23 de abril de 2014 às 12:07
Página Inicial  ⁄  Dossiês  ⁄  Dossies Atualidade  ⁄  Revoltas no Magrebe e no Médio Oriente  ⁄  Egito: chefe religioso saudita proíbe voto em Shafik

Egito: chefe religioso saudita proíbe voto em Shafik

Chefe religioso saudita, Abdel Rahman al Borak, emitiu hoje decreto islâmico (fatwa) que proíbe os egípcios de votarem em Ahmed Shafik, candidato conotado com antigo regime, na segunda volta das  presidenciais. Clique para visitar o dossiê Revoltas no Magrebe e no Médio Oriente
agências
Mohammed Morsy (E) e Ahmed Shafik (D), candidatos que vão disputar a segunda volta das presidenciais egípcias em junho Khaled Elfiq/EPA Mohammed Morsy (E) e Ahmed Shafik (D), candidatos que vão disputar a segunda volta das presidenciais egípcias em junho

Abdel Rahman al Borak, chefe religioso saudita, emitiu hoje um decreto islâmico (fatwa) que proíbe os egípcios de votarem em Ahmed Shafik na segunda volta das eleições presidenciais, noticia a Efe.

>
Clique para aceder ao índice do Dossiê Revoltas no Magrebe e no Médio Oriente


A razão invocada é evitar o retorno ao regime que foi dirigido pelo Presidente Hosni Mubarak ao longo de três décadas (1981-2011), até ser derrubado no seguimento de um levantamento popular. Shafik foi uma das principais figuras do antigo Governo, do qual foi ministro.

A segunda volta das presidenciais no Egito decorre em 16 e 17 de junho.

Medo do retorno ao antigo regime 



"Tende cuidado para que a vossa grande luta não seja sequestrada por aquele que vos devolverá à época do antigo Presidente Hosni Mubarak, depois do vosso grande sofrimento para se livrarem dele", realçou o clérigo, em comunicado.

Neste sentido, Al Borak perguntou: "Como podem eleger alguém que satisfaz os EUA, país que não deseja o bem ao povo do Egito?".


Shafik, que é considerado pelos seus adversários como um "fulul" (um dos remanescentes do antigo regime), ficou em segundo lugar na primeira volta das eleições presidenciais, com 23,3% dos votos, a seguir ao candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsy.


Na primeira volta, realizada em 23 e 24 de maio, os dois candidatos ficaram separados por pouco mais de 250.000 votos, com Morsyi a obter 5.764.952 (24,4%) e Shafik 5.505.327 (23,3%).


Os grupos de jovens revolucionários e os salafistas (islamitas radicais), para além da Irmandade Muçulmana, apelaram ao voto contra Shafik, um general da força aérea reformado, por o considerarem um dos símbolos da era Mubarak.

Comentários 4 Comentar
ordenar por:
mais votados ▼
É interessante que a Arábia Saudita,
uma monarquia com tendência absolutista e intervencionista, com forte influência do fundamentalismo islâmico, colaboradora fortemente ancorada nos interesses das grandes potências petrolíferas, esteja fazendo uma campanha contra um remanescente do antigo governo, de tanto gosto para os EUA, Inglaterra e sócios, deixa muito a pensar. Qual a trama que está sendo tecida nos bastidores? Seria puramente desacreditar um governo outrora colaborador? Sinceramente, o motivo seria a falta de democracia naquela terra dos outrora faraós? Ou as muitas mortes da Primavera Árabe naquele país? Afinal, as potências ocidentais realmente acreditam na tolerância, como uma via acima do lucro? Não sei, mas tenho minhas profundas dúvidas da sinceridade do chamado e das intenções. Começo a acreditar que o terrorismo é uma forma de educar, para o pior. De dominar, em qualquer nova situação. Herói e criminoso no mesmo corpo, no mesmo coração, na mesma mente, com o mesmo propósito. Não sei, mas acho que vivemos tempos irreais, em que o mocinho é apenas um disfarce do mal, que afaga e estrangula, dependendo do apetite. Rio Grande
A democracia...

Tem destas coisas...

serve para acabar com o direito de votar....

Assim foi com Hitler e com outros ditadores....

Nós por cá ainda vamos a 1/2 caminho...mas por este andar lá chegaremos!
O mundo não vai a lado nenhum enquanto...

O mundo não vai a lado nenhum enquanto as religiões não forem metidas na ordem.

Façam lá as vossas rezas e as vossas orações nos vossos templos mas deixem respirar as sociedades.

Este é apenas mais um exemplo do tipo de intervencionismo radical e fascista decorrente do pensamento religioso. Pelos vistos, estas bestas acreditam que deus tem preferências político-partidárias.

Não tivesse a Modernidade metido na ordem o cristianismo e os líderes religiosos europeus fariam exactamente a mesma coisa que este líder islâmico. Por isso mesmo, o mundo não irá a lado algum enquanto os líderes religiosos não forem metidos no seu devido lugar: a pregar nos templos, deixando à sociedade civil o governo da coisa pública.

Ainda hoje, em Portugal, se ouvem certos padres sugerir o voto, na missa dominical do dia de eleições:

"Votem em paz, com saúde e em deus".

"Paz, saúde e deus"... Hummmm!

Há tantas formas de dar a volta ao povinho!

Se agora recorrem a estas subtilezas, o que não diriam e fariam se tivessem as prerrogativas destes líderes religiosos islâmicos.

Revoltas para voltar ao mesmo
Interessante o conceito de Democracia que esta a surgir no Egipto onde um candidato que se acha enviado de Deus proibe o voto no seu oponente.
Acho que não foi para isto que morreram milhares de egipcios nas revoltas do ano passado.
Mais uma noticia que mostra que a religião, seja lá qual for, apenas serve para manter o poder, reprimir as restantes religiões e para manter o povo na ignorancia.
Por mim, deveriam ser todas banidas, a começar pela irgeja católica, a maior assassina de todas...
PUBLICIDADE
Expresso nas Redes
Pub