Esqueça a potência, o consumo, a forma e o casquilho de uma lâmpada quando olha para a embalagem e quer tomar uma decisão de compra acertada. A eficácia luminosa e a temperatura de cor passaram a ser os factores decisivos.
Mas, como afirma Ana Rita Antunes, coordenadora do projecto EcoCasa da Quercus, "há grande falta de informação entre os consumidores e as indicações que encontramos nas embalagens não são claras".
Antes tudo era mais simples, "sabíamos que a lâmpada incandescente tinha cor quente e a fluorescente tubular clássica tinha cor fria", o que significa que "não estamos habituados a pensar na cor quando escolhemos uma lâmpada", recorda Rita Antunes.
Quanto mais alta for a temperatura de cor, mais clara será a tonalidade de cor da luz, o que significa que ao falarmos de luz quente ou fria não estamos a referir o calor físico da lâmpada, mas antes a tonalidade de cor que esta dá ao ambiente de uma sala.
Deste modo, temperaturas de cor elevadas são cores frias (verde, azul) e baixas são quentes (amarelo, vermelho). As primeiras, mais suaves, tornam o ambiente mais relaxante; as segundas, mais claras, tornam o ambiente mais estimulante.
Top Ten das economizadoras
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| Luz quente ou fria não se refere ao calor físico da lâmpada, mas antes à tonalidade de cor que esta dá ao ambiente |
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A organização ambientalista tem um Top Ten
das lâmpadas economizadoras mais eficientes à venda no mercado que pretende precisamente orientar o consumidor.
Aí encontramos toda a informação que nos permite fazer uma escolha acertada: eficácia luminosa (em lumens por Watt), temperatura de cor (em graus Kelvin), índice de restituição cromática, fluxo luminoso (em lumens), classe da etiqueta energética, tempo médio de vida (em horas), ciclos ligar/desligar, potência e potência equivalente de uma lâmpada incandescente (em Watts), tipo de casquilho, comprimento e diâmetro.
Como sublinha a Quercus, o Topten.pt, integrado no sistema europeu Euro Topten
, "é uma ferramenta de pesquisa on-line que pretende mostrar aos consumidores que estes têm um papel activo no combate às alterações climáticas e informar sobre o que cada um pode fazer para melhorar o seu desempenho ambiental".
E é também "uma ferramenta de pressão junto dos fabricantes, para incentivar a uma melhoria contínua dos produtos fabricados", baseando-se em testes e análises de instituições imparciais, etiquetas e certificados oficiais, como as directivas europeias para a eficiência energética das lâmpadas.
Luís Anacleto, consultor de Sistemas de Energia, assinala que "a temperatura de cor da luz é uma questão fundamental, porque a falta de informação nesta área está na origem de fenómenos de rejeição das lâmpadas fluorescentes compactas pelos consumidores, depois de uma primeira experiência". E nem todas as embalagens têm informação sobre a temperatura de cor e o seu índice de reprodução, "essenciais para o consumidor decidir bem".
Ambientalistas querem mais ambição
A Quercus e as organizações ambientalistas europeias defendem que a directiva de Bruxelas que vai abolir as lâmpadas incandescentes até 2012 devia ter ido mais longe. Quando a directiva entrou em vigor, no dia 1 de Setembro passado, a Quercus salientou em comunicado que todo o faseamento do processo previsto pela Comissão Europeia até 2016 para a substituição progressiva das lâmpadas menos eficientes no mercado "poderia ser mais ambicioso".
Rita Antunes explica que as decisões da UE nesta área são tomadas no âmbito da Directiva Ecodesign, onde são ouvidos todos os parceiros sociais e se procura um consenso, "mas os representantes da indústria não quiseram ir mais longe".
O World Wild Fund (WWF) defendeu na mesma altura que as lâmpadas de halogéneo clássicas deveriam também ser banidas de imediato do mercado europeu, porque são quase tão ineficientes como as incandescentes.
"Queremos ver a UE a promover soluções inovadoras no mercado", afirmou Mariangiola Fabbri, responsável da organização ambientalista, acrescentando que os consumidores "precisam de receber informação simples e correcta sobre as muitas alternativas já existentes no mercado", como as lâmpadas de halogénio mais eficientes, as fluorescentes compactas e as LED (light emitting diodes).
"No caso das fluorescentes compactas, o seu consumo de electricidade é de apenas 20% em comparação com as tradicionais lâmpadas incandescentes, a duração é seis a dez vezes superior, não correm risco de sobreaquecimento e existem em muitas cores formatos", destacava a Quercus no seu comunicado.