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Ulrich defende que se devia ter atuado "mais cedo" no caso BES/GES

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FOTO LUÍS BARRA

Presidente do BPI considerou na comissão parlamentar de inquérito que "no final de 2013 já se tinha ultrapassado o ponto de não retorno" no BES e no Grupo Espírito Santo (GES).

Sónia M. Lourenço

Nesta altura, "o principal comentário é que devia ter-se atuado mais cedo" no caso BES/GES, disse Fernando Ulrich na comissão parlamentar de inquérito ao colapso do BES e do Grupo Espírito Santo (GES).

"No final de 2013 o destino estava traçado. Já não havia soluções fáceis bem boas", considerou Ulrich, reconhecendo que "isso é agora" mais fácil de constatar.

"Penso que no final de 2013 já se tinha ultrapassado o ponto de não retorno" no BES e no GES, afirmou.

Ulrich voltou a lembrar que havia informação pública apontando para problemas potenciais muito grandes no BES e no GES. Entre essa informação estava a crescente exposição do BES ao Banco Espírito Santo de Angola (BESA) e a utilização do fundo Espírito Santo Liquidez para financiar empresas do GES. Essa utilização "mostrava grande vulnerabilidade do grupo", considerou Fernando Ulrich, argumentando que "se calhar a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários devia ter chegado a esse fundo mais cedo".

Por isso, para Fernando Ulrich, "a intervenção, pelo menos no GES, tinha de ter sido em 2012".

E referiu ainda: "A supervisão está tão concentrada nos microscópio, nos detalhes, que depois são abalroados por elefantes". Para Fernando Ulrich "deviam ouvir mais as pessoas".

Questionado pelo CDs-PP sobre uma afirmação feita por si  na imprensa sobre como foi possível compactuarem com uma situação que vai sair cara aos acionistas dos bancos portugueses, Ulrich começou por dizer que compactuaram "os acionistas do BES e do GES". E destacou neste âmbito o Crédit Agricole, aliado histórico da família Espírito Santo no controlo do BES.

Acrescentou depois que "têm responsabilidades os órgãos de gestão do BES e do GES". Aliás, "são quem tem maiores responsabilidades".

E por fim, "provavelmente, as diversas autoridades podiam ter feito mais, mais cedo". E precisou as autoridades: Banco de Portugal, Comissão do Mercado de Valores Mobiliários e Governo.

Fernando Ulrich disse que "votei Passos Coelho e provavelmente vou votar outra vez", mas "não concordo com esta visão de que tudo isto passa ao lado do Governo".

Noemadamente, o processo de resolução aplicado ao BES: "Não consigo partilhar nem aceitar esta visão ir o processo de resolução passou completamente ao lado do Governo e foi o Banco de Portugal que fez tudo sozinho". "Não é possível excluir o Hoverno desta situação", frisou.