandes vitórias e os patamares de topo.
Da minha parte gostei do desempenho da selecção e do treinador. É real que ambicionávamos mais. A selecção espanhola soube contrariar-nos e tecnicamente bem,a meu ver; mas também é verdade que faltou um pouco da sorte.
  Muitos comentadores não gostam de Queiroz e isso viu-se logo aquando do 1º empate com a Costa do Marfim. Seria humilhante se a selecção portuguesa viesse a perder com a Coreia do N.. Não foi o caso e os 7-0 foi o impulso de uma estratégia brilhante. Afinal em quatro jogos apenas sofremos um único golo, que nos afastou dos quartos finais. Como em todos os temas há sempre quem discorde, neste não é muito importante.
Quanto à crise não será para esquecer pois que o país real nos fará lembrar e há assunto
para além do futebol, mas cuidado com o controlo do jornalismo e da comunicação
que anda por aí.
 
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