16 de abril de 2014 às 10:45
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El "Zorrito Raposito" e a sua filinha pirilau de Amorim &capitalistas, Lda.

João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

1. O Henrique Raposo, ontem, deu-nos conta que acordou com um pensamento bolchevique revolucionário: taxar os mais ricos. Ou seja, obrigar o senhor Américo Amorim a contribuir para os sacrifícios nacionais - como qualquer português - é uma coisa do diabo, só ao alcance do pensamento do Bloco de Esquerda ou dos comunistas radicais soviéticos! Livre-nos Deus: ir ao bolso dos mais ricos é uma decisão digna de Estaline! Ui,ui! Coitadinhos: trabalharam tanto, tanto, tanto para obterem tamanha riqueza que devem estar subtraídos a essa coisa obscena que é pagar impostos! Os milionários americanos (e note-se que Henrique Raposo dirige-se a Warren Buffet como um milionário altruísta farsolas, por - imagine-se só! -quer pagar impostos e ser parte da solução para resolver os problemas financeiros americanos....uim que coisa tão diabóilica, sir Buffet!), franceses e cada vez mais europeus sabem que também perdem com a crise, com a recessão da economia imposta pelas medidas de austeridade - e, por conseguinte, não querem ficar de fora de um plano de recuperação financeira que dê novo élan à economia. Eles sabem que mais vale pagar mais umas notinhas em impostos do que perder tudo, caso a economia não melhore. Caso os mercados continuem (ou fiquem ainda mais!) instáveis. Eles percebem este argumento elementar. Todos percebemos este argumento elementar. Todos, excepto um jovem tão inteligente como é o Henrique Raposo. Por uma razão muito simples: preconceito ideológico. O Henrique Raposo quer ser um liberal exacerbado, enaltecer as virtudes do liberalismo económico sem reservas, achando que a política e as soluções para o futuro da colectividade podem ser encontradas como se fosse um mero exercício teórico-académico. Mas, até assim, o argumento do Henrique Raposo, e dos seus colegas ultra liberais, é fraquinho: é que um liberal a sério, com convicções fortes, não se preocuparia em defender apenas o senhor Américo Amorim dessa mania perigosa que é aumentar impostos. Pelo Contrário, criticaria o aumento de impostos cegos para todos os portugueses, sobretudo para os mais pobres - porque isso diminui o poder de compra e, logo, o livre comércio e a economia no seu todo. Isso sim, mereceria o nosso aplauso. Por que razão o Henrique Raposo e a filinha pirilau dos nossos ultra-liberais se preocupa tanto com os 2%, 3% de imposto que o senhor Amorim pode pagar a mais de imposto (não se preocupem, ele sobrevive!) e vive bem com a ideia de que a grande maioria dos portugueses vai sofrer um aumento brutal de impostos - e paga e cala-se bem caladinho?

2. Vejamos, de seguida, o argumento principal do Henrique Raposo: Amorim não deve pagar impostos porque o Serviço Nacional de Saúde tem um buraco enorme e só a fortuna de Amorim (e da filinha pirilau dos capitalistas portugueses) não chega para o resolver. Muito bem, Henrique, excelente! Está descoberto a razão justificativa para eu me recusar a pagar impostos: ah, o meu ordenado não serve para cobrir o buraco do Serviço Nacional de Saúde! Era preciso mais de 100 vezes o meu ordenado! Ora aqui está como podemos recusar pagar impostos! Caro leitor, na sua próxima declaração de IRS, não se esqueça de indicar que o montante de imposto que iria pagar não serve para tapar o buraco do SNS - assim, não tem que pagar nada, segundo a doutrina do Henrique Raposo! Enfim, sejamos sérios: obviamente que taxar os mais ricos não é a panaceia para os problemas financeiros nacionais. Ninguém julga que obrigar Amorim e a filinha pirilau dos capitalistas portugueses resolve o buraco do SNS, da educação ou de outro sector qualquer. Taxar a filinha pirilau de capitalistas é uma questão de moralidade e justiça elementar: se a todos os portugueses são exigidos sacrifícios e impostas medidas de austeridades, então aos mais ricos - e que mais beneficiaram com as loucuras desse mundo oculto que são os "mercados financeiros" - devem ser impostas medidas excepcionais, para que participem no esforço de recuperação nacional! Não há aqui nada de bolchevique ou soviético - apenas a exigência de solidariedade nacional e partilha de sacrifícios! A não ser que se ache que aumentar os impostos aos pobres e à classe média é uma medida liberal muito inteligente - já aumentar aos mais ricos é uma medida bolchevique, anti-democrática! Se assim for, rejeito completamente estas novas manias liberais!

3. Espero que el zorrito Raposito não fique hoje chocado com a filinha pirilau de portugueses com menos rendimentos que, ao abrigo do Plano de Emergência Social do governo, vai ter acesso a passes mais baratos. É que -ora bolas! - ajudar os que menos têm, significa que o senhor Américo Amorim já não pode comprar aquele carrão XPTO de milhares de euros - pensa el zorrito Raposito! Calma, Henrique Raposo, o senhor Américo Amorim e a filinha pirilau de capitalistas não vai sofrer nada com este governo Passos Coelho....

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Lemos Esteves entrou em orbita.
Sério?
"...um jovem tão inteligente como é o Henrique Raposo..." - Está a brincar connosco ou acha que nenhum de nós nunca leu as incriveis crónicas do dito?
JLE
Há noitadas boas mas a ressaca pela manhã é algo complicado para alguns não habituados e pela falta de treino dá por vezes em trambolhões.
É vida e calha a todos ter um mau dia.
Mas quem tem mais e nesta hora de crise se ajudar mais só lucra com isso mais tarde.
Somos muitos, pelos vistos
Há tempos, comentando um post do Henrique Raposo, afirmei o meu propósito de não o voltar a ler. Quebrei esse meu propósito uma duas vezes, e as duas por causa de textos de João Lemos Esteves, a primeira em Julho e a segunda hoje mesmo.
Li os comentários escritos hojes e constatei que é possível detectar um padrão - não estar de acordo com Henrique Raposo. O texto de Henrique Raposo (o de ontem sobre Amorim, os ricos e a eventual taxa especial) confirma e fortalece a minha decisão - não perder tempo a ler o que escreve tal personagem. Se o fiz foi para poder contextualizar o texto de lemos Esteves e os comentários a propósito que aqui estão disponíveis.
Fico contente por verificar que não sou única a não ter paciência para as crónicas de escárnio e mal-dizer de Henrique Raposo a quem proponho que entre de sabática e vá estudar qualquer coisa (até pode ser filosofia) - não precisa mudar ideologicamente só tem que deixar de escrever disparates.
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El Zorrito Raposito filhinha pirilau Amarim
A primeira vez que me lembro de ter entrado numa tasca, pela mão do meu pai, que não era frequentador dessas casas, vi na parede uma sequência de desenhos que me chamaram a tenção e que nunca mais esqueci. Era a historia de dois burros e de dois fardos de palha. Os burros encontravam-se atados um ao outro por uma corda e os fardos de palha distavam de tal maneira que não era possível os burros comerem cada um o seu pois a corda era curta. Por tal facto no primeiro desenho os burros apareciam a puxar um para cada lado sem conseguir chegar aos fardos. A seguir o outro desenho mostrava os burros a conversar. O Terceiro e o quarto via-se os mesmos, primeiro a comer em conjunto um e depois o outro fardo de palha. É caso para dizer que até os burros entendem.
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OS Blogguers em guerra!
Este título era muito sugestivo, mas é um serto blufff!

Em todo o caso, parece-me, a reter, a última frase do JLE:
talvez ele tenha razão ao dizer que os ricos não têm nada a temer deste governo...
E isso de facto parece grave!
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Gosto!

Gosto desta troca de galhardetes.

Isto só prova a diversidade da "direita" :)

Mais interessante ainda seria ter o o nosso Fox a dar-lhe réplica. Mas conhecendo-o um "bocadinho", duvido.

De qualquer forma, esta sua crónica vem em boa hora.
Gostei de ler por vários motivos.

1. Porque concordo consigo

2. Porque assim, o HR já não se pode queixar somente das caixas de comentários dos jornais online.

3. Ganhámos (os que não concordam com o Fox) um aliado com maior visibilidade, pelo menos nesta matéria.

Cumprimentos
Implac
Implacável...
Há quem diga que entrou em orbita. Pois eu digo que sim e, sem dúvida, JLE consegue ver o que certas pessoas não veem - nomeadamente HR.
Cada vez mais estou convencido que um dos problemas do nosso pais são os pseudos intelectuais, capitalistas e direitolas! Esta visto que com esta crise quem mais ganha são estes senhores. Os mesmos que, por mes, colocam no exterior em offshores 90 mm de euros!!! E estes senhores pelo menos nas riquezas declaradas em Portugal não deverão ser taxados!!! HR cuide-se!!! Acredito que não lhe convenha pois se calhar assim estes senhores deixariam de lhe pagar aqueles (voçe sabe) jantarzinhos em restaurantes finissimos de lisboa...vai uma entradazinha de caviar???
O problema não é meu!!!...
... não!!! de maneira nenhuma!!!
Depois de ter lido estas linhas do nosso amigo João mais convencido fico que quem implica com quem não sou eu mas é o nosso conhecido Bazófias também conhecido Zorrito Raposito!!!
Quando leio as crónicas do Bazófias a reacção que tenho é ficar com pele de galinha, o que me levava a interrogar se de facto o problema é todo meu? Mas não... Esta crónica é a prova provada de que o Raposito é bem lixado e a sua função como cronista, do Raposito claro, é testar/observar como os leitores reagem aos seus ruidos estranhos e tétricos em forma de crónica.
A grande fonte de inspiração, até há pouco tempo, de Raposito foi Sócrates, rara era a crónica que não falasse dele e sempre de uma forma negativa. Para Raposito, Sócrates era o representante de satanás na terra...
Hoje o nosso amigo Raposito, e por não ter Sócrates a inspirá-lo, anda errante à procura de uma fonte inspiradora para as suas crónicas de mal dizer. Está a ser para ele bastante dificil encontrar essa fonte inspiradora porque politicamente as coisas correm-lhe como sempre quis, indo ao encontro do seu comportamento reactivo ao trauma que tem desde pequenino ''ter vergonha de ser pobre''!
Sério demais!!
Ena pá
7 pirilaus num texto no expresso, jesus!!!
As comadres
Não há assuntos para comentar... zangam-se as comadres. Que isto de bater todos os dias no Passos Coelho também cansa.
Re: As comadres Ver comentário
INCHA PALHAÇO...
Toma lá que já almoçaste ò raposito vádio...
Boa crónica!
Sério demais!!
Como é que este individuo torna algumas linhas de sarcasmo do Henrique Raposo num longo comentário que só demonstra falta de sentido de humor?
Não, não e não ao João Lemos Esteves. O seu comentário não está de acordo com o espírito da mensagem do outro e de resto não acrescenta nada de novo( digo repetitivo) ao debate sobre a distribuição de sacrifícios. Ou seja, não venha para aqui escarrapachar os debates do seu partido, tipo marioneta, e diga o que pensa.
  Não compreendo! Serão rivais? Odeiam-se? Será que amanha é a vez do outro!? Quando é que isto vai parar?!
Esperemos que seja hoje.
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