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Varoufakis propõe 'Plano Merkel' para recuperar investimento na UE

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O ministro das Finanças grego falou à margem do Fórum Ambrosetti, na cidade italiana de Cernobbio

Andrea Butti / EPA

O ministro das Finanças grego propôs este sábado uma forma alternativa de Quantitative Easing, financiado a 100% com títulos do Banco Europeu de Investimento. Sobre o nome, Varoufakis não tem dúvidas: "Eu chamar-lhe-ia 'Plano Merkel'". Uma tentativa semântica de aproximação à Alemanha?

Maria João Bourbon, com Lusa

Foi este sábado, no Fórum Ambrosetti, na cidade italiana de Cernobio. O ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, propôs - à margem da XXVI edição do simpósio "O Cenário da Economia e das Finanças" - a criação de um programa de recuperação do investimento na União Europeia (UE).

"A Europa necessita de uma forma alternativa do programa de Quantitative Easing (QE) que se ocupe da recuperação dos investimentos e seja gerido pelo Banco Europeu de Investimento (BEI). Eu chamar-lhe-ia 'Plano Merkel'", disse em declarações aos jornalistas, citado pela Lusa e pela imprensa italiana. 

Assim, o BEI pediria aos Estados Membros da UE para "empreenderem um plano para recuperar o investimento, financiado a 100% com títulos do mesmo BEI, comprados pelo Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário".

Varoufakis considera que isto poderia resolver os problemas operativos do BCE: "compraria um pedaço de papel com uma classificação de triplo A, sem ter que se preocupar com os títulos do Estado" e evitaria problemas que o QE "teve e terá cada vez mais numa Europa com os preços dos ativos inflacionados e sem incentivar o investimento".

O ministro das Finanças grego esclarece, assim, que este tipo de QE em cooperação com o BEI conseguiria oferecer um apoio direto aos investimentos.

No seu discurso aos jornalistas, não deixa de referir que "o peso da crise caiu sobre os países que estavam em maior dificuldades", pelo que Mario Draghi enfrentou a situação, "com grande coragem" e propondo o QE. E realça que a Europa necessita de uma nova lógica: "Temos de fugir da armadilha dos falsos dilemas e as falsas seleções entre estabilidade e crescimento. Esse dilema não deveriam existir".