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Ulrich sobre o poder de Salgado: "Foi-se criando um mito"

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FOTO LUÍS BARRA

Presidente do BPI considerou na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES que se "foi criando um mito em que uma parte do poder de Ricardo Salgado eram outras pessoas que lhe davam, porque se tornavam subservientes". 

Sónia M. Lourenço

"Até lhe chamavam o Dono Disto Tudo", lembrou Fernando Ulrich na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES, falando sobre Ricardo Salgado, ex-líder do BES e do GES. "E interrogava-me porque é que lhe atribuem tanto poder".

O presidente do BPI estava a ser questionado pela deputada Mariana Mortágua sobre o poder do BES/GES e de Ricardo Salgado e considerou que "foi-se criando um mito em que uma parte do poder de Ricardo Salgado eram outras pessoas que lhe davam, porque se tornavam subservientes".

"Isto era transversal a muitos sectores da sociedade", lembrou Ulrich, mas "sem ter uma base". E afirmou: "Este poder assentava em pés de barro".

Fernando Ulrich considerou que "o Banco de Portugal foi uma das poucas instituições que enfrentou o tal poder mitológico" de Ricardo Salgado.

O Banco de Portugal "definiu uma estratégia e um caminho" para lugar com os problemas no BES e no GES, que "com certeza pensava que era o que melhor defendia a estabilidade do sistema financeiro".

"Claro que hoje é fácil reconhecer que deviam ter atuado mais cedo. Que para seguir um caminho progressivo deviam ter começado muito mais cedo".

Ulrich afirmou ainda ter "dificuldade em perceber como é que instituições da qualidade das que compunham a Troika, não viram ou não perceberam a informação que era pública" sobre o BES e GES e que apontava para problemas potenciais muito grandes.

"Voltamos mais uma vez à questão da atitude", considerou o presidente do BPI. "Não sei se não se gerou em muitas cabeças a ideia que era bom haver um banco privado que não precisava de capitais públicos. Não sei se isso não condicionou várias cabeças".