A continuação do julgamento do ex-presidente egípcio Hosni Mubarak e dos dois filhos, Alaa e Gamal, ficou marcada para 15 de agosto, anunciou hoje o presidente do Tribunal, Ahmed Refaat.
Refaat também ordenou que o antigo Presidente egípcio, doente, seja internado num hospital perto do Cairo enquanto aguarda pela segunda sessão do julgamento.
O julgamento do ex-ministro do Interior Habibn el-Adli e de seis altos responsáveis da polícia, previsto para hoje, ficou marcado para quinta-feira. O hospital designado pelo magistrado para acolher o ex-presidente é o Centro médico internacional, perto do Cairo.
Ahmed Refaat acedeu ao pedido da defesa para que Mubarak seja seguido por um médico oncologista "sempre que necessite".
O antigo Presidente egípcio Hosni Mubarak, acusado de corrupção e de estar envolvido no assassínio de manifestantes, rejeitou hoje na primeira sessão do julgamento todas as acusações de que é alvo no tribunal penal do Cairo.
Os filhos de Mubarak, Alaa e Gamal, acusados de corrupção, também se declararam inocentes em todas as acusações.
Mubarak declara-se inocente
"Nego todas as acusações categoricamente", declarou Mubarak, a quem foi disponibilizado um microfone, com uma voz rouca mas num tom firme. O antigo Presidente falava deitado numa maca colocada numa zona enjaulada, destinada aos acusados na sala de audiências.
Um representante do Ministério Público tinha anteriormente acusado Mubarak de ter chegado a acordo com o antigo ministro do Interior Habib el-Adli para assassinar "premeditadamente" manifestantes contestatários do regime em numerosas localidades do Egito.
O procurador também acusou Alaa e Gamal Mubarak de corrupção.
Durante a audiência, os filhos de Mubarak ficaram junto do pai e tinham livros nas mãos, provavelmente exemplares do Alcorão.
Hosni Mubarak, os filhos deste, Alaa e Gamal, o empresário em fuga Hussein Salem, o antigo ministro do Interior Habib el-Adli e seis adjuntos deste último começaram hoje ser julgados na capital egípcia no quartel-general da Escola de Polícia em Masrel-Gedida, no norte do Cairo.
Os 11 homens são acusados de corrupção e da morte de manifestante durante a revolta de janeiro e fevereiro, que provocou a queda de Mubarak, e da qual resultaram oficialmente quase 850 mortos.
O ex-Presidente egípcio, de 83 anos, esteve até agora em prisão preventiva num hospital da estância balnear de Charm el-Cheikh.
Na segunda-feira, Mubarak recebeu uma ordem do tribunal para ser transferido para o Cairo, onde iria decorrer o julgamento. A transferência de Mubarak para o julgamento era uma das principais exigências dos contestatários que depuseram o regime.
O estado de saúde de Mubarak é raramente noticiado e as informações são frequentemente contraditórias. Na quinta-feira, o ministro da Saúde, Amr Hilmi, disse aos jornalistas que a saúde de Mubarak era "boa" e podia ser transferido para o Cairo.
Pressionado pela contestação popular, Hosni Mubarak foi forçado a deixar o poder a 11 de fevereiro depois de ter governado o Egito durante quase 30 anos.