As empresas privadas que operam em Portugal não vão aplicar aumentos salariais em 2012 e, caso o façam, estes serão "escassos" e avaliados "caso a caso", indica o estudo salarial anual da consultora Hay Group.
O estudo, a que a Lusa teve acesso, revela as práticas retributivas em 2011 e antecipa que os aumentos das empresas privadas em 2012 "serão nulos", e adianta que "os escassos aumentos verificados estão a ser avaliados caso a caso".
Segundo a análise da empresa de consultoria de gestão, que recolhe anualmente dados sobre a retribuição de mais de 85 mil funções em 203 empresas que operam em Portugal, estas começaram a aplicar no ano passado reduções de custos nos 'plafonds' de chamadas nos telemóveis, restrições nos modelos dos automóveis atribuídos, e reduziram o valor médio de renda mensal que [as empresas] estão dispostas a pagar pelos automóveis.
O mesmo estudo refere que em 2011, os aumentos reais médios registados oscilaram entre 1,2% e 1,9% e que, "para além do quase congelamento dos salários face a anos anteriores, em 2011, pelo terceiro ano consecutivo nesta década, os maiores aumentos percentuais vão para os níveis hierárquicos mais baixos".
35% das empresas congelaram salários
Já as funções de topo (excluindo Executivos, como membros de conselhos de administração e de comissões executivas) receberam percentagens inferiores de aumento salarial.
Assim, no ano passado os diretores de primeira linha tiveram, em média, um aumento de 0,4%, enquanto os diretores de segunda linha ou quadros superiores viram o seu salário real sofrer um aumento de 1,3%. Os gestores intermédios ou técnicos qualificados registaram, por seu turno, um aumento de 1,9% e os administrativos de 1,4%. Os comerciais sofreram um aumento de 1,7%.
A consultora destaca, contudo, que no último ano "35% das empresas congelou os salários (em 2010 já 28% o tinham feito) e outros 50% mantêm todos os aumentos abaixo de 2%".
Distribuição, retalho e construção civil são mais competitivos
Numa análise por sectores de atividade, as empresas da energia e do sector financeiro "continuam a ser as mais competitivas, estando claramente acima da mediana do mercado geral", à semelhança do mercado das telecomunicações que "também se destaca pela positiva".
Os sectores menos competitivos são, "à semelhança do que se tem verificado em anos anteriores", a distribuição e retalho, e a construção civil e obras públicas, "muito devido ao tipo de funções que maioritariamente empregam".
O estudo salarial Hay Group 2011 baseia-se em informações de retribuições anuais, líquidas e ilíquidas, fixas e variáveis, e de benefícios, disponibilizadas por uma amostra de 203 empresas, representativas de 11 sectores de atividade. A maioria das empresas (58%) é multinacional, mais de 80% possuem um volume de negócios superior a 40 milhões de euros, enquanto 31% possuem mais de 400 colaboradores.