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Efromovich: "Se depender de mim, o nome TAP não muda"

German Efromovich admite juntar-se a parceiros portugueses para comprar a companhia aérea portuguesa. Não comenta os números da TAP, mas acredita que "tudo tem um custo e um benefício". Para já, aguarda que o Governo português o chame a Lisboa.
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Efromovich assume que ter um hub (placa giratória) na Europa é uma necessidade

Ainda na segunda-feira, dia 1 de outubro, esteve em Lisboa, "vendo legislação e afinando a estrutura". Mas foi em Bogotá, na Colômbia, que o empresário que quer comprar a TAP falou com um grupo de jornalistas portugueses. Com reserva, por causa das questões de confidencialidade que o processo exige, German Efromovich, dono do grupo Synergy, assumiu ter entregue uma proposta para comprar a companhia aérea portuguesa "de acordo com os requisitos das autoridades europeias" e salientou: "Se apresentei uma proposta é porque não estou brincando".

Isolado na corrida à TAP (das três propostas apresentadas, apenas a dele é elegível), o homem que controla a Avianca na Colômbia e no Brasil revela que "ainda não tem" uma empresa europeia constituída e admite a possibilidade de criar parcerias com empresas europeias, em concreto, com portuguesas. A companhia aérea portuguesa Euroatlantic, por exemplo, já se mostrou disponível para participar com o grupo Synergy na compra da TAP. De resto, o empresário diz também estar aberto a avançar com bancos que estejam dispostos a financiar e a investir. Existem já vários parceiros financeiros em linha, revela o dono da Avianca, entre os quais portugueses.

Efromovich esclarece que não pode falar sobre o processo de privatização da TAP, por questões de confidencialidade, porque o Governo português ainda não se pronunciou sobre as propostas recebidas e porque "não sabemos se passaremos às fases seguintes". Luís Marques Guedes, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, disse esta semana que o caderno de encargos da privatização da TAP deverá ser aprovado este mês.

No mesmo dia em que anunciou que a companhia aérea que resulta da fusão entre a Avianca (Colômbia) e a TACA (Peru), iniciada em 2009, vai chamar-se apenas Avianca, Efromovich garantiu acerca da TAP: "Se depender de nós, o nome não muda". "Aquele que tiver o privilégio de ficar com a TAP tem de ser muito burro em trocar de nome", acrescentou.

No seguimento daquilo que fez com a Avianca - que tem hoje uma frota de mais de 100 aviões, mais de 17 mil trabalhadores, e serve mais de 100 destinos em 25 países - e numa lógica de seguir uma estratégia de aquisições, German Efromovich comenta que a abordagem é sempre diferente. O grupo Synergy - que tem perto de 30 mil trabalhadores, fatura 5 mil milhões de dólares (quase 3,9 mil milhões de euros) e atua em sectores que vão do petróleo à agricultura, passando pela hotelaria - ainda controla a Avianca Brasil (ex-OceanAir), num total de oito empresas de aviação. A abordagem é sempre diferente porque "cada região tem o seu mercado e a sua sinergia", explica. No caso da TAP, "não existe nenhum conflito com o grupo Synergy. Só existe complementaridade. Não consigo ver nenhuma outra companhia no planeta Terra que tenha tanta complementaridade", afirma.

Efromovich assume que ter um hub (placa giratória) na Europa é uma necessidade e garante que a operação da TAP "é uma soma". O empresário adianta que não quer que a TAP deixe de voar para cidades no Brasil, por exemplo.

Relação entre custo e benefício


Com a ambição de fazer da Avianca "a maior companhia aérea do mundo", German Efromovich encontra na TAP uma plataforma para crescer a nível intercontinental e assegurar ligação à Europa, aos Estados Unidos, a África e ao Médio Oriente. Mas tudo tem um preço. O grupo TAP apresentou prejuízos de €140 milhões no primeiro semestre deste ano e regista capitais próprios negativos de €500 milhões, situação que a sua acionista Parpública classifica como "crítica".

Acreditando que "não existe nada barato ou caro", o empresário colombiano-brasileiro não comenta os resultados da companhia aérea portuguesa. Reitera que não pode dizer "absolutamente nada sobre o processo de privatização da TAP", adiantando apenas que "a TAP entregou o balanço, mas nós ainda não fizemos due dilligence (auditoria feita antes da venda para aprofundar e avaliar a informação disponível, analisando a existência de riscos, passivos ocultos ou contingências)". Contas feitas, caso os números da companhia não lhe agradem, Efromovich pode recuar e retirar a proposta.

Confrontado com o interesse na deficitária TAP Manutenção & Engenharia no Brasil (ex-VEM), que registou prejuízos de €62,7 milhões no ano passado e foi a principal responsável pelas perdas totais do grupo TAP (€76,8 milhões), o empresário comenta apenas: "Tudo tem um custo e um benefício". O Governo português pretende privatizar a totalidade da companhia aérea portuguesa, incluindo o negócio da manutenção no Brasil.

Em aberto ainda está a questão que o sindicato dos pilotos tem levantado, invocando direitos de participação entre 10% e 20% no capital social da empresa privatizada. Efromovich garante que, caso venha a ficar com a TAP, todos os direitos e obrigações - os da companhia e os dos trabalhadores - serão respeitados.

Ao nível da gestão, garante que nem ele nem o irmão (José, que preside a Avianca Brasil) são gestores. "Nós somos mentores", diferencia. Chamado a comentar o desempenho de Fernando Pinto na TAP, afirmou: "É um profissional competente, que conheço há muitos anos. É meu amigo e ajudou muito a TAP".

 

ANA pode estar na mira


Com o processo de privatização da ANA a decorrer em simultâneo, German Efromovich não descura a possibilidade de vir a participar no processo. Garante que não irá levantar o caderno de encargos da companhia, mas avança estar disponível para se aliar a parceiros que o façam. "Não somos gestores de aeroportos, mas não posso dizer que não nos possamos juntar a quem esteja interessado em aeroportos e que acrescente valor". Ainda assim, o empresário dá a sua opinião sobre a estratégia aeroportuária em Lisboa: "O aeroporto de Lisboa ainda consegue operar bem por mais algum tempo. Não é um investimento prioritário. Está dentro da cidade, sem atrapalhá-la. É um hub fácil, um aeroporto amigável. O aeroporto tem de ser simples e prático".

Com 62 anos - e não 64, como fez questão de corrigir - German Efromovich reconhece ser viciado em trabalho e de gostar de se envolver nas operações. Diz passar apenas 25% do seu tempo no Brasil e andar o resto do tempo pelo mundo. Mudar-se para a Europa, ou até mesmo Portugal? "Não é uma possibilidade que eu desconsidero", responde. O dono do grupo Synergy nasceu na Bolívia, naturalizou-se brasileiro e ainda tem origens polacas. As normas comunitárias impedem que companhias aéreas não europeias detenham mais de 49% das europeias. Com German Efromovich a assumir a oferta à privatização da TAP, podendo pedir nacionalidade polaca, esta questão poderia deixar de se colocar.

Para já, não tem planos concretos para regressar a Portugal. Mas tem expetativas. O empresário já respondeu a algumas questões extra que o Governo lhe colocou entretanto e aguarda apenas que o chamem para avançar com o processo. Dos jornalistas portugueses despede-se com um esperançoso "até breve".


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Efromovich assume que ter um hub na Europa é
Uma necessidade!!!
Qual será o real interesse deste objetivo???
Re: Efromovich assume que ter um hub na Europa é
Estes traidores estão a vender e a espoliar tudo o
que resta do País em beneficio de interesses transnacionis a mando da Goldman Sachs e seus compparsas que estãqo espalhados por todo o lado com ligações estrategicas no poder. Mas na Argentina o prsidente La Rua pretendia fazer o mesmo mas o povo levatou-se como se pode ver no video abaixo. Recentemente viajei na TAP e antes de entrar no avião estavam s tripulantes todos untos e pergunte-lhes se não faziam nada para impedir a venda da TAP, uma empresa de prestigio internacional. Soriram e pouco disseram. É uma pena como este povo se deixa enganar por estes abutres que estão no poder à custa de metirema toda a populaçao......... youtu.be/NR8roBvl2eU
Re: Estes traidores estão a vender e a espoliar tu
Re: Estes traidores estão a vender e a espoliar tu
COLUMBIANO ? ENTENDITY !
Como dizia o outro ( Vasco Santana)..."a águas para o Cartaxo ? E-N-T-E-N-D-I-T-Y ! Isso é que vai ser voar...! BAGOTÁ-LISBOA-BAGOTA! Sempre a voar...baixinho.
Greves
Vão acabar as greves......tenho a certeza.
Re: Greves
judroikas
É mais um negocio de retornados.

É por estas e por outras que eles foram corridos de africa belicamente.

Negocios com judas de certo que os funcionarios da troika nunca aceitariam fazer nos seus proprios países.

Pois a TAP. o P da para Portugal como para Polonia.

Como um passaporte torna um negocio impossivel posivel.
TAP
NÓS OS PORTUGUESES ATÉ PODEMOS GOSTAR DO NOSSO PAIS E SERMOS PATRIOTAS ,MÁS O QUE E QUE ISSO NÓS TRÁS ALÉM DE SERMOS ROUBADOS CONSTANTEMENTE PELOS SUCESSIVOS GOVERNOS ELES SIM SÃO ANTI PATRIA EU QUERO E QUE ESTE PAIS SE VA LICHAR NÃO TENHO QUALQUER ALMA PATRIOTA ESTE NEGOCIO E BOM PARA A TAP ,PELO MENOS E MENOS UM SITIO ONDE OS NOSSOS GOVERNOS DEIXAM DE IR ROUBAR.
Cuidado com a Raposa
Este senhor Efromovich ,no Brasil onde vivo,segundo os jornais da época,tempo do PSDB no poder, foi alvo de processo na compra e/ou aluguel de plataformas de petroleo para a Petrobrás ,em conluio com o antigo presidente da Petrobras Rennó.
Cuidado pois vocês podem ficar sem dinheiro e sem companhia aérea.Mas para quem já vendeu parte do país...
TAP e Avianca..
o homem do momento! a grande oportunidade da nossa joia do ar e a excelente oportunidade da avianca gerir um grupo organizado, maior, bem estruturado! eu acredito que nesta privatização. Acredito que a mudança será positiva, trará novas rotas à TAP e melhor qualidade e assistência nos voos.
E ENTÃO ? COMO É QUE FICAMOS?
Caros Sr.s Jornalistas.
Tantos comentários, para quê?
Como ficamos?
Fizeram uma não notícia, ou como desmentirão o seguinte:

www.aviancataca.com/Lang/en/news/news50.html

Saudações...

Ler mais: expresso.sapo.pt/estado-pode-readquirir-a-tap-depois-da-privatizacao=f761072#ixzz29 nOsRBj6
Comentários 13 Comentar

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