Egípcios votam na segunda volta das eleições presidenciais
As urnas abriram hoje às 8h locais no Egito (7h em Lisboa) para a segunda volta das eleições presidenciais, que opõe o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohammed Morsi, e Ahmad Chafiq, antigo primeiro-ministro do presidente deposto, Hosni Mubarak.
Mais de 50 milhões de eleitores são chamados a votar para eleger o Presidente do país, dirigido por militares desde que Mubarak foi afastado, em fevereiro de 2011.
Morsi, que obteve 24,7% dos votos na primeira volta, beneficia do sólido apoio da Irmandade Muçulmana.
Durante a campanha, multiplicou-se em promessas para conquistar votos fora do eleitorado islamita e prometeu preservar os direitos adquiridos com a "revolução" que derrubou Mubarak, não obrigar as mulheres a usar véu islâmico e garantir os direitos da minoria cristã.
Ahmad Chafiq, o último primeiro-ministro da era Mubarak, não poupou críticas "ao perigo islamita" que o seu adversário constitui.
A vitória de um islamita nas presidenciais pode colocar "a nação em perigo", afirmou Chafiq depois de conhecidos os resultados da primeira volta, na qual obteve 23,6% dos votos.
Transição democrática
Na quinta-feira, viu a sua candidatura validada pelo Tribunal Constitucional, que considerou inconstitucional uma lei que proibia dirigentes do antigo regime de se candidatarem.
No mesmo dia, o tribunal decidiu que o Parlamento, dominado pelos islamitas, não foi eleito em condições "constitucionais" e que a sua composição "é ilegal". As eleições legislativas realizaram-se no inverno passado, num processo que decorreu em várias etapas.
Segundo analistas, a anulação das legislativas coloca em perigo a transição democrática no Egito e poderá abrir caminho para o Conselho Supremo das Forças Armadas assumir o poder legislativo.
O Egito, país mais populoso do mundo árabe, com 82 milhões de habitantes, foi, depois da Tunísia, o segundo Estado da região a afastar o seu Presidente na sequência de uma revolta popular da chamada 'primavera árabe'.


