Do corte, já estavam à espera. Agora, o que as Entidades Regionais de Turismo não previam é que o Governo aplicasse a medida... com retroativos: "As entidades regionais de Turismo encarariam com a normalidade relativa a este quadro um corte relativo a este orçamento de 2011. Aquilo que estranhamos neste momento é que seja comunicado um corte relativo ao orçamento de 2010, um orçamento que está completamente executado", adianta ao Expresso Nuno Aires, presidente da Associação Nacional de Entidades Regionais de Turismo, que integra vários dos organismos desconcentrados do Estado para a promoção turística.
Segundo Nuno Aires, as doze instituições responsáveis pela promoção das várias regiões vão sofrer um corte retroativo no orçamento de 2010, um 'buraco' que terão de inscrever no orçamento de 2011. Se a isto somarmos a redução no orçamento deste ano, os cortes poderão ascender a mais de 40 por cento das verbas até aqui disponíveis para as ERT's.
Dinheiro só para pagar ordenados, promoção nem vê-la
"Vamos ter capacidade apenas e só para já para fazer face aos custos fixos, ou seja para pagar ordenados da estrutura e pouco mais", constata Nuno Aires.
Depois de se terem reunido na segunda-feira, as entidades regionais já pediram uma reunião de urgência com o Secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade e com o presidente do Turismo de Portugal, Luís Patrão, para discutirem a situação, que classificam de "grave".
Algarve pode perder metade do orçamento em 2011
"Está em causa sobretudo a promoção interna mas também a nível internacional uma vez que as Entidades Regionais de Turismo também participam das agências regionais de promoção turística, que são agências público-privadas e que contam em parte do seu orçamento com verbas das entidades regionais", explica o responsável.
Segundo Nuno Aires, também presidente do Turismo do Algarve, só esta região poderá perder em 2011 cerca de metade do orçamento previsto, que era de 8,9 milhões de euros, "pondo em risco todas as ações de promoção interna e externa do principal destino turístico do país".
A ANERT é actualmente formada por nove instituições: Turismo do Alentejo, Turismo de Lisboa e Vale do Tejo, Turismo Terras do Grande Lago Alqueva, Turismo do Alentejo Litoral, Turismo da Serra da Estrela, Turismo de Leiria-Fátima, Turismo do Douro e Turismo do Oeste, para além do Turismo do Algarve. De fora, estão o Turismo do Porto e Norte de Portugal e o Turismo do Centro de Portugal.
Semana agitada no Algarve
A semana não tem estado a correr de feição para o setor turístico no Algarve, pelo menos no plano político, isto após declarações do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, 'menorizando' o destino a sul.
Num evento público, no fim-de-semana, o governador do BdP afirmou que "gera mais valor três dias em Lisboa do que uma semana de turismo de trabalhadores portuários de Londres no Algarve", defendendo a alteração da oferta turística nacional.
As palavras, proferidas em Gaia, numa cerimónia do Rotary Clube, fizeram unir os algarvios, desde líderes políticos a responsáveis do setor turístico. Miguel Freitas, presidente do PS Algarve considerou que o governador do Banco de Portugal "tratou Algarve de forma grosseira", enquanto o líder do PSD Algarve Luís Gomes o acusou de "total desconhecimento" quanto à realidade algarvia.
O Turismo do Algarve também reagiu, afirmando que "Carlos Costa menospreza a contribuição da região para os proveitos globais nos estabelecimentos hoteleiros, valorizados pelo INE em mais de 500 milhões de euros anuais, um valor superior ao alcançado por qualquer outro destino nacional", enquanto a Associação de Hoteleiros do Algarve, através de Elidérico Viegas, alinhou pelo mesmo diapasão manifestando surpresa pelo "desconhecimento" que as declarações do governador do Banco de Portugal manifestam face à região.