As imagens são brutais. Uma mulher é arrastada no chão por militares, que lhe aplicam bastonadas e pontapés. O peito, já semi desnudo, é golpeado com toda a violência. No fim, descarregado o ódio, há um soldado que hesita por uma fração de segundos, quando os colegas seguem em busca de outros manifestantes, e cobre o ventre despido da mulher com o que sobra do seu casaco.
Estas imagens, e outras de violentas agressões a mulheres que se manifestavam este fim de semana no Cairo, foram captadas em vídeo e estão a correr mundo levantando ondas de indignação. Não que as agressões a mulheres nesta luta contra a repressão no mundo árabe sejam novidade. Mas, desta vez, as imagens são um testemunho da violência desmedida aplicada, sem dó nem piedade, pelos militares.
O Conselho Supremo das Forças Armadas disse "lamentar profundamente" o sucedido. Um dos membros do conselho militar, o general Adil Emara, afirmou depois que as agressões a mulheres foram um "incidente isolado". Hipocrisia, meus senhores, é a única palavra que me ocorre.
"A nossa honra é inviolável"
E, pelos vistos, não foi só a mim. Contra todas as expectativas do mundo ocidental (e do próprio mundo árabe, diria eu), as mulheres egípcias saíram mais uma vez à rua para deixar clara um mensagem: "A nossa honra é inviolável".
Mais de duas mil mulheres manifestaram-se ontem contra a violência das autoridades nos confrontos, que já se prolongam há cinco dias e que já fizeram 13 mortos. E fizeram-no com e sem burqa. Já uma vez o disse por aqui, mas volto a dizer: para mim, estas são verdadeiras mulheres-coragem. Tal como Aliaa Elmahdy
, que publicou fotos suas nua, em protesto contra a violência, o racismo e o sexismo árabe.
Todas as mulheres que se atrevem a sair da redoma de uma sociedade de extremos, onde as mulheres ainda estão - e estarão - muito abaixo dos homens nos seus direitos, merecem um aplauso. Mulheres que, tal como disse ontem Hillary Clinton, foram "humilhadas nas mesmas ruas onde arriscaram a vida pela revolução". E é por elas, e pelos seus gritos de revolta, que divulgo aqui estas imagens. Incómodas, é certo. Mas que o mundo não pode ver e ficar, simplesmente, indiferente:
ATENÇÃO: imagens com elevado grau de violência
Mais de duas mil mulheres saíram à rua depois da divulgação do vídeo anterior
A Vida de Saltos Altos em livro
Autoras: Ana Areal, Liliana Coelho, Paula Cosme Pinto, Sofia Rijo, Solange Cosme
Editora: Plátano (coleção Livros de Seda)
Preço: 11,80€ em loja, 10,62€ se for adquirido via site da Editora Plátano
A Vida de Saltos Altos também está presente no Facebook. Na página desta popular rede social qualquer um pode ser fã deste blogue. Clique para visitar.
A Vida de Saltos Altos no Twitter
A Vida de Saltos Altos é presença assídua no Twitter, onde estão todos os posts deste blogue. Junte-se às pessoas que aí nos seguem. Clique para visitar.
Heinkel (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 13:43 | Quarta feira, 21 de dezembro de 2011
1ª Não acha no mínimo curioso, que nas imagens que reporta, os manifestantes não se inibam de encher um colega caído no chão com uma chuva de pedras?
2ª Quando foi a agressão e tentativa de violação a uma jornalista americana, não vi qualquer manifestação de solidariedade feminina! Seria por ela ser alta, loira e não usar burqa?
"Todas as mulheres que se atrevem a sair da redoma de uma sociedade de extremos, onde as mulheres ainda estão - e estarão - muito abaixo dos homens nos seus direitos, merecem um aplauso."
Não estamos perante discriminação de sexos, estamos perante violência extrema de militares sobre cidadãos, homens e mulheres.
Mas há mais violência para além da física.
Esta senhora não deve ler o jornal onde escreve, caso contrário, já teria descoberto muitas "não notícias" baseadas apenas na exploração visual feminina.
Não a vi aqui contestar o aparecimento na primeira página do "mais melhor bom" jornal de referência português, do vídeo falso da jornalista holandesa (por sinal árabe muçulmana e excelente profissional) só porque a senhora tem "mamas".
E isto, "contra todas as expectativas" da senhora jornalista árabe que esperava mais do "mundo ocidental".
Já repararam que, depois das eleições que deram o poder aos Islamitas (Inimigos dos EUA e de Israel), a esquerdalhada que se babou com as manifestações do inicio do ano perdeu subitamente o pio!
Consigo arranjar milhares, largos milhares, de registos de homens a serem agredidos brutalmente, tanto no ocidente, como no oriente.
Quem ainda faz distinção das bastonadas, consoante o sexo da vítima é, necessariamente, machista.
A igualdade é isto: a bastonada num homem tem que ser, obrigatoriamente, a mesma bastonada numa mulher.
Se estamos a falar da brutalidade utilizada, qualquer que seja o sexo da vítima, aí então, já estamos a conversar.
P.S.: não estou de acordo com a brutalidade utilizada na vítima nessa fotografia. Quer seja mulher, quer seja homem. Isso não me interessa. NÃO FAÇO ESSA DISTINÇÃO.
O grau de violência da policia egipcia é de facto assustador e revela uma sociedade sem qualquer espécie de respeito pelos direitos dos outros.
No caso em causa é particularmente chocante, porque se vê que é uma miúda novinha que é brutalmente espancada por um bando de sádicos sem nome. Lembra as cenas do Panamá no tempo do Noriega. O anormal que lhe dá um pontapé num seio deve-se ter esquecido que é filho de alguma mãe, irmão de alguma irmã, se calhar pai de alguma filha, e que o pontapé que está a dar é em todas essas mulheres.
É dificil pensar como é que um tipo desses chega à noite a casa e olha para a mulher nos olhos, ou pega na filha ao colo sem correr a suicidar-se a seguir...
O Homem merece o mesmo destino dos dinossauros: a extinção! Basta ler jornais e ver os tele-jornais para comprovar a maldade existente no Homem. Não sabemos viver neste planeta em comunhão com a nossa própria espécie, muito menos com as outras. E cada dia que passa será pior, à medida que esta crise financeira for tocando no estômago de cada um. A nossa inteligência e brilhantismo acaba sempre no mesmo: violência, guerras e morte. O Homem é ganancioso, egoísta, selvagem, violento, predador, preconceituoso, xenófobo, racista, etc., etc., etc... existe esperança em mudar isto? Começa em cada um de nós, mas pelo que leio dos comentários, alguns preferem discutir igualdade entre sexos do que a violência das imagens...
Conto mais umas pessoas agredidas e não me parece que sejam mulheres...
Não sei o que despoletou tamanha violência, mas creio que deve haver limites quando puxamos a brasa á nossa sardinha...
Ou será que para D.Cosme "Não se toca numa mulher nem com uma flor" e os gajos que se lixem, se não foi por esta, por alguma anteriormente feita, merecem...
Não pretendo armar no "inteligente de serviço", mas ao ler alguns comentários e respostas não resisto a comentar comentadores:
1 - Debates e troca de opiniões só pode haver entre pessoas com opiniões diferentes quando estas são democratas, se respeitam e se dão ao respeito. Quem se refere aos outros como escumalha, direitalha, esquerdalha e quejandos deve ser ignorada. Porque não valem a pena.
2 - Toda a violência sobre manifestantes desarmados é condenável, mas parece-me evidente que não é igual se esta violência for exercida sobre crianças, mulheres, homens, idosos, diminuídos físicos, etc. O meu grau de indignação varia.
3 - A solidariedade destas senhoras não é às mulheres em geral, mas sim a uma MANIFESTANTE, companheira da luta delas.
4 - Estou a "quebrar a cabeça" para descobrir porque no mínimo eu deveria achar curioso o apedrejamento, ou que apedrejassem alguém. Quando desobrir, comentá-lo-ei aqui.