A China Three Gorges Corporation (CTG) defendeu que a privatização da EDP é "um bom precedente" para as empresas chinesas interessadas em Portugal.
"O processo foi muito justo, objetivo e transparente (...). A decisão do governo português criou um bom exemplo e estabeleceu um bom precedente", disse à agência Lusa em Pequim o presidente da China Three Gorges Corporation (CTG), Cao Guangjing.
"A Three Gorges é uma empresa muito conhecida na China (...), Os bancos e outras empresas chinesas irão seguir-nos", acrescentou.
Cao Guangjing parte na quarta-feira para Lisboa, onde dois dias depois vai assinar o contrato para a compra de 21,35% do capital da EDP, no valor de quase 2,7 mil milhões de dolares.
A venda foi anunciada pelo governo português na passada quinta-feira, depois de um concurso a que concorreram mais três empresas: E-On, da Alemanha, e as brasileiras Eletrobras e Ceming.
€2,7 mil milhões
Além de pagar quase 2,7 mil milhões de euros pela entrada na EDP, a CTG vai investir 2 mil milhões de euros nos projetos de parques eólicos da elétrica portuguesa até 2015 e comprometeu-se "a melhorar o perfil de crédito" da empresa através de linhas de crédito de 4 mil milhões de euros junto de bancos chineses.
É a primeira operação do género feita por uma grande empresa chinesa na Europa do Sul no contexto da crise da dívida soberana, realçou no fim-de-semana um jornal chinês.
"Mais negócios poderão seguir-se, à medida que as enfraquecidas economias europeias procuram clientes para ajudar a resolver as suas dívidas", disse o "China Daily" ao anunciar o resultado do concurso internacional para a privatização da EDP.
Fundada pelo governo chinês em 1993, para construir e gerir o maior complexo hidroelétrico do mundo, a barragem das Três Gargantas, no rio Yangtze, a CTG é considerada uma das mais importantes empresas da China na área das energias renováveis e está envolvida em projetos hidroelétricos em 26 países.