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Ulrich e o BES: "Não concordo com esta medida de resolução"

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FOTO LUÍS BARRA

Fernando Ulrich disse na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do Banco Espírito Santo que lhe causa "perplexidade" porque é que o BCE foi tão violento com o banco e mostrou-se muito critico sobre a medida de resolução aplicada ao BES. "Acho uma irresponsabilidade atirar isto para cima dos outros bancos."

Sónia M. Lourenço

"Causa-me perplexidade porque é que o Banco Central Europeu foi tão violento com o BES, quando anda ao colo com os bancos gregos e já o fez com outros bancos", disse Fernando Ulrich aos deputados da comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES e do Grupo Espírito Santo, questionando a medida de resolução aplicada ao BES.

"Porque é que foi tão duro e exigente", questionou.

"Pode dizer-se que o problema dos bancos gregos é de liquidez e no BES era também de capital, mas faz-me confusão como pode o BCE ser tão violento com um Banco de Portugal", considerado o país de sucesso da Troika.

Ulrich lembrou ainda que BCE fazia parte da troika e "durante três anos não percebeu nada do que se passava no BES", apesar se tantos exames aos bancos portugueses. "Tenho de concluir que o trabalho de tanta gente não serviu para nada. O banco que não precisava de capital público estourou".

O presidente do BPI mostrou-se muito critico sobre a medida de resolução aplicada ao BES, "que parece que foi imposta pelo Governo". Isto porque "atirou uma fatia muito grande das responsabilidades para cima dos acionistas dos outros bancos", através do fundo de resolução, onde o BPI é responsável por 10%.

"Não concordo com esta medida e acho uma irresponsabilidade atirar isto para cima dos outros bancos, dos seus acionistas e dos seus depositantes".

E acrescentou: "Se o Novo Banco for muito bem vendido, este será um caso de sucesso". Caso contrário, "as perdas irão recair sobre os outros bancos".

Fernando Ulrich considerou que se os outros bancos em Portugal tiverem de aceitar todas as perdas que possam surgir neste processo de resolução, sem que as autoridades tenham estabelecido um limite para a dimensão que essas perdas podem atingir, "então tenho de concluir que as autoridades decidiram jogar à roleta com a estabilidade do sistema financeiro português".

Alternativas ao processo de resolução aplicado ao BES? Fernando Ulrich aponta que "o Banco Central Europeu podia ter dado tempo em vez daquela situação em que se não houvesse resolução, na segunda-feira o banco falhava pagamentos".

alem disso, "também se podia ter feito utilização da linha de recapitalização pública, pelo menos em parte". Ou ainda "ter feito como Chipre, com parte dos custos suportados por grandes depositantes e obrigacionistas seniores".

"Recudo em absoluto que era a única solução possível e não poderia ter sido feito de outra forma", afirmou Ulrich, frisando que "gostaria de ouvir da boca de Mario Draghi a explicação para a posição do BCE". em resposta, Fernando Negrão, presidente da CPI, lembrou que os deputados enviaram perguntas a Mario Draghi, de que a CPI aguarda respostas.

"Quanto mais tempo passa a mais informação disponho mais discordo da resolução, feita como foi", salientou Fernando Ulrich, frisando que "não aceito leitura de falta de tempo" para desenhar outra solução, porque como já afirmei, no final de 2013 já não havia soluções boas e havia informação pública sobre a situação" do BES e do GES. "Houve muito tempo".

Ulrich reconheceu que o modelo de resolução aplicado ao BES "é a solução que melhor protege os contribuintes". Mas, "o facto de ser uma solução eleitoralmente vantajosa não a torna única nem perfeita".

o presidente do BPI voltou a frisar que não faz sentido que os custos do processo  recaiam sobre os outros bancos em Portugal e recorreu a um exemplo: "Se o Partido Socialista fosse à falência não descia sentido que os custos recaíssem sobre os outros partidos".