O egípcio Mohamed el Baradei, prémio Nobel da Paz, anunciou hoje que não pretende avançar com a sua candidatura às eleições presidenciais no Egito ou a qualquer outro cargo oficial.
Em comunicado enviado à agência de notícias espanhola Efe, El Baradei explica que a sua consciência não lhe permite apresentar-se às presidenciais "a não ser que se tratasse de um regime democrático verdadeiro", manifestando a sua convicção de que "o antigo regime não caiu".
De acordo com o antigo secretário-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), "a arbitrariedade e a má administração do processo de transição afastam o país dos objetivos da revolução" que acabou com 30 anos de presidência de Hosni Mubarak, cuja data se assinala daqui a 11 dias.
El Baradei conclui, assim, que "o regime anterior não caiu" e recusa apresentar-se às presidenciais, nas quais se esperava que o Nobel representasse a ala liberal e progressista da sociedade egípcia.
Apelo às forças da revolução
"O mais importante que (a revolução) conseguiu foi romper a barreira do medo e recuperar a fé do povo na sua força de mudança", sublinha El Baradei no comunicado, acrescentando que "este povo vai continuar a reclamar os seus direitos até que os consiga alcançar por completo".
Recorrendo a uma metáfora, o antigo responsável da AIEA refere que "o barco da revolução enveredou por um caminho difícil, foi destruído por vagas fortes e impedido de chegar ao porto da salvação" e atribui o fracasso ao "tripulante do barco, que não soube
eleger os passageiros e não tem qualquer experiência de navegação".
A concluir, El Baradei lança um apelo "às forças da revolução" para que continuem a trabalhar para alcançar todos os direitos do povo e acusa os militares de encetarem uma política de segurança "repressora e violenta".
Desde a chegada ao poder de uma Junta Militar após a queda de Mubarak a 11 de fevereiro de 2011, El Baradei foi um dos maiores críticos da gestão da transição levada a cabo pelos generais, convertendo-se assim no defensor visível das exigências dos jovens que continuam a protestar na praça Tahrir, no Cairo.