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Ulrich transmitiu "preocupação com situação do BES" no fim da primavera de 2013

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FOTO LUÍS BARRA

Presidente do BPI transmitiu preocupação ao então ministro das Finanças Vítor Gaspar, que, por sua vez, falou com o governador do Banco de Portugal (BdP). Como resultado Fernando Ulrich foi contactado por um "alto funcionário do BdP", a quem explicou as suas preocupações, disse na comissão parlamentar de inquérito, onde está a ser ouvido está manhã.

Sónia M. Lourenço

Estávamos no final de maio ou início de junho de 2013, "não consigo precisar a data", disse Fernando Ulrich, presidente do BPI, aos deputados da comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao colapso do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), onde está a ser ouvido está manhã.

Foi nessa altura que Fernando Ulrich, no âmbito de uma reunião bilateral, transmitiu a Vitor Gaspar, então ministro das Finanças, "a preocupação com a situação do BES e do GES".

O ministro atuou de imediato, revelou o presidente do BPI: "Em menos de 48 horas fui contactado por um alto funcionário do Banco de Portugal, dizendo que o ministro tinha falado com o governador do BdP e este o tinha instruído para falar comigo".

Este "alto funcionário" do supervisor foi ao BPI e "expliquei-lhe detalhadamente as minhas preocupações", contou Ulrich. "O que aconteceu depois, não sei", afirmou.

Mais tarde, já em resposta aos deputados, Ulrich considerou que "havia informação pública suficiente para que autoridades não precisassem da minha ajuda", apontando para problemas potenciais elevados. Por isso, "se calhar não lhe dei novidade nenhuma". Quanto ao nome do "alto funcionário", Ulrich rejeitou revelar, apesar da insistência dos deputados.

Entre essa informação estavam os dados da exposição crescente do BES ao Banco Espírito Santo de Angola (BESA) e a utilização do fundo Espírito Santo Liquidez para financiar empresas do GES. 

Fernando Ulrich disse ainda que em setembro de 2013 também manifestou as suas preocupações "com mais insistência", sobre a situação do BES e do GES, numa reunião com a Troika. "A pessoa [da troika] queria que eu me calasse porque estava ali para falar do BPI. Respondi que se não pudesse falar do sistema financeiro não estava ali a fazer nada e ia embora e continuei a dizer o que achava".

Revelação de Fernando Ulrich foi feita na sua declaração inicial, onde começou por dizer ser "uma honra" estar na CPI. "O trabalho que esta comissão está a a fazer é muito importante para Portugal, que as pessoas prestem contas  aos deputados eleitos pelo povo. Ninguém pode estar numa torre de marfim".

Fez ainda uma declaração de interesses, dizendo ser "amigo da família Espírito Santo e de muitos membros da família", o que acontece há muitos anos.