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Eles servem o pequeno-almoço no Metro

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Compensa saltar da cama às 5h30 para servir pequenos-almoços aos lisboetas. Em poucos meses, estes recém-licenciados abriram três pontos de venda nas estações de Metro da capital, e esperam chegar ao fim do ano com dez!

Maria Martins (www.expresso.pt)

O conceito da Bom dia Lisboa nasceu em... Madrid! Foi durante uma viagem de mestrado para conhecer de perto a realidade das empresas espanholas, que Tiago Neves sentiu na pele a dificuldade em tomar um pequeno-almoço rápido, numa grande cidade. "Estava com pressa para iniciar a visita a uma série de empresas, e não só tive de esperar dez minutos, como fui mal atendido", conta Tiago, que rapidamente convenceu mais três colegas - Alexandre Rocha, Duarte Mourão e Diogo Monteiro - para se juntarem a ele e criar um negócio de venda de pequenos-almoços rápidos e saudáveis. O objetivo era solucionar o problema dos lisboetas, que saem de casa a correr para o emprego, ou para a universidade, sem tempo de comer uma refeição decente.

Demorou um ano, janeiro de 2012, até que a Bom dia Lisboa se apresentasse aos lisboetas. Foi preciso estudar o mercado, fazer entrevistas para saber o que as pessoas queriam e quanto estariam dispostas a pagar, procurar fornecedores de marcas portuguesas de confiança e encontrar o local para abrir o primeiro ponto de venda - tudo isto enquanto os quatro sócios se esforçavam para terminar o mestrado em Gestão na Universidade Nova de Lisboa. O Metro surgiu como a opção natural, uma vez que o objetivo era não desviar as pessoas do percurso casa-trabalho, para não lhes roubar tempo. "E o Metro adorou a ideia desde o início porque melhora o valor das estações e a experiência dos clientes", conta Tiago. Começaram pela estação de Odivelas para testar e melhorar o conceito num local com menos movimento, mas já chegaram às estações do Saldanha e de São Sebastião, e contam ter mais 7 pontos de venda até ao final deste ano.

O seu dia-a-dia não é propriamente o sonho de qualquer jovem de 23 anos, já que se levantam diariamente às 5h30, para estarem prontos a cumprir a sua missão a partir das 7h nas três estações de Metro da capital. "Têm sido meses muito destrutivos em termos físicos", admite Tiago, "mas é a prova que vale a pena arriscar quando se tem uma boa ideia, diferente do que já há no mercado, em vez de ficar simplesmente à procura do emprego". Os quatro sócios estão satisfeitos com a experiência e já a pensar "em criar uma cadeia Bom dia Lisboa", mas há que ir devagar. Com Duarte a estudar no estrangeiro, Tiago, Alexandre e Diogo têm recorrido à família e amigos para os ajudar na logística que os seus pontos de venda exigem. Já servem perto de 600 pequenos-almoços por dia, que custam entre €1 e €1,90, consoante os menus (mas todos os produtos, incluindo o pão e os croissants, são sempre frescos), e começam a pensar em alargar a oferta, até para rentabilizar o período de funcionamento - entre as 7h e as 12h.

Até agora o negócio tem sido financiado exclusivamente com capitais próprios, mas a empresa começa a crescer e a precisar de mais investimento. Vão iniciar as primeiras contratações e estão à procura de parceiros para poderem alargar a rede, privilegiando os contactos com as empresas portuguesas fornecedoras, que têm estado ao seu lado desde o início. Agora que o conceito já está testado - "conseguimos servir os clientes em apenas 15 segundos", diz Tiago -, a Bom dia Lisboa pode ganhar balanço para estações mais movimentadas, e não está excluída a possibilidade de se instalar em outros pontos de passagem que não apenas o Metro.