A presença de Francisco Cruz Martins, António Figueiredo e Eduardo Capelo Morais no Banif fez-se sentir ao longo dos anos através de algumas das sociedades que negociaram acções alegadamente em nome do Estado angolano.
De acordo com os dados recolhidos pelo Expresso, em 1998 as três sociedades em causa - Sopar, Invesras e Rentigest - tinham 22,5% do Banif.
No caso da Sopar - Serviços Administrativos e de Gestão , António Figueiredo foi presidente da administração entre 1994 e 2005. Em 2003 foi solicitado o registo de dissolução da empresa, encontrando-se esta temporariamente inactiva. Em 1998 a Sopar tinha 8,67% do banco. Em 17 de Novembro de 2000 reduziu a participação para 0,43%.
A Invesras - Gestão, Investimentos e Trading, foi presidida até Março de 2003 por Eduardo Capelo Morais, entretanto substituído por Francisco Cruz Martins. A sociedade foi dissolvida em Abril de 2003. Em 1998 tinha 8,5% do Banif, posição que desceu para 6,29% em 2000. Em Setembro de 2001 comunicou a venda da maioria da posição no Banif, passando a deter 0,43%.
Já a Rentigest - Sociedade Portuguesa de Gestão e Investimento tinha 5,4% no final de 1998, posição que mantinha em 2000 e que passou em 2001 para 0,27%. Esta empresa, que também foi dissolvida em Abril de 2003, foi presidida por Francisco Cruz Martins à data da dissolução, tendo também na administração Henrique Chaves, ex-ministro-adjunto no Governo liderado por Pedro Santana Lopes. Henrique Chaves foi sócio de Cruz Martins numa sociedade de advogados sediada na Rua das Amoreiras, em Lisboa, a mesma morada da Invesras e da Rentigest.
Texto publicado na edição do Expresso de 22 de Agosto de 2009