A empregada guineense de um hotel de Nova Iorque que acusa o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de agressão sexual, deu as primeiras entrevistas públicas para defender a sua causa, anunciam hoje os media norte-americanos.
"Por causa dele, tratam-me como prostituta", declarou Nafissatou Diallo, 32 anos, à revista "Newsweek
".
"Quero que ele fique na prisão. Quero que saiba que existem lugares onde não pode utilizar o seu poder, onde não pode usar o seu dinheiro", disse.
Os pormenores da violação segundo Nafissatou Diallo
Na entrevista à "Newsweek", Nafissatou Diallo relata pormenorizadamente a alegada violação de que diz ter sido vítima. Segundo a queixosa, Dominique Strauss-Kahn (DSK) empurrou-a para cima da cama e tentou introduzir o pénis na sua boca. Ela cerrou os lábios com força, e abanou a cara, tentando impedir a penetração bocal.
Assim que se conseguiu livrar do alegado agressor, fugiu para a casa de banho. Aí, afirma à revista norte-americana, DSK voltou a molestá-la. Levantou-lhe a bata até à cintura, baixou-lhe as meias e agarrou-a com força na região vaginal.
"Parecia que estava louco", disse Diallo.
Em seguida, na versão da alegada vítima, Dominique Strauss-Kahn voltou-a, obrigou-a a ajoelhar-se, de costas para a parede e, agarrando-lhe a cabeça, conseguiu finalmente introduzir o pénis na sua boca.
"Agarrou-me a cabeça com muita força", disse. "Movia-se a fazia ruídos, algo como uhh, uhh, uhh. Disse-me para chupá-lo".
Segundo a "Newsweek", o ex-diretor do FMI ejaculou na boca da queixosa que terá cuspido o esperma para o tapete, de onde os peritos da Polícia científica recolheram ADN do político francês.
A alegada vítima contou também a sua versão dos factos esta segunda-feira no programa "Good Morning America
" da cadeia televisiva ABC.
DSK volta ao tribunal a 1 de agosto
Esta participação vai ocorrer uma semana antes da audiência, marcada para 1 de agosto, durante a qual Dominique Strauss-Kahn, acusado agressão sexual e tentativa de violação, deverá comparecer de novo perante um tribunal de Nova Iorque.
Os advogados do ex-diretor do FMI reagiram aos comentários da jovem, acusando-a de procurar "inflamar a opinião pública", mas também lançaram acusações aos seus advogados.
"Este comportamento da parte dos advogados é não-profissional e viola as regras fundamentais do comportamento profissional dos advogados", afirmaram em comunicado os defensores de Dominique Strauss-Kahn.
Segundo os advogados William Taylor e Benjamin Brafman, "o objetivo evidente deste comportamento é inflamar a opinião pública contra um acusado num processo criminal em curso" e acusaram os conselheiros da empregada de hotel de "orquestrar um número sem precedente de acontecimentos mediáticos e de reuniões para exercer uma pressão sobre os serviços do procurador neste processo".