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Energia: Diferença de preços electricidade entre Portugal e Espanha custou 18 ME às empresas que comercializam em Portugal

Lisboa, 16 Out (Lusa) - O administrador da Unión Fenosa, Luís Díaz Lopes, afirmou hoje que os operadores que comercializam electricidade em Portugal perderam em três meses 18 milhões de euros devido à diferença de preços entre Portugal e Espanha.
Lusa |

Lisboa, 16 Out (Lusa) - O administrador da Unión Fenosa, Luís Díaz Lopes, afirmou hoje que os operadores que comercializam electricidade em Portugal perderam em três meses 18 milhões de euros devido à diferença de preços entre Portugal e Espanha.

"O mercado livre está em crise em Portugal", afirmou o administrador durante o IV Fórum de Energia, organizado pelo Diário Economómico.

"A diferença de preços chega a 80 por cento das horas e em Julho, Agosto e Setembro custou aos operadores a actuar no país 18 milhões de euros", afirmou Luis Díaz Lopes.

"Os comercializadores não podem oferecer aos seus clientes preços melhores do que a tarifa", acrescentou, afirmando que tem de ser feito um esforço na melhoria das interligações entre os dois países.

"Estamos em Portugal com intenções de permanência, mas temos receio que o mercado não nos deixe", sublinhou o responsável.

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de em Espanha as tarifas serem ainda mais baixas do que em Portugal, o administrador da Unión Fenosa afirmou que apesar disso "as condições [de comercialização] são mais favoráveis do que em Portugal".

Luis Díaz Lopes critica em especial o preço de acesso às redes de distribuição em Portugal que "são 80 por cento mais caras do que em Espanha".

A saturação das linhas de interligação no sentido Espanha/Portugal tem sido também o motivo apresentado pela Endesa Portugal para sair do mercado livre em Portugal.

Nuno Ribeiro da Silva não se quis hoje pronunciar sobre o aumento das tarifas proposto esta segunda-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), afirmando aos jornalistas não poder falar sobre tarifas "porque o senhor ministro da Economia disse que os espanhóis não se podem meter nas tarifas em Portugal".

Mas "são bicas fiadas", concluiu, numa alusão ao presidente da ERSE, Vitor Santos, que na segunda-feira afirmou que o aumento da factura mensal para a maioria dos clientes doméstiscos será equivalente ao "preço de duas bicas [cafés]".

Durante a sua intervenção no Fórum de Energia, Nuno Ribeiro da Silva foi mais cauteloso do que em ocasiões anteriores sobre as intenções da empresa de sair do mercado livre em Portugal.

"A Endesa está no mercado há muitos anos e estamos a ver como é que a situação vai evoluir", afirmou.

O responsável disse ainda que na sequência da concretização da oferta pública de aquisição (OPA) da Enel e da Acciona "não há registo de mudança de estratégia em Portugal. O que fizermos é o que nos deixarem fazer", concluiu.

O presidente da Iberdrola Portugal, Joaquim Pina Moura, sem querer citar o caso de Portugal nem fazer avaliações sobre as tarifas, afirmou que a "escassez estrutural na produção e distribuição de electricidade se deve reflectir nos preços".

"Se o preços não reflectirem essa escassez continuaremos a ter distorções de preços e de mercado", afirmou.

O presidente da ERSE já tinha afirmado que os preços médios da electricidade em Portugal foram, em Julho e Agosto, mais caros 8 euros por megawatt/hora (MWh) do que Espanha, considerando que a diferença de preços se deve essencialmente ao facto de entre Portugal e Espanha existir uma capacidade de interligação eléctrica que não é ainda a desejável.

"O facto de existir uma saturação do fluxo de energia nas redes em 80 por cento das horas, leva à existência de mercado separados, com formações de preços diferentes, e daí o preço ser mais elevado em Portugal do que em Espanha, pois o fluxo de energia faz-se essencialmente no sentido Espanha-Portugal", explicou.

Na sua opinião, a diferença de preços resulta também de diferenças estruturais no "mix" energético dos dois países, uma vez que em Espanha existe energia nuclear e excesso de gás, o que lhes permite vender a electricidade mais barata.

A solução do ponto de vista regulatório passa a curto e médio prazo, segundo o presidente da ERSE, pela realização de leilões de capacidade virtual e pela gestão mais eficiente das interligações através da realização de leilões explícitos de capacidade de interligação efectuados pelos operadores de rede.

A médio prazo, a diferença de preços será esbatida pelo investimento no reforço da capacidade de interligação e pela instalação de nova capacidade de produção em Portugal.

Espera-se que Portugal atinja uma capacidade de interligação de 3.000 megawatts (MW) até 2010, o que ajudará a eliminar grande parte da congestão que ainda existe nas redes.

ACF.

Lusa/fim


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