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Wall Street anima-se com "paciência" do banco central norte-americano

Os investidores financeiros gostaram de ouvir a presidente da Reserva Federal garantir que o banco será "paciente" no processo de iniciar o encarecimento do dinheiro, mantendo uma posição não apressada na subida em 2015 da taxa diretora de juro que está próxima de 0%. O Dow Jones subiu 1,69% e o S&P 500 ganhou 2,03%.

Wall Street ficou hoje satisfeita com a comunicação da estratégia da Reserva Federal (FED, banco central norte-americano) no final da sua reunião de dois dias, a última de 2014. O índice Dow Jones subiu 1,69% e o índice S&P 500 ganhou 2,03%. O índice de pânico, o VIX associado ao índice S&P 500 - ao contrário do que aconteceu esta quarta-feira na Europa com o VIX associado ao Eurostoxx 50 -, desceu 17,5% para 19,44 dólares.

Os investidores e os analistas financeiros gostaram da introdução da palavra "paciente" no comunicado desta quarta-feira da FED. "Com base na avaliação atual, o Comité [de Política Monetária] acha que pode ser paciente quanto ao início da normalização da postura da política monetária", ou seja, do aumento da taxa diretora de juros. A Fed deixou de referir que o atual nível próximo de 0% é para manter por "um período considerável de tempo" mesmo depois do final do programa de compras de ativos (conhecido pela designação inglesa de quantitative easing) em outubro, mas considerou que a "paciência" que se dispõe a ter é "coerente com a sua anterior declaração". Mudou as expressões, mas deixa a "orientação futura" de que não se precipitará.

De qualquer modo, é ponto assente - se o quadro económico não se alterar - que em 2015 é garantido o final de uma política de taxa de juros excecional que dura há seis anos. Quinze membros da FED admitem uma subida em 2015 - mais um do que em setembro -, enquanto só dois a apontam para 2016.

A presidente da FED, Janet Yellen, explicou em conferência de imprensa que por "paciência", o comité entende que é pouco provável que venha a iniciar uma subida da taxa diretora "pelo menos por um par de reuniões" (referindo-se às próximas reuniões de janeiro e março). O que significa que a mexida na atual taxa diretora, que está entre 0% e 0,25% desde dezembro de 2008, não ocorrerá antes de abril de 2015. No entanto, os membros do comité esperam que a taxa diretora chegue a 1,125% no final do próximo ano. Yellen adiantou, ainda, que algums membros do Comité pensam que o momento apropriado para a primeira subida situar-se-ia em "meados do próximo ano".

Nas projeções para 2015, a FED espera um crescimento da economia norte-americana num intervalo entre 2,6% e 3%, uma descida do desemprego de 5,8% para 5,2% a 5,3%, mas uma inflação distante da meta dos 2%, que poderá situar-se numa banda entre 1% e 1,6%.

 

FED salvou o dia nas bolsas

A "paciência" da FED acabou por salvar o movimento mundial bolsista. Com as subidas dos índices de Wall Street, o índice mundial MSCI ACWI fechou com um ganho de 1,01%, apesar dos índices regionais para a Europa e para a Ásia terem sido negativos.

Três sessões depois da vitória eleitoral expressiva do primeiro ministro Shinzo Abe, a bolsa nipónica fechou hoje mista, com o TOPIX a cair 0,10% e o Nikkei 225 a subir 0,38%, depois de duas sessões a acumular perdas.

O contraste mais importante entre os dois lados do Atlântico verificou-se esta quarta-feira no índice de pânico financeiro, que baixou 17,5% para o VIX ligado ao índice norte-americano S&P 500, e que subiu 6% para o VIX relacionado com o índice europeu Eurostoxx 50 que fechou em 27,23 euros, um nível que pode perfigurar um surto de medo financeiro no final do ano, que se poderá situar, em termos de gravidade, entre o primeiro verificado no início de fevereiro e o segundo registado em meados de outubro. Em termos semanais, o VIX europeu subiu 25,28%.